  

  HISTRIA  PASSADO  PRESENTE

  BRASIL COLNIA

  Quinta Srie do 
  Autoras: Sonia Irene do Carmo e Eliane Couto.

  Editora atual
  Segunda Edio


  SUMRIO:

  Aprenda a Estudar...2
  Unidade I: 
  Captulo I:
  A histria e o tempo...5
  Quem conta essa histria..7

  Unidade II:
  Captulo 2:  - Povoando o mundo, construindo a histria..13
  Captulo 3: - frica: um rio continente...19
  Captulo 5: - Os ndios do Brasil...28

  Unidade III
  Quem eram e de onde vieram...34
  Captulo 6: - A Europa feudal...36
  Captulo 7: Os reinos ibricos..40
  Captulo 8: Por mares nunca dantes navegados...43

  Unidade IV:
  Os brancos chegaram...50
  Captulo 9: O que os portugueses queriam?...52
  Captulo 10: Os brancos na terra dos ndios...59

  Unidade V
  Acar: o ouro branco da colnia....67
  Captulo 11: Da frica canaviais: um caminho sem volta...69
  Captulo 12: Nas terras do acar...76
  Captulo 13: Um Brasil holands?...81

  Unidade VI
  A colnia cresce e aparece...88
  Captulo 14: A conquista do Norte e do Nordeste...90
  Captulo 15: So Paulo: porta de entrada para os sertes...94
  Captulo 16: A conquista do Sul...99

  Unidade VIII
  A colnia: salvao do reino...104
  Captulo 17: A Coroa aperta o cerco contra a colnia...106
  Captulo 18: Realiza-se o velho sonho...110

  Unidade VIII
  Liberdade ainda que tardia...120
  Captulo 19: O que vai pelo mundo...122
  Captulo 20: Todos os povos tm direito  liberdade..127
  Captulo 21: O Brasil vira reino...133
  Captulo 22: Ou ficar a ptria livre...139

  Bibliografia...144

  -- Pgina 5

  UNIDADE I

  A HISTRIA E O TEMPO

  Na passagem pela vida, os homens de todos os tempos deixaram sinais de 
sua presena. Mesmo os nossos mais antigos antepassados fabricaram objetos 
de pedra  encontrados pelos pesquisadores em vrios lugares da Terra. Esses 
objetos nos revelam como viviam.
  Muito tempo depois, os grupos humanos pintaram cenas de caa em 
cavernas, que ainda podem ser vistas. (Figura1.). As runas de templos, 
monumentos, tmulos e palcios comprovam a existncia de sociedades h 
milhares de anos. Com a inveno da escrita, as prprias palavras de pessoas 
que viveram h muito tempo podem ser conhecidas atualmente.
  Estudar Histria  trazer o passado para o presente,  procurar as pistas que 
os homens do passado deixaram, para saber como viveram, o que fizeram, o 
que pensaram, as obras de arte e documentos que resistiram ao templo. 
Tambm podemos reencontr-los nos escritos dos historiadores. Conhecer 
esse passado  importante para entender o mundo em que vivemos.
  Figura 1. Esta pintura de animais encontrada na regio do Saara (junto s 
fronteiras das atuais Lbia e Arglia) comprova a passagem de nossos 
antepassados por cavernas. Atravs dela podemos concluir que o pastoreio era 
uma atividade importante na vida dos povos que habitavam aquela regio.

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  O QUE  IMPORTANTE APRENDER:
  Durante o estudo desta unidade, procure concentrar-se nos seguintes 
objetivos:
  - Compreender o que  uma fonte histrica e qual  sua importncia para o 
conhecimento da histria.
 - Saber em que ano comea e termina cada sculo, antes e depois de Cristo.
 - Saber a que sculo pertence um ano qualquer, antes e depois de Cristo.
 - Saber como elaborar linhas do tempo registrando corretamente os fatos 
correspondentes  determinadas datas.

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  Captulo 1: Quem conta essa histria?
  Todos os povos da Terra sempre se preocuparam em relembrar os fatos que 
ocorriam na vida de seu grupo. Aqueles que no tm escrita transmitem essas 
histrias oralmente. Nesse caso escolhem uma criana ou um jovem, que fica 
responsvel por memorizar a histria, palavra por palavra, a outra pessoa, que 
ser o prximo guardio da memria de seu povo. E assim, gerao aps 
gerao, guarda-se cuidadosamente a lembrana do passado.
  Mas claro que a memria humana tem limites. Passadas algumas centenas de 
anos, partes da historia mais preciso dos fatos e, por isso, ainda hoje podemos 
reler palavras que foram escritas h milhares de anos. (Figura 1.)

  O historiador: guardio da memria humana.
  Por causa da preocupao em conservar a lembrana do que aconteceu, 
surgiram os primeiros historiadores, h milhares de anos, na antiga Grcia. 
Eles tambm. Como os antigos contadores de histrias, se encarregaram de 
transmitir a memria do passado para as geraes mais novas.
  Figura 1. O papiro, produzido a partir de uma planta prpria das margens do 
Rio Nilo, na frica, foi um dos materiais usados no passado para se escrever. 
Na foto aparece um papiro do sculo IV.

  Os historiadores so, portanto, os guardies da memria da humanidade. Seu 
trabalho  descobrir o mximo possvel a respeito dos fatos que j 
aconteceram, para registr-los e, assim, impedir que sejam esquecidos.

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  Com essa finalidade, os historiadores procuram documentos, objetos, 
construes, relatos orais, desenhos, enfim, todas as pistas deixadas pelos 
homens do passado e que so chamadas fontes histricas.
  Livros, jornais, inscries escritas.(Figura) Construes, utenslios, armas, 
objetos de arte so fontes histricas no escritas. (Figura 2). Tanto umas como 
outras so de grande valor para o trabalho dos historiadores, pois lhes 
permitem conhecer a maneira como viviam e pensavam os povos estudados.

  Figura 2: As construes tambm constituem fontes histricas, pois fornecem 
inmeras informaes ao historiador. Na foto, as runas do templo de 
Cartonem, em Atenas (Grcia), construdo no sculo V a.C.

  Dominar o tempo.
  Os historiadores , quando buscam no passado os fatos que ocorreram, 
precisam se orientar no tempo. Para entender o que aconteceu na histria,  
necessrio saber o que veio antes o que veio depois.
  Mas essa necessidade de se orientar no tempo no existe apenas para a 
cincia da Histria. Desde os tempos mais antigos, os homens se deram conta 
da existncia do Tempo: perceberam a claridade (o dia) e a escurido (a noite), 
as pocas de calor e as de frio, as de chuva e as de seca.
  Porm, s depois que a humanidade comeou a praticar a agricultura  que o 
controle sobre o tempo se tornou uma necessidade. Era preciso prever quando 
viriam as chuvas, as enchentes dos rios e as secas, para no se correr o risco de 
perder as plantaes. Por isso, no foi por acaso que a inveno do primeiro 
calendrio se deu no Egito antigo, uma civilizao que floresceu h milhares 
de anos onde a principal atividade era a agricultura.

  O rio Nilo, que corre atravs do territrio egpcio, enche a transborda numa 
determinada poca do ano, inundando uma larga faixa de terra. Por isso, era 
necessrio prever quando iriam antes que as guas destrussem tudo.
  Os funcionrios dos reis egpcios mediram durante muito tempo a largura da 
faixa de terra que ficava inundada e perceberam que ela atingia a maior 
medida exatamente a cada 365 dias. Esse perodo de tempo passou a constituir 
a ano oficial dos egpcios antigos (Figura 3) Mais tarde, observando os cus, 
os sbios do Egito descobriram que, um pouco antes de se iniciarem as 
enchentes, uma das estrelas do firmamento aparecia, exatamente numa certa 
posio. Era ela que anunciava as inundaes. Com isso, tornou-se possvel 
organizar melhor a agricultura, pois todas as tarefas (semear, cuidar da 
plantao e colher) podiam ser feitas no tempo certo.

  Figura 3. As guas do Rio Nilo invadem uma larga faixa de terra das 
margens. A medio da largura da terra inundada permitiu estabelecer o 
intervalo de tempo que transcorria entre uma enchente e outra.

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  Figura 4.
  Algumas importantes invenes e descobertas dos ltimos 600 anos: XV: 
1455 Inveno da Imprensa moderna (tipos mveis); XVI: 1600 Inveno do 
microscpio, 1608 Inveno do telescpio; XVIII 1729: Descoberta da 
conduo de eletricidade; XIX 1826 Inveno da fotografia; XX 1928 
Descoberta da penicilina; 1969 Chegada do homem  Lua.

  Cada povo tem seu tempo.
  Os egpcios contavam o tempo a partir do reinado de cada famlia real, ou 
dinastia.
  Os gregos antigos comearam a contar o tempo a partir da primeira 
Olimpada, realizada na Grcia h quase 2.800 anos. O calendrio judeu conta 
o tempo a partir da sada dos judeus do Egito, guiados por Moiss, h mais de 
5.700 anos. Os romanos antigos contavam o tempo desde a fundao da 
cidade de Roma, h cerca de 2.750 anos.
  Os cristos contam o tempo a partir do nascimento de Cristo. O calendrio 
cristo, que ns usamos,  tambm seguido, atualmente, na maioria dos pases 
do mundo.

  -A linha do Tempo.
  Para nos orientar, podemos utilizar uma linha do tempo, onde se registram 
fatos ocorridos e qualquer poca. Veja o exemplo (Figura 4), onde registramos 
alguns fatos importantes dos ltimos 600 anos.

  -Anos e sculos: antes e depois de Cristo
  O ano 1 da Era Crist  o ano do nascimento de Cristo. Depois de 100 anos, 
completou-se o sculo I. O sculo II comea no ano de 101 e termina no ano 
200. E assim por diante. Veja a linha do tempo (Figura 5), onde esto 
registrados sete sculos depois de Cristo, mostrando o primeiro e o ltimo ano 
de cada sculo.
  Parar datar os fatos ocorridos antes do nascimento de Cristo, contamos os 
anos em ordem decrescente. O primeiro ano antes de Cristo  o ano a.C. 
(significa antes de Cristo). No ano 100 anos do nascimento de Cristo comea o 
sculo I a.C. Observe a linha de tempo (Figura 6) 

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  Onde aparecem registrados sete sculos antes do nascimento de Cristo, com 
os anos em que comea e termina cada sculo.
  Para saber a que sculo pertence um ano qualquer, faz-se um clculo simples. 
Por exemplo, o ano 956 corresponde a 900 anos, mais 56 anos. 900 anos so 
nove sculos, mas, como ainda temos mais 56 anos, estes j esto no sculo 
seguinte, isto , no dcimo sculo. Assim, o ano 956 pertence ao sculo X. 
(Costuma-se numerar os sculos com algarismos indo-arbicos.) O clculo  
vlido tanto para o tempo anterior a Cristo como para o posterior. Veja: o ano 
1740 a.C. pertence ao sculo XVIII a.C.; o ano 1740 pertence ao sculo 
XVIII.

  ATIVIDADES.
  Atividade I  Ficha de leitura.
  Na parte inicial do livro,  pgina 3, voc encontrar as instrues para 
realizar este tipo de atividade, isto , a ficha de leitura.
 Faa a ficha de leitura do Captulo 1, baseando-se no roteiro a seguir:
  1. A transmisso da histria antes do aparecimento da escrita.
  2. O papel do Historiador.
  3. As fontes de informao utilizadas pelos historiadores para a realizar seu 
trabalho.
  4. A relao entre a prtica da agricultura e a necessidade de controlar a 
passagem do tempo.

  Atividade II  Estudo de outras fontes.
  Texto Complementar:
  Infelizmente todos os documentos so deteriorveis. No decorrer dos sculos 
em nmero considervel tem sido destrudo, e  freqente dispormos apenas 
de fragmentos quando se pretende tratar um perodo longnquo. Os efeitos 
naturais do tempo  particularmente umidade e ar seco em demasia  so, 
antes de tudo, os responsveis. A manipulao acaba tambm por provocar 
rasges [...] e at o desaparecimento de certas folhas. Alm disso, o papel 
atual, feito de pasta de madeira, amarelece rapidamente e torna-se quebradio; 
as tintas vulgares, hoje utilizadas, so de m qualidade; [...] Os nossos escritos 
esto destinados  e isto, se no houver ainda a interveno decisiva  de larvas 
de insetos e de rataria  a desaparecer no espao de alguns sculos! (Salmon, 
Pierre. Histria e crtica, p. 64).

  1) Que problemas os enfrentam quando buscam documentos muito antigos?
  2) Quais so as causas da destruio dos documentos histricos?
  3) Que caractersticas dos documentos histricos da atualidade os tornam 
frgeis e destinados  destruio?
  4) Alm do que est indicado no texto, que outros fatores podem provocar a 
destruio ou o desaparecimento de documentos histricos?

  Sugesto de atividades complementares:
  Atividade III
  1) Indicar:
  a) h quantos sculos Cristo nasceu;
  b) o sculo em que vivemos;
  c) o ano em que ter incio o sculo XXI.

  2) Calcular o sculo a que pertencem os seguintes anos: 632  1170  203  
1900  312 a.C.  2140 a.C.  809 a.C.

  3). Calcular h quantos sculos ocorreram os fatos abaixo:
  a) Primeira Olimpada, em 776 a.C.
  b) Assassinato de Jlio Csar, governante de Roma, em 44 a.C.
  c) Chegada dos portugueses ao territrio brasileiro, ano de 1500.

  Atividade IV  Em grupos.
  Esta atividades tem por objetivo a montagem de um arquivo de fontes 
histricas da classe.
  a) Cada aluno dever trazer para seu grupo trs documentos para formar um 
arquivo de fontes histricas, relativas ao momento atual (registros escritos, 
pequenos objetos, moedas, etc.).
  b) Os grupos devero organizar os documentos trazidos, colando-os, quando 
for possvel, em folhas de caderno ou papel sulfite. As folhas sero depois 
colocadas em um envelope de plstico.

  -- Pgina 11

  c) O professor receber todos os envelopes e os arquivar uma pasta, que 
ser guardada em um armrio da classe ou em outra parte da escola. Objetos 
maiores podem ser guardados em caixas.
  Observao: Sugere-se que ao final do Primeiro Grau os alunos da classe 
(que ainda se encontrarem na mesma escola) revejam o arquivo, comentando o 
que mudou nos anos que se passaram.

  Atividade V.
  1) Pesquise fatos importantes ocorridos nos ltimos dez anos, em jornais, 
revistas ou entrevistando pessoas conhecidas.

  2) Registre esses fatos, indicando o ano em que ocorreram.
  3) Monte uma linha do tempo referente aos fatos colhidos.

  INSTRUES:
  Linha do Tempo:
  - Desenhe, com o auxlio de uma rgua, uma linha horizontal ou vertical (a 
linha do tempo tambm pode ser feita verticalmente).

  - Determine a medida correspondente a cada ano, em centmetros, marcando 
na linha os tracinhos que separam os anos.

  - Registre os fatos, na direo dos anos correspondentes a eles. Ligue com 
um trao os fatos s datas.

  ENCERRAMENTO DA UNIDADE
  Atividade I  Em grupos.
  Discutir os objetivos apresentados no incio da unidade sob o ttulo: O que  
importante aprender. Redigir um pequeno texto sobre cada um dos temas.

  Atividade II
  Nesta atividade, voc far o trabalho de um historiador.

  1) Procurar em caso objetos, fatos ou documentos antigos.
  2) Pea s pessoas da famlia que informem o mais detalhadamente possvel 
a histria de cada um desses objetos, fotos ou documentos.
  3) Escreva as informaes obtidas.
  4) Cada aluno levar para a classe os objetos, fotos e documentos que 
estudou, para que se organize uma exposio. Cada objeto exposto deve ser 
acompanhado de uma etiqueta com as explicaes a respeito dele, para 
informao do pblico que visitar a exposio.

  PREPARAO PARA A PRXIMA UNIDADE.
  Esta atividade tem objetivo o conhecimento dos espaos geogrficos 
relacionados com a unidade seguinte.

  Lembrete:
  O mapa a seguir chama-se _planisfrio e mostra todos os continentes e guas 
do planeta Terra. Observa as cores: azul indica as guas, e o amarelo, as terras.  
As grandes massas de terra so os continentes: Amrica, sia, Europa, frica, 
Austrlia e Antrtica.
  A linha horizontal, traada no planisfrio de um lado ao outro,  o equador. 
Ela serve para indicar a separao entre duas metades ou dois hemisfrios da 
Terra: o hemisfrio sul. A linha vertical  o meridiano de Greenwich (todas as 
linhas que se traam verticalmente no planisfrio so chamadas meridianos) e 
tambm divide o planisfrio em dois hemisfrios: o hemisfrio leste ou 
oriental e o hemisfrio oeste ou ocidental.

  --Pgina 12

  Em qualquer lugar do planeta podemos nos orientar, determinando o norte, o 
sul, o leste e o oeste. Tambm no planisfrio ou em qualquer mapa  possvel 
localizar o norte, o sul, o leste e o oeste. Por exemplo, tomando como 
referncia o oceano Atlntico, encontramos, a oriente ou leste dele, os 
continentes europeu e africano, e a ocidente ou oeste, o continente americano.

  Analisando o planisfrio e consultando tambm um atlas, responda:
  1) Qual o oceano que est a leste do continente americano?

  2) Qual o oceano que est a oeste da Amrica?

  3) Quais as partes em que se divide o continente americano?

  4) Localize no planisfrio o mar Mediterrneo.
  a) Esse mar banha quais continentes?
  b) Como se chama a passagem entre o mar Mediterrneo e o oceano 
Atlntico?
  c) Indique o nome de uma ilha situada na parte oriental do mar Mediterrneo.

  5. Localize o mar Vermelho.
  a) Qual  a pennsula banhada por esse mar, a leste?
  b) Qual  o continente banhado por esse mar, a oeste?

  6. Qual  o rio que atravessa grande parte do continente africano, correndo de 
sul para norte e desaguando no mar Mediterrneo?

  7) Como se chama o deserto que se situa na parte norte do continente 
africano?

  8) Localize o continente europeu. Ao sul desse continente projetam-se trs 
pennsulas para o mar Mediterrneo. No planisfrio acima, a de nmero 1  a 
pennsula Ibrica, a de nmero 2  a Itlica  a de nmero 3  a Balcnica?
  a) Qual delas  a oriental?
  b) Qual  a central?
  c) Qual  a ocidental?
  d) Qual oceano banha a pennsula Ibrica?

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  UNIDADE II

  Povoando o mundo, construindo a histria.

  O homem surgiu na Terra h cerca de 3 ou 4 milhes de anos. Desde ento, a 
populao humana aumentou e povoou o nosso planeta, aprendendo a 
conviver com os mais variados problemas e desafios.
  Comparado com os outros animais, o ser humano  muito frgil: no possui 
garras afiadas, nem dentes grandes, no  veloz; enfim no dispe de defesas 
naturais para vencer os obstculos que a natureza lhe apresenta. Mas, ao 
contrrio dos outros animais, o homem aprendeu a fabricar ferramentas e 
armas (Figura 1). Assim, sem Ter defesas naturais, os seres humanos 
construram artificialmente suas defesas. Inventaram veculos que lhes 
permitem percorrer enormes distncias em pouco tempo; derrubaram matas 
para fazer plantaes, construram cidades e imprios. Tornaram-se donos do 
planeta, e at ameaam destru-lo.
  Figura 1: O homem, ao contrrio dos outros animais, criou instrumentos para 
dominar a natureza. Na foto, uma colheitadeira de cana em Jaboticabal, So 
Paulo.

  -- Pgina 14

  O QUE  IMPORTANTE APRENDER
  Durante o estudo desta unidade, procure concentrar-se nos seguintes 
objetivos.
  - Conhecer o modo de vida dos coletores.
  - Descrever a vida dos coletores  caadores.
  - Indicar o caminho pelo qual alguns grupos humanos chegaram  Amrica.
  - Explicar como os primeiros reis mantinham seu poder e sua riqueza.
  - Explicar por que surgiu a escravido. 
  - Explicar como se formaram os reinos e os imprios africanos.
  - Identificar os produtos africanos que participavam do comrcio entre 
diferentes regies da frica.
  - Descrever as principais caractersticas dos diferentes tipos de sociedade que 
se desenvolveram na Amrica.
  - Explicar por que entre os ndios brasileiros coletores  caadores e 
horticultores.
  - Explicar por que entre os ndios brasileiros no havia ricos nem pobres.
  - Comparar a sociedade indgena com a sociedade brasileira atual, apontando 
as diferenas entre ambas.

  -- Pgina 15

  CAPTULO 2
  Da frica ao mundo.
  Hoje em dia quase todas as terras do nosso planeta esto ocupadas pelo 
homem. Algumas tm mais gente, outras, menos. A ocupao dos continentes 
pelos seres humanos levou milhares de anos. Somente a Antrtica ainda no 
foi habitada, porque nesse continente o frio  to intenso que no  possvel 
permanecer l por muito tempo.

  Mapa: reas de origem do homem e sua expanso pela terra.

  --Pgina 16

  Neste captulo, vamos conhecer os tempos mais antigos da histria da 
humanidade, acompanhado o caminho que os grupos humanos fizeram para 
povoar o mundo.

  _ Tudo comeou na frica:
  Os antroplogos (cientistas que pesquisam a origem e a evoluo do homem) 
afirmam que nossos primeiros antepassados surgiram no sudeste da frica, 
cerca de 3 ou 4 milhes de anos atrs (Figura 1). Eles descendiam de uma 
espcie animal do gnero das primatas, que tambm deu origem aos macacos 
atuais.
  Inicialmente, os grupos humanos viviam com o que encontravam na 
natureza: frutos, razes, caules de vegetais. S se alimentavam de carne 
quando conseguiam pegar pequenos animais ou quando os encontravam 
mortos.
  Viviam em bandos de cerca de vinte ou trinta indivduos e eram nmades, 
isto , deslocavam-se de regio para outra, para evitar que os alimentos 
disponveis (vegetais ou animais) se acabassem.
  Utilizando pedras, ossos e pedaos de pau, fabricavam instrumentos muito 
simples, usados na coleta de vegetais, para cavar, cortar e raspar. Cada 
gerao ensinava o que tinha aprendido aos mais jovens, e estes aumentavam 
ainda mais essa herana de conhecimentos, inventando novas maneiras de 
fazer utenslios e objetos.
  O tempo passou. Muito tempo: mais ou menos 1 milho e 500 mil anos. 
Alguns grupos aperfeioaram seus artefatos, produzindo armas como arcos, 
flechas e lanas para caar animais maiores. Esses grupos se tornaram 
coletores  caadores, isto , continuavam fazendo a coleta de vegetais, mas 
tambm praticavam a caa a pesca. E eram nmades (Figura 2). Ao mesmo 
tempo, a populao humana ia aumentado, ocupando outras reas do planeta.

  Da frica  sia e  Europa.
  Depois de milhares de anos, alguns grupos atingiram a sia e a Europa 
(Figura 2). Por volta de 100 mil anos atrs, grande parte do hemisfrio norte 
ficou recoberta de gelo. (Esse fenmeno, conhecimento como gladiao, j 
havia ocorrido em nosso planeta em pocas remotas).

  Para se proteger do frio, nossos antepassados se abrigaram em cavernas, 
fincando estacas no cho e cobrindo-as com peles e ramos. A presena do 
homem  comprovada pelas pinturas de animais e cenas de caa que at hoje 
podem ser vistas nesses locais (Veja p.5).
  A caa, nessa poca, tornou-se muito importncia: dela dependia no s o 
alimento como tambm o agasalho, feito com as peles dos animais ( mamutes, 
renas, veados, cavalos). (Figura 3).
  O fogo no podia faltar em nenhum acampamento, onde havia sempre uma 
fogueira acesa.

  Figura 3: Na era Glacial, o mamute foi uma das principais presas dos 
caadores, o que pode Ter contribudo para a extino desses animais.

  Nem ricos, nem pobres.
  Durante milhares de anos, esses nossos antepassados viveram em 
comunidades onde havia nem ricos nem pobres. O territrio que habitavam 
pertencia a todos os membros do grupo. O trabalho era dividido por sexo: os 
homens caavam, pescavam, fabricavam as armas; as mulheres faziam coleta 
de vegetais.

  -- Pgina 17

  Assim, o trabalho das mulheres era to importante quanto os dos homens.
  Tudo o que se conseguia era repartido entre os membros do grupo e ningum 
se preocupava em acumular riquezas, porque sabia que no dia seguinte a 
natureza ali estava para fornecer generosamente tudo de que precisavam para 
viver.

  Rumo  Amrica.
  Provavelmente, durante a gladiao alguns grupos humanos passaram da 
sia para a Amrica. Ainda no se sabe exatamente como conseguiram 
realizar essa travessia. O mais provvel  que tenham passado pelo local onde 
hoje fica o estreito de Bering, que separa o continente americano da sia 
(Figura 1). Na poca da gladiao  possvel que ali tenha se formado uma 
passagem de terra firme, que serviu de caminho para os primeiros habitantes 
da Amrica. As pesquisas mais recentes indicam que essa travessia pode Ter 
ocorrido h cerca de 100 mil anos.
  Os descendentes desses grupos foram, no decorrer de milhares de anos, se 
espalhando pela Amrica do Norte, Central e do Sul.

  Navegando para a Austrlia.
  O ltimo continente povoado pelo homem foi a Austrlia. Talvez por volta 
de 30 mil anos atrs. Nessa poca os homens j haviam inventado as primeiras 
embarcaes, e alguns grupos, navegando de ilha em ilha, partiram do sudeste 
da sia e atingiram a Austrlia (Figura 1).

  A agricultura: mais alimento, mais gente.
  J existiram agrupamento humanos espalhados por todo o planeta quando se 
iniciou a prtica da agricultura.
  Vamos ver agora como foi isso. H cerca de 20 mil anos, o clima da Terra 
comeou a mudar. A temperatura se elevou lentamente, e o gelo, acumulado 
durante milhares de anos, deslocou-se das regies montanhosas para os 
terrenos mais baixos e derreteu, formando lagos.
  A maior parte dos habitantes dessas regies se fixou nas margens dos lagos, 
onde os agrupamentos humanos contavam com uma fonte inesgotvel de 
alimentos (peixes). Assim, podendo permanecer no mesmo local, formaram as 
primeiras aldeias, isto , povoados habitados por um pequeno nmero de 
moradores (figura 4). Isso aconteceu na Europa e tambm na Amrica (nos 
lagos de Mxico e na foz de pequenos rios desguam no Pacfico, descendo da 
cordilheira dos Andes).
  No decorrer de milhares de anos, na terra ocupada por esses agrupamentos 
sedentrios (que permaneciam no mesmo local), foram se acumulando restos 
de vegetais e peixes usados na alimentao, restos de fogueiras, etc., que 
alteraram a composio do solo.
  Assim, a Terra se tornou extremamente  frtil. Com o tempo, os seres 
humanos descobriram que podiam semear os vegetais, em vez de esperar que 
crescessem espontaneamente na terra. Com isso, conseguiram muito mais 
alimentos.
  Em vrios locais do planeta, entre 10 e 5 mil anos atrs surgiram os 
primeiros povos agricultoras.

 Figura 4: Nos lagos, ou s margens dos rios, construram-se aldeias suspensas 
sobre palafitas. Esse tipo de construo ainda existe em muitos lugares, como 
na ladeia Fadiuth, no Senegal (frica), mostrada na foto.

  -- Pgina 18

  Primeiro cidades, primeiros reis
  Foi na regio do Oriente Mdio que se construram as primeiras cidades, isto 
, aglomerados maior concentrao habitacional do que as aldeias, e onde as 
atividades humanas so mais diversificadas. Isso aconteceu aproximadamente 
h 5 mil anos.
  Foi na mesma poca que surgiram os primeiros reis. Os reis mandaram 
construir enormes e luxuosos palcios. Governavam seus reinos com a ajuda 
de numerosos funcionrios, que administravam obras pblicas e cobraram 
impostos da populao. Formaram tambm os primeiros exrcitos, para 
defender seus territrios e guerrear com os outros reis, para aumentar suas 
riquezas e seu poder.
  Com as guerras, comeou tambm a escravido. Os vencedores 
escravizavam os derrotados e os levavam para o seu reino, onde eles eram 
obrigados a trabalhar em obras pblicas, minas, pedreiras ou como servidores 
dos palcios reais. (Figura 5)

  Figura Na construo dos monumentos e palcios da Antigidade utilizaram-
se milhares de trabalhadores, muitos deles escravos. Nos fragmentos de um 
palcio da antiga Mesopotmia, mostrado na foto, aprecem trabalhadores 
transportando madeira.

  ATIVIDADES.
  Atividade 1 Ficha de leitura do Captulo 2, baseando-se no roteiro a seguir:
  1. Continente em que surgiram os primeiros antepassados do homem.
  2. Modo de sobrevivncia dos primeiros agrupamentos humanos.
  3. Razo que levava nossos primeiros antepassados a se deslocar 
constantemente de um lugar para outro.
  4. Relao entre o aperfeioamento das armas e ferramentas e a caa de 
animais de porte maior.
  5. Solues encontradas pelos grupos humanos para sobreviver nas regies 
atingidas pela glaciao.
  6. A passagem de grupos humanos da sia para a Amrica.
  7. Relao entre o fim da glaciao e o surgimento dos primeiros grupos 
humanos sedentrios.
  8. Diferenas entre uma cidade e uma aldeia.
  9. O surgimento dos reis, das guerras e da escravido.

  Atividade II  Estudo de outras fontes.
  Fotografia:
  Reconstituio de uma aldeia primitiva, montada na Inglaterra, com a 
finalidade de estudar as condies de vida nesse tipo de agrupamento.

  Foto: uma aldeia cercada por cerca e algumas casas com alguns celeiros para 
abrigar os animais.

  Descreva o agrupamento, considerando os seguintes aspectos:
  a) tamanho;
  b) nmero de habitantes e nmero de pessoas que poderiam viver nele;
  c) materiais usados na construo das habitaes;
  d) forma de proteo do espao da aldeia.

  -- Pgina 19

  CAPTULO 3

  frica: um rico continente.

  Os grupos humanos que povoaram a frica tiveram um desenvolvimento 
histrico muito variado. Alguns continuaram sobrevivendo da coleta e da 
caa, e ainda hoje  possvel encontrar coletores  caadores em algumas reas 
do continente.  o caso, por exemplo, dos pigmeus, que habitam uma regio 
de densas florestas, no centro da frica.
  Mas, no nordeste do continente, desenvolveu-se h cerca de 5 mil anos uma 
das mais antigas civilizaes da Histria, a egpcia (Figura 1).
  No passado, os mercadores egpcios, grupos humanos que viviam como 
coletores  caadores aprenderam as tcnicas de cultivo e passaram a praticar 
a agricultura, o pastoreio e a viver em aldeias.
  At hoje, em vrios pases do continente, grande parte da populao habita 
pequenas aldeias, cada uma dirigida por um chefe (Figura 2).

  Figura 2: Vista area de uma pequena aldeia na frica.

  -- Pgina 20

  Mas esses agrupamentos no so isolados uns dos outros. Seus membros 
consideram-se participantes de conjunto maiores, as tribos, que so formadas 
por vrias aldeias.
  Antigamente, em muitas regies da frica, as tribos se uniram, dando origem 
a grandes reinos e imprios.
  Os imprios da frica.
  Os primeiros grandes reinos surgiram ao sul do Egito (no Sudo) (Figura 1) 
Sob sua influncia, inmeros outros reinos se formaram em diferentes regies 
do continente (Figura 3)
  Os reis africanos governavam conjuntos de numerosas, que lhe entregavam 
grande parte de seus produtos como pagamento de impostos. Com isso, os 
governantes e uma camada de altos funcionrios garantiam seu sustento e 
apoderavam-se de imensas riquezas, destinadas ao comrcio com outras 
regies, principalmente com o Sudo: marfim, peles, plumas de aves, bano, 
ouro, cobre, sal, prata, etc. (Figura 4)

  Os Mululmanos Na frica.
  Um dos povos que tiveram grande influncia sobre os destinos da frica 
foram os rabes. (Localize a Arbia no mapa, na figura 3). No sculo VII eles 
fundaram a religio islmica, que se baseava na crena em um nico deus  
Al  e nos ensinamentos de seu profeta, Maom.
  Os seguidores do islamismo, j no sculo VIII, comearam a guerrear com os 
povos vizinhos, com o objetivo de expandir sua crena. Assim, chegaram a 
formar um grande imprio, que inclua todo o norte da frica.
  A influncia dos rabes se estendeu por grande parte do territrio africano. 
No reino da Etipia, por parte do territrio africano. No reino da Etipia, por 
exemplo, os mercadores mulumanos passaram a controlar o comrcio, 
enquanto a religio muulmana ganhava mais e mais adeptos.
  O comrcio dominado pelos rabes ligava a costa oriental da frica ao 
interior  e chegava at o sul do continente (Figura 5).

  Figura 4 As tcnicas de trabalho em bronze alcanaram um alto grau de 
desenvolvimento nos reinos africanos, como mostra este alto-relevo de Benin, 
no qual aparece o rei, rodeado, por seus guerreiros.

  Porm, foi no norte do continente africano que os rabes se estabeleceram 
mais solidamente, introduzindo sua religio, seus costumes e dominando os 
povos locais.
  Entre estes, viviam, nas bordas do deserto do Saara, grupos conhecidos como 
berberes, que eram acostumados a percorrer as rotas do deserto, mantendo 
contatos comerciais com os reinos negros que foram se formando, 
sucessivamente, mais ao sul (Figuras 3, 5 e 6).

  -- Pgina 21

  Figura 5: Rotas mulumanas na frica.
  Figura 6: Como no passado, os caravaneiros muulmanos cruzam o deserto 
do Saara, parando nos osis para repousar e obter gua.

  OS berberes se converteram ao islamismo e, graas a eles, a influncia 
muulmana tambm se estendeu a todas as regies que alcanavam. Nelas, as 
cidades cresceram e fundaram-se as escolas, onde se formava a camada social 
dominante dos diversos reinos. (Figura 7).

  Figura 7: A grande mesquita (templo religioso mulumano) na cidade de 
Djnn, no Mali (ao sul do Saara, na parte ocidental do continente), atesta a 
forte influncia muulmana na frica. No sculo XIV esse reino tornou-se um 
importante centro comercial e cultural, atraindo sbios e artistas rabes.

  -- Pgina 22

  Nas rotas comerciais, que atravessa, vrias regies africanas, uma das 
mercadorias transportadas eram os escravos.

  _A escravido na frica.
  Na guerras que tratavam entre si, os povos africanos aprisionavam os 
vencidos, que se tornavam escravos. Por isso, a escravido j existia na frica, 
sobretudo no Sudo, desde pocas muito antigas.
  Mas os escravos constituram apenas mo-de-obra auxiliar das comunidades 
e, depois de algum tempo, passavam das comunidades e, depois de algum 
tempo, passavam a fazer delas, como se fossem seus verdadeiros membros. 
Nessas condies, os escravos no podiam ser vendidos e, em alguns reinos, 
seus filhos j nasciam livres, passando a fazer da famlia dos senhores de seus 
pais. 
  Com o desenvolvimento dos grandes reinos, os escravos transformaram-se 
em uma das mercadorias trocadas entre as diferentes regies da frica. Mas, 
mesmo assim, em muitas comunidades, podiam tornar-se livres.
   medida que o comrcio controlado pelos rabes se desenvolveu, os 
escravos passaram a ser vendidos para lugares mais distantes, no Imprio 
Islmico. Porm, o nmero de escravos vendidos ainda no era muito grande e 
seu comrcio no chegou a modificar o modo de vida dos reinos africanos.
  Isso s iria acontecer muito mais tarde, quando milhes de escravos africanos 
foram violentamente arrancados de terra e levados, pelos europeus, para 
trabalhar na Amrica.

  ATIVIDADES.

  Atividade 1  Ficha de Leitura.
  Faa a ficha de leitura do captulo 3, baseando-se no roteiro a seguir:
 1. Influncia dos antigos egpcios sobre os outros povos africanos.
 2. Formao dos reinos da frica.
  3. Relao entre a formao de uma camada dominante (reis e altos 
funcionrios) e a cobrana de impostos da populao das aldeias.
 4. Trecho do texto que permite concluir que nas aldeias africanas se praticava 
a caa e a extrao mineral.
 5. O domnio muulmano no Norte da frica.
 6. Caractersticas da escravido na frica em cada um dos perodos seguintes:
 a) antes da formao dos grandes reinos;
 b) depois da formao dos grandes reinos;
 c) depois da expanso dos muulmanos;
d) depois da chegada dos europeus.

  Atividade II  Estudo de outras fontes.
 1. O relato a seguir uma impresso positiva ou negativa da cidade de Benin? 
Por qu?
 2. Que tipo de comparaes o viajante faz entre a cidade de Benin  e os 
hbitos de seus habitantes  e as cidades da Europa?

  Documento:
  Relato de um dos primeiros viajantes europeus na Costa da frica, sobre a 
cidade de Benin.
  O palcio do rei est do lado direito da cidade (...)  um conjunto de 
construes que ocupa tanto espao como a cidade de Grenoble [na Frana} e 
que  fechado de muralhas. H vrias divises para os ministrados do prncipe 
(...) A maior parte destas casas reais so cobertas de ramos de palmeira, 
dispostos como tbuas quadrados. Cada canto  embelezado com uma 
pequena torre em pirmide, na ponta da qual est empoleirado um pssaro de 
cobre a abrir as asas. A cidade  composta de trinta grandes ruas muito 
direitas, com vinte e seis ps de largura, alm de uma infinidade de pequenas 
ruas transversais. As casas esto perto umas das outras e alinhadas em boa 
ordem. Tm tetos, guarda-ventos, balastres, e recebem a sombra de folhas de 
palmeira e de bananeira, porque tm apenas um piso. (>>>) Estes povos no 
ficam atrs dos holandeses em limpeza. Lavam e esfregam to bem as suas 
casas que elas se encontram polidas e brilhantes como um espelho. (Apud Ki-
Zerbo, Joseph. Histria da frica Negra. Viseu: Europa  Amrica, s/d. p.207

  -- Pgina 23

  Sugesto de atividade complementar

 Atividade III  Em grupos.

  Observe a foto da pgina 19 que mostra uma pequena aldeia na frica atual. 
Compare com a foto abaixo, que retrata outro aspecto do mesmo continente.
  O que a comparao das fotos nos permite concluir sobre a frica atual?
   Figura: Cidade de Johanesburgo  ( frica do Sul).

  -- Pgina 24

  CAPTULO 4

  Durante muito tempo, os habitantes da Amrica continuaram vivendo em 
grupos de coletores  caadores, dividindo-se em vrios grupos.

  Cada povo, um modo de vida
  H cerca de 7 mil anos, alguns desses grupos comearam a praticar a 
agricultura e a criao de animais. Com isso, mudaram seu modo de vida, 
passando a construir aldeias. Como produziam seus prprios alimentos, no 
tinham mais necessidade de se deslocar de um lugar para outro 
constantemente para renovar seus recursos de sobrevivncia, podendo passar 
muito tempo morando no mesmo lugar; somente quando a terra se esgotava, 
procuravam um novo local para construir outra aldeia.
  Entre os povos agricultores e pastores surgiram tambm as primeiras cidades 
no continente americano; algumas delas cidades no continente americano; 
algumas delas deram origem a importantes reinos e imprios. As pesquisas 
arqueolgicas revelam a existncia de trs grandes civilizaes americanas: a 
dos maias, na regio onde atualmente  a Guatemala e o sul do Mxico; a dos 
astecas, no planalto mexicano; e a dos _incas, no atual Peru (Figura 1)


  Os povos da Amrica.

  Figura 1: Povos pr colombianos.


  Apesar do surgimento desses imprios, a maior parte dos grupos humanos 
que viviam na Amrica antes da chegada dos europeus era de caadores- 
coletores, pastores ou agricultores.
  Mas todos os povos americanos estavam isolados do restante do mundo at 
cerca de quinhentos anos atrs. No sabiam que haviam outras terras para 
alm do mar, da mesma forma que os habitantes da Europa, da sia e da 
frica ignoravam a existncia daquele longnquo continente que viria a se 
chamar Amrica.

 --Pgina 25

  OS ASTECAS
  No sculo XV os astecas ou mexicanos habitavam uma regio do vale do 
Mxico. Uma parte de sua populao vivia em aldeias rurais, onde a 
propriedade da terra era coletiva, isto , ela pertencia a todos os membros da 
comunidade. Porm j existiam ntidas diferenas de riqueza no conjunto da 
sociedade, pois muitas terras pertenciam a uma camada social de nobres 
(funcionrios, guerreiros e sacerdotes). (Figura2.)
  A Pedra do Sol calendrio asteca esculpido na rocha, demonstra o alto grau 
de desenvolvimento da cincia e da arte astecas.
  Os governantes dos astecas, monarcas com grandes poderes, eram eleitos 
sempre na mesma famlia. Havia ainda uma nobreza militar e vrias camadas 
sociais e de artesos que residiam nas cidades.
  A partir de 1440, os astecas conseguiram dominar outros povos da regio, 
formando um imprio que tinha como capital a cidade de Tenochtitln, 
fundada um sculo antes, numa ilha do lago Texcoco. Tenochtitln possua 
entre 200 mil e 300 mil habitantes e constitua um importante centro comercial 
da regio. Ali se vendia uma grande variedade de mercadorias: vesturio, 
artesanato de luxo, matrias-primas minerais, peles de coelho e 
escravos.
  A guerra era extremamente importante para os astecas, que por meio dela 
pilhavam os povos vencidos e lhes cobravam tributos. Alm disso, os 
guerreiros derrotados nas batalhas eram sacrificados nos templos dos deuses.

OS MAIAS
..H cerca de 2 mil anos, os maias ocuparam o sul do Mxico e posteriormente 
transferiram-se para a pennsula do Yucatn e para a Guatemala. (Figura 1). 
Os historiadores s dispem de informaes detalhadas sobre o ltimo 
perodo, que se iniciou aproximadamente mil anos atrs.
  A sociedade maia se dividia em vrias camadas sociais. Uma parte da 
populao vivia em aldeias agrcolas, cultivando a terra coletivamente, mas 
existia tambm uma classe de nobres, formada por proprietrios e sacerdotes. 
Nas cidades trabalhavam artesos e comerciantes e havia ainda alguns 
escravos, que eram criminosos ou prisioneiros de guerra.
  Cada cidade maia constitua um reino independente, isto , tinha seu prprio 
rei e um conselho formado pelos nobres proprietrios e sacerdotes. (Figura 3.) 
O rei tinha a seu servio um grande nmero de funcionrios, guardas, e chefes 
de aldeias.
  Figura 3: Centro cerimonial do Jaguar Gigante, a construo mais alta (70 
metros) das antigas civilizaes americanas. Essa obra da civilizao maia 
encontra-se em Tikal, no territrio da atual Guatemala.
  Pagina 26
  Os maias exportavam para os povos vizinhos sal, algodo, cacau, mel, 
plumas, jade e obsidiana ( rocha com a qual se faziam facas e espelhos). As 
mercadorias eram transportadas provavelmente por escravos, atravs de uma 
rede de estradas em grande parte caladas com pedra. Para a navegao 
martima costeira, usavam canoas feitas de um s tronco.

OS INCAS


  Na regio dos Andes, h cerca de 1.200 anos, tambm surgiram cidades 
bastantes desenvolvidas. A conquista de uns povos pelos outros resultou na 
formao de imprios, dos quais o mais importante foi o Imprio Inca. 
(Figura 1.)
  Os quchuas ou incas dominaram a regio do rio Cuzco no sculo XV. A 
cidade de Cuzco, capital do imprio era muito populosa e nela se erguiam 
imponentes templos e palcios. (Figura 4.).
  Os incas tratavam os povos dominados com extremo rigor. O governo era 
controlado por um monarca, o inca, considerado de origem divina. Auxiliado 
por inmeros funcionrios, ele tinha poderes absolutos sobre seu povo. Os 
cargos mais importantes do imprio eram ocupados por membros da famlia 
do inca.
  Os territrios do imprio dividiam-se em trs partes: uma pertencia ao deus 
Sol, a principal divindade, isto , estava nas mos dos sacerdotes; outra era de 
propriedade do monarca; e uma terceira parte correspondia s aldeias de 
agricultores. Estes no podiam sair da terra que cultivavam e eram obrigados a 
prestar trabalho tambm nas terras do inca e do deus Sol.
  Figura 4
  Runas da cidade de Machu Picchu (no Peru), construda 2 690 metros acima 
do nvel do mar, numa montanha de difcil acesso. Machu Picchu s foi 
descoberta em 1911, por um arquelogo norte-americano.

  Pgina 27

ATIVIDADES
  Atividade 1 _ Ficha de leitura
  Faa a ficha de leitura do captulo 4, baseando-se no roteiro a seguir:
  1 - Primeira forma de organizao das sociedades que se espalharam pelo 
territrio americano.
  2 - poca em que se desenvolveu a agricultura entre alguns grupos humanos 
da Amrica.
  3 - As trs mais importantes civilizaes surgidas no continente americano.
  4 - As diferentes camadas sociais existentes na sociedade asceta.
  5 - Trecho do texto que comprova a seguinte afirmao: a cidade de 
Tenochtitln era um importante centro comercial.
  6 - Semelhanas entre a civilizao dos astecas e a dos maias.
  7 - A origem da riqueza dos reis, funcionrios e sacerdotes na sociedade inca 

  Atividade I I _ Estudo de outras fontes 

  TEXTO COMPLEMENTAR
  O edifcio mais notvel da cidade ( Cuzco ) e o mais venerado de todo o 
imprio foi o Templo do Sol ou Corikancha, que os imperadores no 
cessavam de embelezar e enriquecer durante seus reinados. Tratava-se de um 
vasto recinto retangular de quatrocentos passos de permetro, [...] construdo 
com pedras secas perfeitamente talhadas e ajustadas umas s outras sem outra 
liga que o betume. A meia altura do recinto corria uma cornija de ouro de 
quatro palmos. As portas, que eram inteiramente revestidas de ouro, abriam 
para um jardim juncado de pedaos de ouro fino e com plantaes de milho, 
cujos caules, folhas e espigas eram tambm de ouro. Entre essa vegetao 
artificial pastavam vinte lhamas de ouro em tamanho natural. No interior do 
jardim erguiam-se quatro santurios cujas paredes eram interior e 
exteriormente recobertas de placas de metal precioso. O mais espaoso 
continha 
a imagem da divindade solar ornada com quantidades de pedrarias, da qual os 
espanhis jamais puderam se apoderar. Perto dela, com o rosto voltado para a 
cidade que protegiam, mantinham-se as esttuas dos imperadores mortos. 
Eram feitas de argila, com vestimentas, adornos e at cabelos e restos de 
unhas dos imperadores que representavam. Os trs outros santurios eram 
consagrados  lua (Killa), ao raio (illapa) e ao arco-ris (amaru).
  (Favre, Henri. Os incas. So Paulo: Difel, 1974, p.74.)

  1.O que o texto nos informa sobre as riquezas dos incas ?
  2 Que divindades eram cultuadas no palcio do Templo ?

  -- Pgina 28

  CAPTULO 05

  OS NDIOS DO BRASIL
  Recordando
  H cerca de 100 mil anos, grupos humanos chegaram ao continente, 
americano, atravessando o estreito de Bering, que nessa poca formava um 
caminho de terra firme entre a Amrica e a sia. Espalharam-se pelo 
continente americano e desenvolveram diferentes tipos de sociedades.
  Figura 1: Mapa dos Povos indgenas do Brasil. Representando os Tupi-
Guarani, J, Aruak, Karib, Pano, Tukano, Charrua, outros grupos.
  O povoamento da Amrica do Sul se deu, h pelo menos 30 mil anos graas 
ao lento deslocamento de grupos humanos vindos do norte, em levas 
sucessivas, atravs da Amrica Central. (Figura 1)

  OS PRIMEIROS HABITANTES
  No territrio brasileiro esses povos formavam diferentes naes, que podem 
ser classificadas em grandes grupos, ligados entre si pela mesma lngua ou por 
lnguas que tm uma origem comum.  o caso dos tupinambs e tupiniquins, 
que falam uma lngua pertencente ao tronco lingstico tupi. Ou dos carajs e 
pataxs, que falam uma lngua do tronco macro-j.
  Quando os europeus chegaram, existiam mais de 3 mil naes indgenas, 
espalhadas pelo territrio brasileiro. Alguns povos dessas naes sobreviviam 
da coleta, da caa e da pesca (coletores-caadores) e no se fixavam em um 
nico local, ou seja, eram nmades. Mas existiam tambm aqueles que 
praticavam a agricultura, embora sem abandonar a caa, a pesca e a coleta. 
Permaneciam por algum tempo no mesmo local, mudando-se quando era 
necessrio renovar os recursos alimentares.

  COMO VIVIAM OS NDIOS ?
  Atualmente  difcil saber exatamente como os ndios viviam no passado. 
Eles no utilizavam a escrita e por isso no deixaram documentos escritos 
informando  sobre seus hbitos e sua histria. Muitas das naes indgenas 
desapareceram, e somente as pesquisas arqueolgicas Pgina 29 podem 
encontrar indcios de sua existncia. (Figura 2 e boxe A).

  Figura 2: Pintura pr-histrica na Lapa do Drago, em Minas Gerais, 
encontrada por uma equipe de cientistas em 1977.

  -- Pgina 29

  Mas a histria dos ndios brasileiros tem sido recuperada por vrios outros 
meios. Um deles so os escritos de viajantes estrangeiros que visitaram o 
Brasil, na poca colonial e principalmente no sculo XIX. Esses escritos 
contm relatos detalhados sobre os hbitos dos indgenas 
  Alm disso, existem os estudos antropolgicos sobre os povos indgenas que 
ainda vivem no territrio brasileiro. Graas a eles, podemos conhecer seus 
costumes e crenas, que certamente conservam algumas caractersticas do 
passado.

  ALDEIAS E TRIBOS
  Ainda hoje, os ndios vivem em tribos, formadas por conjuntos de aldeias. A 
organizao dessas aldeias varia conforme a tribo, e as construes tambm 
diferem umas das outras. Antigamente, os tupinambs habitavam aldeias 
prximas do litoral, aonde viviam cerca de 2 mil pessoas.  sua volta 
geralmente erguia-se uma cerca para proteo contra ataques inimigos. 
(Figura 3)
  Na Amaznia, alguns grupos habitavam uma nica casa, a maloca, onde 
viviam umas duzentos pessoas. Cada famlia ocupava um canto da casa, onde 
pendurava suas redes. Como todos os moradores eram aparentados formavam, 
formavam, na verdade, uma nica grande famlia. Ainda hoje existem 
comunidades indgenas, como a dos tukanos, da regio do rio Negro, que 
constrem malocas espaosas, onde vivem muitas pessoas aparentadas.
  Em outras aldeias, construam-se vrias malocas, geralmente distribudas em 
crculo. Na parte central realizavam-se as atividades grupais, como as 
cerimnias, os jogos, as corridas e as reunies de guerreiros.
  Muitas das tribos atuais ainda constrem suas aldeias em forma circular, 
como os borors (Mato Grosso do Sul) ou os nambiquaras (rio Guapor at as 
fronteiras de Rondnia). Essa disposio das malocas em crculos demonstra a 
importncia que os ndios do s atividades grupais, realizadas no centro da 
aldeia.
  Figura 3: Configurao de uma aldeia Tupinamb.

  A CAA, A PESCA, A AGRICULTURA
 Como antigamente, algumas tribos vivem da caa e da coleta de vegetais e 
no praticam a agricultura. Nesses grupos, as mulheres fazem a coleta de 
vegetais, mas tambm participam da pesca; os homens caam e pescam.

  Boxe A
  As pesquisam arqueolgicas revelam a existncia de agrupamentos 
humanos que viviam no territrio do atual Estado do Piau, h cerca de 30 
mil anos, e outros, localizados no litoral do Atlntico, h 10 mil anos. Estes 
ltimos eram coletores e alimentavam-se de mariscos e outros pequenos 
animais, cujos restos, se amontoavam, formando depsitos de conchas e 
objetos de pedra e de ossos (principalmente de peixes), chamados sambaquis.

  -- Pgina 30

  Nas tribos onde se pratica a agricultura, o trabalho tambm  dividido entre 
os homens e mulheres. Os homens caam, armas e casas e preparam o terreno 
para a agricultura. Isso  feito pela derrubada da mata e queima das rvores 
cortadas. (Esse sistema de preparao do solo chama-se _coivara). Os tocos 
no so arrancados e, por isso, seguram a terra, evitando que as guas das 
chuvas levem a parte mais rica do solo. Alm disso, as cinzas servem de 
adubo.
  As mulheres cuidam das roas, fazem o artesanato (fabricando vasilhas, 
cestos, redes) e preparam a farinha de mandioca. (figura 4).

  Figura 4: Nas aldeias indgenas o trabalho  dividido por sexo e as crianas 
ajudam os adultos realizando as tarefas mais simples. Na figura observamos 
uma criana indgena secando mandioca.

  Apesar de construrem suas aldeias, esses grupos no permanecem muito 
tempo no mesmo lugar. Depois de dez ou quinze anos, mudam-se para uma 
rea vizinha, onde fazem uma nova roa. A rea abandonada volta a se cobrir 
de mata e fica durante alguns anos recuperando sua fertilidade.
  As crianas, tanto nas comunidades de caadores como nas de agricultores, 
ajudam os adultos, realizando as tarefas mais simples.
  Nas aldeias indgenas no  necessrio passar todo o tempo trabalhando 
para obter alimentos. Uma boa caada garante o sustento do grupo durante 
vrios dias. E mesmo entre os povos agricultores por dia de trabalho para 
viver bem. Assim, sobra muito tempo para os jogos, as artes, as conversas, e 
para contar as histrias e lendas do grupo s crianas.
  Essas histrias so os mitos indgenas, que cada tribo criou e que passam de 
pai para filho h muitas geraes. Os mitos explicam como surgiram todas as 
coisas: as plantas, o Sol, a Lua, a prpria tribo.

  UMA  SOCIEDADE IGUALITRIA
  A terra que os ndios ocupam pertence a todo o grupo. Isso significa que 
entre eles ningum  o dono da terra. Apenas os objetos fabricados 
individualmente, como os arcos e as flechas, pertencem a quem os faz. As 
colheitas de cada roa so da famlia que a cultiva. Mas os produtos da caa e 
da coleta so repartidos entre todos. Ningum se preocupa em acumular 
riquezas, pois a sobrevivncia de todos est garantida. Por isso no h ricos 
nem pobres.

  O CUIDADO COM A NATUREZA.
  Os indgenas consideram a terra, que produz todos os frutos e alimenta os 
animais, como uma boa me. E todos os elementos da natureza merecem 
cuidado e respeito. A maioria dos ndios, ainda hoje, critica aqueles que 
destroem as matas, destruindo tambm a vida.  o que podemos perceber, por 
exemplo, na fala de um ndio Terena, transcrita a seguir:
   Nossos antepassados ensinaram a viver em harmonia com a terra. 
Ensinaram tambm que devemos tratar todos os elementos da terra com 
respeito, manter o equilbrio e a harmonia que existe entre ns. Tm ensinado 
tambm a transmitir esta tradio aos nossos filhos. Nossa terra vale mais do 
que dinheiro. Assim como o sol ilumina e a gua refresca, esta terra estar 
aqui para dar vida  nossa gente, aos animais e s plantas.
  NINGUM MANDA.
  No h governo entre os indgenas. Ningum tem poder para dominar os 
outros membros do grupo.  verdade que existe uma autoridade nas aldeias 
indgenas, um chefe conhecido atualmente pelo nome de cacique. Algumas 
tribos do rio Negro chamam seu chefe de morubixaba e os antigos 
tupinambs os denominavam tuxua.
  Mas o chefe no  mais rico do que os outros e sua autoridade se baseia 
apenas nas qualidades pessoais: habilidade para caar, pescar, a coragem e a 
capacidade guerreira.

  -- Pgina 31

  Nas aldeias indgenas h tambm outra autoridade, o xam, que os tupis 
antigamente chamavam de paj. Eles so mdicos-feiticeiros, grandes 
conhecedores das qualidades medicinais dos elementos da natureza. Os 
xams so os intermedirios entre a tribo e o mundo sobrenatural das 
divindades.

  A CORAGEM DO GUERREIRO
  Os ndios sempre valorizavam muito a coragem dos guerreiros, pois 
antigamente eles se confrontavam em constantes guerras.
  As armas utilizadas no combate a distncia so o arco e a flecha. A 
confeco dessas armas exige uma grande habilidade, para que a flecha atinja 
exatamente o alvo desejado. Na caa utilizadas no combate a distncia so o 
arco e a flecha. A confeco dessas armas exige uma grande habilidade, para 
que a flecha atinja exatamente o alvo desejado. Na caa isso tambm  
importante para que o animal morra rapidamente, sem ficar sofrendo.
  Durante muito tempo, os brancos, que desconheciam os costumes e a 
mentalidade dos ndios, acreditaram que o motivo das guerras indgenas era a 
disputa de terras ou de outros recursos naturais. Os pesquisadores atualmente 
no acreditam nisso, pois o territrio disponvel era imenso, no havendo 
necessidade de disput-lo. Alguns deles dizem que o principal objetivo dos 
guerreiros era a captura das mulheres e crianas da tribo rival. Elas passavam 
a viver como se fossem membros da aldeia vencedora e isso facilitava a 
aproximao e a aliana entre os dois grupos.
  Outro costume indgena, que os brancos tinham muita dificuldade de 
entender, era a _antropofagia, isto , a prtica de comer carne humana que 
existia antigamente. Os tupinambs levavam os guerreiros vencidos para sua 
aldeia, onde viviam durante certo tempo e depois eram mortos numa 
cerimnia. Ento, distribuam algumas partes de seu corpo entre os membros 
da tribo, para serem comidas.
  Vrias crenas se relacionam com a antropofagia. Os matadores se 
enfeitavam como se fossem emas e outras aves, que vinham devorar o 
alimento oferecido. Isso significava que o guerreiro morto estava sendo 
devolvido  natureza. Acreditavam tambm que a alma do guerreiro morto se 
transformava num pssaro, que acompanharia o sol para sempre. E achavam 
ainda que, comendo a carne do valoroso guerreiro vencido, adquiram sua 
coragem, fora e habilidade. O prisioneiro, por sua vez, compartilhava todas 
essas crenas e por isso aceitava a morte com serenidade.
  Em outras tribos no havia o costume da antropofagia. Os prisioneiros 
ficavam convivendo com seus vencedores e acabavam se tornando membros 
da aldeia. De forma ou de outra, os indgenas nunca escravizam os vencidos.
  Figura 5. A arte plumria  uma das mais importantes manifestaes 
artsticas dos indgenas do Brasil.

  A BELEZA DA ARTE INDGENA
  Desde tempos muito antigos os homens procuram expressar suas crenas e 
modos de pensar por meio de obras de arte. Assim tambm fazem os ndios. 
Praticam a pintura corporal e expressam-se, ainda, por meio da msica, da 
dana, da cermica e dos objetos feitos com plumas de aves (arte plumria). 
(Figura 5) Algumas dessas formas artsticas tm um objetivo religioso. Certas 
danas, por exemplo, fazem parte dos rituais religiosos.
  As peas de cermica servem para vrios fins, como preparar ou guardar 
alimentos, ou ainda depositar os mortos (urnas funrias). (figura 6).

  Figura 6: As urnas funerarias so utilizadas para receber um corpo aps a 
morte. Na figura, urna funerria da ilha de Maraj.

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  Mas h tambm a preocupao com a beleza dessas peas, ornamentadas 
com diferentes desenhos. Cada grupo criou um estilo prprio nas pinturas das 
cermicas. Na ilha de Maraj, por exemplo, usam-se motivos geomtricos, 
enquanto no Amap e em Belm h preferncia por formas de animais e de 
seres humanos.

  VIERAM DO MAR
  Os vrios grupos indgenas que viviam no territrio brasileiro nunca tinham 
tido contato com os homens brancos. Nem sabiam da sua existncia. Nem 
mesmo o nome Brasil existia. Os tupinambs, que moravam no litoral, 
chamavam sua terra de Pindorama.
  Um dia, quase quinhentos anos atrs, os tupinambs viram chegar grandes 
embarcaes, trazendo gente muito diferente deles: usavam roupas, tinham 
barbas, sua pele era muito mais clara.
  Se ns estivssemos no lugar dos indgenas, naquela poca, certamente 
estaramos nos perguntando: Quem so esses estranhos? De onde vieram? O 
que querem? O que faro?
  So essas as questes a que procuraremos responder nos prximos captulos.

  ATIVIDADES

  Atividade I  Ficha de Leitura
  Faa a ficha de leitura do Captulo 5, baseando-se no roteiro a seguir:
  1. Diferenas entre o modo de vida dos grupos indgenas coletores- 
caadores e o dos horticultores.
  2. Atitude que os ndios geralmente tm em relao  natureza.
  3. Diferena entre aldeia e tribo indgenas.
  4. A vida numa aldeia indgena.
  5. Interpretao sobre a guerra nas sociedades indgena.
  6. O significado da antropofagia para os antigos tupinambs.

  Atividade II  Estudo de outras fontes
  Texto Complementar.
  Sabe-se hoje que a forma de explorao do meio ambiente, os modos de 
suprir as necessidades, adotados pelos grupos indgenas, eram bem mais 
equilibrados do que os que foram implantados pelos europeus com a 
colonizao. (...)
  Estudos recentes tm mostrado que certos costumes que tm sido rotulados 
de supersties, ritos mgicos, implicam atitudes muito mais racionais 
que as do civilizado. Assim, por exemplo, o escalonamento dos alimentos 
vegetais e animais, forado pelos tabus sobre o consumo fora da poca 
adequada, [proibio de consumo de certos alimentos em algumas pocas] 
permite que a natureza se refaa dos desfalques que o homem lhe inflinge. O 
caador respeito a poca de acasalamento dos animais, no d caa s fmeas 
quando estas esto com filhotes.
  H uma tendncia a se reconhecer tambm, nos estudos mais recentes, uma 
preocupao semelhante (de evitar a extino das espcies) em muitos outros 
costumes observados pelos indgenas; por exemplo, o de aproveitar apenas as 
plantas machas de determinadas espcies vegetais ou de s proceder  coleta 
de vegetais velhos, aps o perodo de inflorescncia.
  (Autor anmino. Os povos da Amrica antes da invaso europia. Grupo de 
estudos indgenas Kurumim. Boletim Mensal, nmero 18, novembro de 1983).

  1. O que esse texto pretende demonstrar a respeito dos ndios?
  2. Que exemplos o texto oferece para demonstrar essa idia?

  Sugesto de Atividade complementar:

  Atividade III  Em grupos
  Comparar as comunidades as comunidades indgenas do Brasil com a 
sociedade brasileira atual, sob os seguintes aspectos:
  a) propriedade da terra;
  b) governo;
  c) relao com a natureza;
  d) desejo de enriquecimento;
  e) diviso do trabalho.

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  ENCERRAMENTO DA UNIDADE
  Atividade em grupo
  1.Discutir os objetivos apresentados no incio da unidade, sob o ttulo: O 
que  importante aprender. Redigir um pequeno texto sobre cada um dos 
temas.
  PREPARAO PARA A PRXIMA UNIDADE.
  Esta atividade tem por objetivo o estudo das reas geogrficas que se referem 
s informaes da prxima unidade.
  Analisando o planisfrio abaixo, responder:
  1 Quais so os nomes dos continentes indicados com os nmeros 1, 2, 3, 4,.e 
5 ?
  2 Quais so os nomes dos oceanos indicados com as letras A, B, e C ?
  3 Quais so os nomes das pennsulas indicadas com as letras D, E, e F ?
  4 Um navio partiu da pennsula Ibrica e navegou pelo oceano Atlntico em 
direo ao Sul. Seu objetivo  chegar  sia. Que continente ele ter que 
contornar ?
  5 Um navio partiu da pennsula Ibrica e seu objetivo  chegar  Amrica. 
Que direo (norte, sul, leste, oeste, nordeste, sudeste, noroeste ou sudoeste) 
ele deve tomar ?
  6 Localize o mar Mediterrneo e o mar. Negro. Qual  o nome da cidade 
situada entre o mar Negro e o mar Mediterrneo ? (Consulte tambm o mapa 
da p. 45.)
  PLANISFRIO. Mapa Mundi com os continentes e Oceanos.
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  UNIDADE I I I

  QUEM ERAM E DE ONDE VIERAM
  Os brancos chegaram  terra dos ndios no final do sculo XV. Tinham 
atravessado o oceano Atlntico, vindos de Portugal um pequeno reino do 
continente europeu. Portanto, podemos deduzir que eles tinham desenvolvido 
embarcaes resistentes e que sabiam como enfrentar os perigos do oceano 
  Para entender como e por que os europeus se aventuraram numa viagem to 
longa, para chegar ao litoral do nosso pas, ser preciso recuar no tempo. 
Temos que conhecer esses povos da Europa e acompanhar sua histria at o 
momento em que se realizou o encontro entre eles e os indgenas de
Pindorama.
   o que faremos nesta unidade.
  Figura 1 Desembarque de Cabral em Porto Seguro, quadro de Oscar P. da 
Silva.
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  O QUE  IMPORTANTE APRENDER
  Durante o estudo desta unidade, procure concentrar-se nos seguintes 
objetivos:
  - Descrever a sociedade feudal.
  - Compreender o papel da Igreja Catlica nessa sociedade.
  - Explicar como a Europa comeou a mudar a partir do sculo XI.
  - Explicar o que foi a Reconquista.
  - Explicar como se formou o reino de Portugal e como nele se desenvolveu a 
atividade martima.
  - Relacionar a dinastia de Avis com o desenvolvimento das navegaes.
  - Explicar os interesses que os diferentes grupos sociais portugueses tinham 
no desenvolvimento da navegao.
  - Indicar os fatores que possibilitaram a Portugal tornar-se pioneiro nas 
viagens martimas.
  - Identificar os meios utilizados pelos portugueses para realizar as trocas 
comerciais na costa africana.
  - Relacionar a Tomada de Constantinopla pelos turcos com o plano de 
Portugal de chegar  ndia contornando a frica.
  - Relacionar a formao do reino da Espanha com a viagem de Colombo.
  - Explicar as causas e a soluo do conflito ocorrido entre Portugal e 
Espanha em razo da chegada `as terras americanas.
  - Relacionar a viagem de Cabral  ndia com a chegada ao Brasil.

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  CAPTULO 6
  A EUROPA FEUDAL
  Recordando
  Ao longo de milhes de anos, os grupos humanos, originrios da frica 
deslocaram-se e povoaram a Terra..
  Na Europa como na Amrica, na sia e na frica, desenvolveram-se, ao 
longo de milhares de anos, importantes civilizaes, com grandes cidade, 
intensa atividade artesanal e comercial.
  Uma das mais importantes dessas civilizaes teve origem na pequena cidade 
de Roma, na pennsula Itlica, no sculo VIII a. C. (Figura1.)
  Apesar da grandeza e poder do Imprio, Romano, ele entrou em decadncia 
por volta do sculo I III III depois de Cristo e acabou sendo destrudo por 
outros povos que viviam nas suas fronteiras.
  O fim do Imprio Romano marca a passagem para uma poca da histria que 
 chamada de Idade Mdia, ou perodo medieval.

  A SOCIEDADE FEUDAL
  No lugar onde antes se estendia o Imprio Romano, formaram-se vrios 
reinos. Neles, durante os sculos VI, VII, VIII E IX, formou-se um tipo de 
sociedade conhecida como feudalismo. (Figura 2.) Nela dominavam 
poderosos senhores de terras, que formavam a nobreza feudal.

  Figura 1 O IMPRIO ROMANO NO SCULO III. Mapa localizando os 
povos Germnicos.

  OS SENHORES DA TERRA E DA GUERRA
  Os nobres se tornaram proprietrios porque recebiam, do rei ou de outros 
grandes senhores, vastos territrios chamados feudos. Da a denominao 
senhores feudais.
  Viviam em castelos de pedra e passavam grande parte de sua vida 
guerreando uns contra os outros, montados a cavalo, usando pesadas 
armaduras de ferro e enormes lanas e espadas.
  Os reis tinham poucos poderes, pois os senhores feudais mandavam em seus 
prprios domnios, com plena autoridade.

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  Figura 2. Linha do Tempo dividida em sculos. Sculo V: fim do Imprio 
Romano. Sculos V ao VIII: perodo de formao da sociedade feudal. 
Sculos IX ao XIV: poca feudal. Entre os sculos X e XI: desenvolvimento 
do comrcio e das cidades.

  OS CAMPONESES
  Mas para que esses senhores, que pertenciam  classe dos nobres, pudessem 
se dedicar  guerra, era preciso que algum trabalhasse no cultivo dos campos, 
na manuteno dos castelos, e na produo de armas, tecidos e utenslios.
  Essas tarefas eram realizadas pelos camponeses, que viviam em pequenas 
aldeias prximas aos castelos e formavam a maior parte da populao da 
Europa. A maioria deles vivia na condio de servos. Isso significava que 
podiam ocupar e cultivar lotes de terras dos domnios de seus senhores, mas, 
em troca, lhes deviam obedincia e uma grande quantidade de taxas: 
entregavam boa parte do que produziam a seus senhores e ainda tinham que 
trabalhar diretamente para eles, no castelo ou nos seus campos. No podiam 
abandonar a terra que ocupavam, embora no fossem escravos. (Figura 3)

  Figura 3. Os camponeses da poca feudal, a maioria servos, realizavam todo 
o trabalho, garantindo a sobrevivncia de seus senhores nobres, que se 
ocupavam principalmente da guerra.

  QUEM TOMA CONTA DAS ALMAS ?
  A Igreja Catlica surgiu durante o Imprio Romano, e no desapareceu com 
seu fim. Pelo contrrio, tornou-se muito poderosa na sociedade feudal.
  Os bispos eram possuidores de extensos domnios feudais, recebidos como 
presente dos reis ou dos nobres. A religio, as oraes, as cerimnias faziam 
parte de todos os momentos da vida, tanto da nobreza como dos camponeses.
  A Igreja considerava crime grave qualquer discordncia em relao s sua 
regras ou crenas, e o castigo ia da excomunho at a condenao  morte 
numa fogueira. (Figura 4.)

  Figura 4. Um profundo sentimento religioso dominava a sociedade feudal. 
No portal da Igreja de Sainte-Foy (Frana) podemos ver uma representao do 
Juzo Final, trabalho que reflete o medo do homem medieval diante do 
julgamento de Deus.

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  Figura 5. Comrcio Medieval Terrestre e Martimo. Apresenta as rotas 
comerciais dos rabes e suas conquistas e as rotas das especiarias.

  MERCADORES NO MUNDO FEUDAL
  Na sociedade feudal, at o final do sculo X, o comrcio era muito reduzido. 
Muitas trocas se faziam diretamente, de um produto por outro. Por isso, havia 
poucas moedas em circulao. Tudo o que se precisava era produzido nos 
prprios domnios feudais e ali mesmo era consumido.
  Nas pequenas aldeias prximas aos castelos, alguns artesos trocavam seus 
produtos (tecidos, cermicas, armas, ferramentas de metal, arreios) pelos 
gneros alimentcios que os camponeses produziam.
  No entanto, havia no continente europeu duas regies com um comrcio 
bastante desenvolvido: eram as cidades italianas e a regio ao norte da Europa, 
conhecida como Flandres. (Ali atualmente situam-se a Holanda e a Blgica. 
(Figura 5.)
  Os mercadores italianos sempre mantiveram contatos com as civilizaes do 
Oriente, atravs do mar Mediterrneo, principalmente com a famosa cidade de 
Constantinopla, onde chegavam preciosas mercadorias vindas da ndia e at 
da China. (Figura 5) Devido a esses contatos, algumas cidades italianas, como 
Veneza e Gnova, tornaram-se importantes centros comerciais da Europa, 
ainda na poca feudal.
  J os mercadores da regio de Flandres navegavam junto  costa do 
Atlntico, chegando s cidades de Lisboa e do Porto, em Portugal. 
Transportavam peixe, pelos e tecidos e ali faziam trocas com os comerciantes 
italianos, que traziam mercadorias orientais (tapetes, sedas, armas, jias e as 
desejadas especiarias - pimenta, cravo, canela, noz-moscada, etc.).

  MUDANAS NA SOCIEDADE FEUDAL
  A partir do sculo XI, os comerciantes italianos comearam a percorrer o 
interior da Europa, vendendo as luxuosas mercadorias vindas do Oriente. 
(Figura5.) Com isso, o comrcio se intensificou rapidamente e muitos 
mercadores de vrias partes da Europa acabaram se fixando ao redor de 
castelos e junto a antigas cidades romanas, que no haviam desaparecido com 
a destruio do Imprio.

  Figura 6. As cidades medievais tinham ruas estreitas e tortuosas. Algumas 
delas conservam at hoje as caractersticas da poca, como Mont-Saint-
Michel, na Frana, da qual podemos ver, na foto, um pequeno trecho de rua.

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  Assim, no meio da sociedade feudal, quase exclusivamente agrcola, 
surgiram novas e importantes cidades. (Figura 6) Nelas habitavam os 
comerciantes, que formavam uma nova classe _ a burguesia. Os burgueses, 
que no eram proprietrios de terras como os nobres, conseguiram acumular 
grandes fortunas com seus negcios.
  Foi nessa poca que se formou o reino de Portugal, que conheceremos no 
prximo captulo.

  ATIVIDADES
  Atividade I _ Ficha de leitura
  Faa a ficha de leitura do captulo 6, baseando-se no roteiro a segui
  1 Principal atividade econmica da sociedade feudal.
  2 Caractersticas da sociedade feudal:
  a) nobreza feudal e seu modo de vida;
  b) os camponeses servos e suas obrigaes;
  c).o poder da Igreja Catlica.
  3 Regies da Europa em que se desenvolvia o comrcio.
  4 Relao entre o desenvolvimento do comrcio e o crescimento das cidades 
no interior da Europa feudal.
  Atividade II _ Estudo de outras fontes

  Documento
  1 Observe as gravuras abaixo e indique qual das frases seguintes se relaciona 
com cada uma delas.

  Figura 1. Servos.
  Figura 2. O clero.
  Figura 3. Famlia burguesa.
  Figura 4 Nobreza feudal.
  a) Viviam em castelos fortificados e possuam extensos domnios territoriais.
  b) Trabalhavam arduamente, cultivando os campos, consertando pontes e 
caminhos.
  c) Ditavam as regras de comportamento da vida cotidiana, controlando e 
fiscalizando os atos e at o pensamento de todos.
  d) O objetivo mais importante de sua vida era a guerra.
  d) Viviam nas cidades e acumulavam fortunas, comprando e vendendo 
mercadorias.
  Sugesto de atividade complementar
  Atividade I
  Indique a que classe da sociedade feudal se refere cada uma das frases do 
exerccio anterior.

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  CAPITULO 7
  OS REINOS IBRICOS
  Recordando; Nos sculos XI e XII, na Europa, surgiram e cresceram novas 
cidades, formou-se a classe social burguesa, dedicada ao comrcio e que 
acumulou grandes fortunas com seus negcios.
  Observando o mapa da Europa, podemos identificar, na sua parte mais 
ocidental, a pennsula Ibrica. Atualmente a existem dois pases: Portugal e 
Espanha (Figura1).
  No sculo IV um dos grupos que invadiram o Imprio Romano se fixou na 
pennsula Ibrica, convertendo-se ao cristianismo.
  No sculo VIII, os muulmanos, na sua expanso guerreira, atravessaram o 
estreito de  Gilbratar e invadiram a pennsula Ibrica. (Veja o mapa da p.20.) 
Nessa regio eles ficaram mais conhecidos como mouros.

  Na pennsula Ibrica, os muulmanos venceram os cristos, obrigando-os a 
recuar para o norte. Ali se formou o pequeno reino cristo das Astrias, que no 
sculo XI iniciou a luta para expulsar os muulmanos da pennsula, surgiam 
novos pequenos reinos, dos quais os mais importantes foram Castela e 
Arago. Essa luta, conhecida como Reconquista, durou at o final do sculo 
XV (Figs. 2 e 3).

  Figura 1  Mapa poltico da Europa atual.
  Figura 2  Detalhe de um baixo-relevo esculpido em madeira, na catedral 
Toledo (Espanha), representando uma batalha entre cristos e muulmanos na 
Reconquista.

  Figura 3  Reconquista
  Nobres feudais de outras regies da Europa tambm participaram da luta 
contra os muulmanos. Assim, Henrique de Borgonha, um nobre francs, 
recebeu do rei de Leo um feudo chamado Condado Portucalense, como 
recompensa pela auxlio prestado (Figura3B)

  O reino de Portugal
  Aps a morte de Henrique de Borgonha, seu filho, Afonso Henriques, lutou 
contra o reino de Leo e, em 1139, conseguiu a independncia do condado. 
Assim surgiu o reino de Portugal.
  Os primeiros reis de Portugal pertenciam  dinastia de Borgonha, isto ,  
famlia de Henrique de Borgonha. O principal objetivo desses reis foi 
continuar a luta contra os mouros, ampliando o territrio do reino em direo 
ao sul (Figura 3C)
  As terras tomadas aos muulmanos na guerra eram doadas aos guerreiros, 
formando-se propriedades feudais, onde camponeses servos cultivavam 
oliveiras, uvas, ceada, trigo.
  Mas ao litoral do pequeno reino se praticava tambm a pesca. Ali se 
desenvolveram duas cidades porturias: Lisboa e Porto. (Figura 3D) Como 
vimos no captulo anterior, essas cidades eram ponto de parada de navios 
italianos que vinham do Mediterrneo carregados de mercadorias e ali se 
encontravam com mercadores vindos da regio de flandres.( Pea orientao 
ao seu professor sobre o  mapa da p.38.)

  CASTELA AMEAA PORTUGAL
No final do sculo XIV, em 1383, o reino de Portugal ficou ameaado de 
passar para o domnio de Castela: a dinastia de Borgonha se extinguira, isto , 
o ltimo rei morrera sem deixar herdeiros homens.   Sua filha era casada com 
o rei de Castela, que se julgou no direito de governar tambm Portugal.
  Os nobres portugueses (proprietrios de terras) no tinham nenhum interesse 
especial em defender a independncia do reino, pois nada se alteraria para 
eles. Mas a burguesia mercantil gostaria de ter um governante que apoiasse 
suas atividades comerciais. Esse no era o caso do rei de Castela, que estava 
muito ocupado com a guerra contra os mouros.

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  Por isso com a ajuda das camadas populares das cidades, a burguesia 
portuguesa lutou contra Castela e conseguiu garantir a subida ao trono de 
D.Joo I, conhecido como mestre de Avis, que iniciou a nova dinastia de Avis. 
Com ele a monarquia passou a se interessar diretamente pelo desenvolvimento 
do comrcio portugus.

  ATIVIDADES
  Atividade I  Ficha de leitura.
  Faa a ficha de leitura do captulo 7, baseando-se no roteiro a seguir.

  1) Conseqncia da invaso muulmana do sculo VIII para os cristos que 
habitavam a pennsula Ibrica.
  2) Relao entre a Reconquista e a formao de Portugal.
  3) Principais mercadorias produzidas em Portugal.
  4) Relao entre a posio geogrfica de Portugal e o desenvolvimento das 
cidades porturias e do comrcio portugus.
  5) Interesse da burguesia portuguesa em impedir que seu pas fosse 
dominado por Castela.
  6) O incio da dinastia de Avis e sua principal caracterstica.

  ATIVIDADE II  Estudo de outras fontes.

  Texto complementar.
  Existiu (...), desde as origens do reino de Portugal, uma navegao costeira e 
comercial que ativava portos martimos, como Lisboa e Porto e portos fluviais 
de acesso ao interior, como Coimbra e Santarm. Nestas e noutras cidades 
desenvolveu-se uma atividade mercantil que j relacionava (Portugal) com 
outros pases da Europa, e a burguesia comercial correspondente, da qual 
convm distinguir a burguesia judaica, que se dedicava predominantemente ao 
comrcio do dinheiro e desempenhava um papel ativo na administrao 
financeira da casa real e das grandes casas senhoriais. As produes mais 
caractersticas da economia portuguesa (azeite, vinho, mel, sal, peixe salgado, 
couros) propiciavam um comrcio de exportao que trazia de retorno, entre 
outros produtos, cereais e txteis.
  (Saraiva, Antonio Jos. Histria da literatura portuguesa. Porto: s/d. p. 34.)

  1) Em que locais o comrcio e a burguesia portuguesa se devolveram?
  2) O que o autor menciona a respeito da burguesia judaica em Portugal? O 
que isso significa?
  3) Que produtos Portugal importava e que produtos exportava?

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  Captulo 8

  POR MARES NUNCA DANTES NAVEGADOS
  Recordando: Desde o incio da dinastia de Avis, no final do sculo XIV, a 
Coroa portuguesa passou a estar ligada aos interesses do comrcio e da 
burguesia

  O ttulo deste captulo  um verso do poeta portugus Lus de Cames, que 
escreveu a famosa obra Os lusadas, narrativa da viagem de Vasco da Gama s 
ndias.
  As viagens martimas portuguesas se iniciaram ainda sob o reinado de 
D.Joo I, quando se organizou  , em 141, uma expedio militar para a 
conquista da cidade de Ceuta, no litoral africano, junto ao estreito de 
Gilbratar. (Figura 1, na pgina seguinte.) essa cidade era um centro importante 
do comrcio muulmano, e para l se dirigiam as caravanas de mercadores 
rabes que vindos de vrios pontos do territrio africano, traziam marfim, 
ouro e escravos. (Veja p. 21.)

  Velas ao mar
  Desse empreendimento militar participaram os trs filhos do rei D.Joo I. 
Entre eles estava o infante D.Henrique. (Chamavam-se infantes os prncipes 
que no seriam herdeiros do trono, pois a Coroa se destinava sempre ao filho 
mais velho do rei).D. Henrique teria um importante papel nas viagens 
martima portuguesas. (Boxe )
  Os portugueses desenvolveram importantes inovaes nas tcnicas de 
navegao, como, por exemplo, a construo de uma embarcao tpica de 
Portugal, a caravela, e o aperfeioamento de instrumentos de navegao, como 
a bssola e o astrolbio. (Figura 2.) Assim foi dado o impulso inicial para as 
conquistas martimas.
  No decorrer do sculo XV, Portugal se tornou o primeiro pas da Europa a se 
lanar  conquista de terras distantes, aventurando-se atravs do mar Oceano, 
como era chamado o Atlntico.
  Na poca, esse era um grande desafiam pois os europeus nunca tinham 
navegado em alto mar, onde imaginavam existir perigosos abismos, guas 
ferventes, monstros e mistrios.

  A
  Durante muito tempo os historiadores atriburam ao infante D.Henrique a 
fundao de um centro de estudos nuticos no promontrio de Sagres, em 
meados do sculo XV, conhecido como Escola de Sagres. Afirmava-se que ali 
se reuniam matemticos, cartgrafos, astrnomos e navegadores que 
orientavam as expedies martimas portuguesas.

  Figura 1 Conquistas martimas portuguesas.
  Figura 2  A partir do sculo XV as caravelas comearam a explorar o 
oceano Atlntico, chegando a alcanar terras distantes, em outros continentes.
  Alm dos obstculos imaginrios, havia as dificuldades reais a serem 
vencidas: tempestades, calmarias, correntes martimas. Quando a viagem se 
prolongava alm do previsto, faltava gua potvel e mantimentos. Sem contar 
o terrvel escorbuto, doena resultante da falta de vitamina C que ataca as 
gengivas e chega a matar.

  Por que Portugal?
  Como o pequeno reino portugus conseguiu vencer todos esses desafios e 
domar o oceano? A posio geogrfica de Portugal, junto ao Atlntico, 
certamente contribuiu para desenvolver as navegaes. Muito antes de iniciar 
as expedies de conquista martima, os portugueses j tinham grande 
experincia na atividade pesqueira.
  Mas o que impulsionou Portugal  conquista martima foi a existncia de 
uma burguesia mercantil, que desejava ampliar seus negcios, e a presena de 
uma dinastia real (desde o governo de /D.Joo I), que apoiava o 
desenvolvimento do comrcio. Somente a Coroa, isto , o governo real, 
possua os vultosos recursos financeiros necessrios  organizao das 
expedies martimas.
  Vrios grupos da sociedade portuguesa, alm da burguesia, tambm tinham 
interesse nas conquistas: a nobreza, porque cobiava as terras a serem 
conquistadas; e a Igreja Catlica, porque desejava converter ao cristianismo os 
povos de outros continentes.
  Cada vez mais longe
Depois da tomada de Ceuta (1415), os navegadores portugueses comearam a 
explorar o Atlntico e o litoral do continentes africano. Em 1420 ocuparam a 
ilha da Madeira e em 1427 atingiram o arquiplago dos Aores. (Figura 1.) 
  Nessas ilhas no encontraram nenhum produto de valor comercial. Mas, para 
tirar proveito da ocupao de suas terras, para l enviaram colonos 
portugueses, que iniciaram plantaes de cana-de-acar.
  O trabalho nas plantaes aucareiros era feito por escravos negros, vindos 
de diferentes pontos do litoral africano, que os portugueses iam pouco a pouco 
conquistando. (Figura 1.)
  Onde chegavam, os portugueses construam feitorias (Figura3), isto , 
fortalezas que serviam para a defesa de seu domnio e funcionavam tambm 
como armazns, onde se guardavam as mercadorias obtidas: ouro, marfim, 
peles, madeiras e pimenta-malagueta. Dali, essas mercadorias eram 
embarcadas para Portugal. O comrcio ia aumentando, junto com os lucros 
dos audaciosos navegantes.

  Figura 3  Fortaleza construda em So Jorge da Mina, na frica, nos fins do 
sculo XV.

  Rumo `ndia
  No sculo XV, uma das mercadorias mais valiosas eram as especiarias 
(cravo, canela, noz-moscada, etc.), muito apreciadas na Europa para temperar 
e conservar os alimentos.
  Mas, para chegar  Europa, esses produtos percorriam um longo caminho: 
mercadores rabes controlavam as rotas das especiarias desde a ndia at a 
cidade de Constantinopla. Ali, comerciantes italianos chegavam para compr-
las e depois revend-las na Europa, com grande lucro. (Figura4.)

  Figura 4  O comrcio entre a Europa e o Oriente no Sculo XV
  Mapa discriminando o Imprio Muulmano e a rota muulmana.

  -- Pgina 46

  Em 1453, os turcos otomanos (um povo originrio da sia) conquistaram a 
cidade de Constantinopla e passaram a cobrar pesados impostos dos 
mercadores italianos. Com isso as especiarias ficaram ainda mais caras.
  Por isso, a partir da tomada de Constantinopla pelos turcos, os portugueses 
comearam a fazer planos para chegar  ndia, contornando o continente 
africano. (Figura 1) O que eles pretendiam era controlar o comrcio indiano, 
de onde saam as valiosas especiarias. Com isso, poderiam ficar com todos os 
lucros desse comrcio, tirando do negcio os rabes, os turcos e os italianos.
  Com esse plano, os portugueses procuraram avanar cada vez mais em 
direo ao sul do continente africano, agora em busca da passagem entre o 
oceano Atlntico e o ndico.(Figura 1)

  Rumo  Amrica
  Na ltima dcada do sculo XV, os espanhis tambm iniciaram suas 
viagens martimas, como o mesmo objetivo de chegar  ndia. Mas os 
portugueses tinham comeado suas conquistas muito antes, em 1415, com a 
tomada de Ceuta. Por que s agora a Espanha resolvia iniciar as conquistas 
martimas?
  Em primeiro lugar, porque at 1469 a Espanha ainda no existia. Como j 
vimos, durante a reconquista formaram-se na pennsula Ibrica pequenos 
reinos cristos que, durante sculos, lutaram para expulsar os mouros. Os mais 
importantes desses reinos eram Castela e Arago. (Veja mapas da p. 41)
  Em 1469, Isabel, filha do rei de Castela, casou-se com o rei Fernando de 
Arago. Com esse casamento, os dois reinos se uniram e formaram a Espanha. 
O principal objetivo de Fernando e Isabel era continuar a luta contra os 
mouros, que ainda dominavam o sul da pennsula.
  A guerra de reconquista terminou finalmente em 1492, com a expulso 
definitiva dos mouros. Nesse mesmo ano, um navegante da cidade de Gnova, 
chamado Cristvo Colombo, apresentou  rainha Isabel um plano para chegar 
ao Oriente.
  Colombo sabia que a Terra  redonda e tinha certeza de que , se navegasse 
em direo ao Ocidente, chegaria inevitavelmente ao Oriente. Apesar das 
dvidas que ainda existiam sobre a esfericidade da terra, Isabel resolveu 
aprovar a proposta do navegante genovs.
  Assim, Colombo recebeu recursos e navios fornecidos por Isabel para 
realizar a viagem. Partiu em agosto de 1492, abrindo caminho atravs do 
Atlntico. (Figura 5.)

  Figura 5  As viagens de Colombo (pea orientao ao seu professor sobre o 
mapa).

  Figura 6  O desembarque de Colombo, quadro do pintor Theodor de Bry. 
Nessa obra fica claro o contraste entre o modo de vida dos habitantes da 
Amrica e o dos conquistadores europeus.

  O que Colombo no sabia  que, entre a Europa e a sia, depararia com uma 
grande massa de terra: o continente americano. Assim, em vez de chegar ao 
Oriente, como pretendia, aportou nas ilhas Bahamas, na Amrica Central, em 
outubro de 1492. (Figura 6) Acreditava que estava chegando s ndias e por 
isso chamou os habitantes da terra de ndios.
  Somente depois de outras viagens para o local onde aportou Colombo, os 
europeus perceberam que se tratava de um continente, que recebeu o nome de 
Amrica, em homenagem a um famoso navegar italiano  Amrico Vespcio.

  Quem fica com a Amrica?
  A chegada a essas terras distantes da  Europa e, at ento, desconhecidas dos 
europeus logo provocou um conflito entre Espanha e Portugal. Os portugueses 
, que j exploravam o Atlntico havia quase um sculo, julgavam Ter direitos 
sobre as terras situadas a ocidente da Europa. A Espanha dizia o mesmo, pois 
Colombo havia tomado posse dos territrios onde aportou, em nome da rainha 
Isabel.
  Com o objetivo de solucionar o conflito, os dois pases apelaram para a 
autoridade do papa. Este props que todas as terras situadas a ocidente da 
Europa, j conhecidas ou que viessem a ser encontradas, fossem divididas 
entre Portugal e Espanha. Depois de muito desacordo, estabeleceu-se que o 
marco divisrio seria uma linha imaginria (um meridiano) situada a 370 
lguas a oeste das ilhas de Cabo Verde. As terras que estivesse a oeste dessa 
linha seriam da Espanha e as que estivesse situadas a leste dela pertenceria a 
Portugal. O acordo foi oficializado pelo tratado de Tordesilhas (assinado na 
cidade espanhola de Tordesilhas) em 1494. (Figura 7.)

  Figura 7    Mapa sobre o Tratado de Tordesilhas

Dizimando a populao indgena, os espanhis fundaram vrias colnias nos 
seus domnios americanos, e foram favorecidos pelas imensas riquezas 
minerais (ouro e prata) neles encontradas.
  Outros reis europeus reagiram contra o Tratado de Tordesilhas, 
inconformados com a pretenso de Portugal e Espanha de dividir o mundo 
entre si. No  entanto, foram obrigados a aceitar o acordo, pois ainda no 
tinham condies para disputar os cobiados territrios da frica, sia e 
Amrica.

  Finalmente, a ndia
  Com o Tratado de Tordesilhas, os portugueses garantiram suas futuras 
conquistas no Atlntico. Mas nem por isso desistiram de alcanar a ndia, 
seguindo o plano de contornar a frica. O maior obstculo foi vencido em 
1488, quando uma expedio por Bartolomeu Dias, enfrentando um grande 
temporal, ultrapassou o cabo que fica no extremo sul da frica. O navegador 
resolveu cham-lo de Cabo das Tormentas, mas o rei de Portugal, ao receber a 
notcia, deu-lhe o nome de Cabo da Boa Esperana, pois finalmente os 
portugueses haviam encontrado o caminho para chegar  ndia. 
(Veja Figura 1, P.44.)

  Depois disso, eles realizaram mais algumas viagens para explorar pontos do 
litoral lesta da frica, e em 1498 atingiram a ndia, com uma expedio 
comandada por Vasco da Gama. (Veja Figura 1,p.44.)

  -- Pgina 48

  A disputa com os rabes na ndia.
  A chegada dos portugueses  ndia no significava o domnio imediato da 
regio. Fazia muito tempo que os indianos mantinham o comrcio com 
mercadores rabes e no desejavam prejudicar suas relaes com eles. Por 
isso, os primeiros contatos entre portugueses e indianos no foram muito 
amistosos. Mesmo assim, as caravelas portuguesas voltaram para Europa 
abarrotadas de especiarias. Os lucros foram fabulosos.
  Para impor o domnio comercial na ndia e garantir a continuidade desse 
lucrativo comrcio. Portugal teria que enviar outras expedies ao Oriente.
  Com esse objetivo, comeou a ser preparada uma grande frota, comandada 
por Pedro lvares Cabral e composta por treze embarcaes e 1500 homens. 
A misso de Cabral era fundar feitorias e bases militares e impor aos indianos 
o comrcio permanente com Portugal.

  Nas terras de Pindorama
  Entretanto, durante a viagem, a esquadra se afastou do continente africano e 
atravessou o oceano Atlntico. No dia 22 de abril de 1500 chegou s terras da 
Amrica habitadas pelos ndios tupis.
  Ali os portugueses permaneceram por alguns dias, tentando avaliar que 
vantagens poderiam ser tiradas dessas terras, e no dia 2 de maio Cabral, e toda 
a esquadra, seguiu viagem em direo  ndia.
  Na verdade, a no pela vaga esperana de encontrar ouro e prata, os 
portugueses no demonstraram grande interesse pela terra que tinham 
encontrado. Ao contrrio dos indianos e africanos, que ofereciam ao comrcio 
portugus valiosas mercadorias, os indgenas de Pindorama no se 
preocupavam em produzir nada para vender.
  Agora j sabemos quem eram os estrangeiros que chegaram na terra de 
Pindorama. Sabemos de onde vinham. E voc j deve ter uma idia do que 
desejavam. Mas ainda no sabemos o que fariam depois.
   o que vamos descobrir nos prximos captulos.

  ATIVIDADES
  Atividade I - Ficha de leitura
  Faa a ficha de leitura do captulo 8, baseando-se no roteiro a seguir:
  a) burguesia;
  b) nobreza
  c) igreja catlica

  2) Razes que explicam por que Portugal foi o primeiro reino europeu a 
empreender as viagens atlnticas.
  3) Mercadorias exploradas por Portugal no litoral africano.
  4) As funes das feitorias.
  5) relao entre a tomada de Constantinopla pelos turcos em 1453 e o plano 
portugus de chegar  ndia.
  6) Objetivo e resultado da viagem de Cristovo Colombo.
  7) Conflito entre Portugal e Espanha em conseqncia da chegada de 
Colombo  Amrica. Soluo do conflito.
  8) Significado do Tratado de Tordesilhas para a Espanha.
  9) Significado da viagem de Bartolomeu Dias para Portugal.
  10) Importncia da viagem de Vasco da Gama para Portugal.
  11) Objetivos da viagem de Cabral s ndias.

  Atividade II - Estudo de outras fontes.
  DOCUMENTO
  Trechos da carta do escrivo da esquadra de Cabral, Pero Vaz Caminha, ao 
rei de Portugal, falando sobre os habitantes da terra aportada.
  A feio deles  serem pardos, um tanto avermelhados, de bons rostos e bons 
narizes, bem feitos. Andam nus, sem cobertura alguma. Nem fazem mais caso 
de encobrir ou deixar de encobrir suas vergonhas do que de mostrar a cara. 
Acerca disso so de grande inocncia.
  (...) um deles (um dos ndios que foram levados at a embarcao) fitou o 
colar do Capito, e comeou a fazer acenos com a mo em direo  terra, e 
depois para o colar, como se quisesse dizer-nos que havia ouro na terra. E 
tambm olhou para um castial de prata e assim mesmo acenava para a terra e 
novamente para o castial, como se l tambm houvesse prata!
  (Apub Fenelon, Dea. 50 textos de Histria do Brasil. So Paulo: Hucitec, 
1974.p. 22-3.)

  1) Que costume indgena causou espanto aos portugueses?
  2) Que trechos da carta indicam a esperana dos portugueses de encontrar 
metais preciosos na terra em que aportaram?

  --Pgina 49

  ENCERRAMENTO DA UNIDADE

  ATIVIDADE I - Em grupos
  Discutir os objetivos apresentados no incio da unidade, sob o ttulo: "O que 
 importante aprender".

  Atividade II
  Montar uma linha do tempo abrangendo os sculos XII, XIII, XIV, XV e 
XVI. Registrar nessa linha todos os fatos relatados na UNIDADE III, relativos 
a Portugal e s viagens martimas.
  Observao: Sugere-se que a linha tenha 20 cm de comprimento, sendo 4 cm 
para cada sculo.

  PREPARAO PARA A PRXIMA UNIDADE

  Atividade em grupos
  No mapa ao lado (pea orientao ao seu professor), o Brasil atual, dividido 
em Estados. Observe e responda.
  1) Comeando por Pernambuco, em direo ao sul, observe o Estados 
litorneos e suas capitais.
  2) Localize no atlas da cidades de Olinda, Porto Seguro, Ilhus, Santos e So 
Vicente. A que Estado pertence cada uma dessas cidades?
  3) Localize a cidade de So Paulo e a cidade de So Vicente. Consulte, no 
atlas, o mapa do Brasil fsico e responda: Qual  a serra que se encontra entre 
essas duas cidades?
  4) Localize no atlas o Estado do Rio de Janeiro. Qual  o nome da baa que 
se encontra nesse Estado?

  Figura - Mapa do Brasil limite com pases vizinhos.

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  UNIDADE IV
  OS BRANCOS CHEGARAM

  Como vimos no captulo anterior, os portugueses foram pioneiros na 
navegao do Atlntico. Nas viagens que fizeram no decorrer do sculo XV, 
avanaram cada vez mais em direo ao sul da frica, contornando o 
continente e atingindo sua costa oriental. Em seguida, chegara  ndia e  
China. Alm disso, atravessaram o oceano e alcanaram a Amrica em 1500.
  Onde chegavam, os portugueses, como tambm os europeus de outros pases, 
procuravam se apoderar das riquezas que encontrassem. Transportavam essas 
mercadorias para a Europa, onde as vendiam com altssimos lucros. Alm dos 
mercadores, tambm os reis ganhavam com isso, pois ficavam com uma parte 
dos lucros desse comrcio.
  Na Amrica, Portugal se apossou de um extenso territrio, ao foi dado o 
nome de Brasil.
  Para os indgenas que habitavam essas terras, a chegada de um povo 
estrangeiro aparentemente no traria prejuzos. O que os portugueses 
quiseram, no comeo, foi apenas levar toras de uma madeira que os ndios 
chamavam ibirapitanga e que os brancos conheciam como pau-brasil. 
plantaes. E, conforme iam chegando, construam casas, armazns,
  Mas depois de algum tempo comeou a chegar um nmero cada vez maior 
de estrangeiros, que se apossavam das terras dos indgenas para fazer 
formavam povoados, organizavam uma fora militar.
  Para defender suas terras, os ndios tiveram que enfrentar os brancos numa 
guerra desigual, em que, de um lado, se usavam arcos e flechas e, de outro, 
armas de fogo. (Figura 1.)

  Figura 1 - Chefe dos ndios coroados, numa gravura de Jean Baptiste Debret 
(sculo XIX).

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  O QUE  IMPORTANTE APRENDER
  - Durante o estudo desta unidade, procure concentrar-se nos seguintes 
objetivos:
  - Compreender qual era o interesse de Portugal nas terras do Brasil e da 
ndia.
  - Explicar por que a Coroa portuguesa no iniciou a colonizao nos 
primeiros trinta anos aps a chegada ao Brasil e por que resolveu colonizar a 
terra brasileira aps esse perodo.
  - Descrever as relaes que se estabeleceram entre indgenas e portugueses 
para a explorao do pau-brasil.
  - Explicar por que o sistema de capitanias hereditrias no atendeu 
completamente aos objetivos da Coroa.
  - Compare a atitude da Coroa, dois jesutas e dos colonos em relao aos 
ndios.
  - Explicar por que nas regies de cultivo de cana-de-acar os escravos 
indgenas foram substitudos por escravos africanos e por que em outras 
regies continuou a escravizao dos ndios.

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  Captulo 9
  O que os portugueses queriam ?

  Recordando
  Quando chegaram pela primeira vez ao Brasil com a esquadra de Pedro 
lvares Cabral, os navegantes portugueses descobriram que as comunidades 
indgenas apenas produziam para sua sobrevivncia, no possuindo 
mercadorias de interesse para o comrcio portugus.

  Nos primeiros trinta anos aps a chegada de Cabral, as atenes de Portugal 
continuaram voltadas para o Oriente.
  Esses primeiros anos (de 1500 a 1530) so conhecidos como perodo Pr-
Colonial, isto, , anterior  colonizao. Durante esse tempo, o rei de Portugal, 
D. Manuel, enviou s terras do Brasil duas expedies (uma em 1501 e outra 
em 1503), com o objetivo de verificar  se nelas havia ou no alguma riqueza 
que pudesse ser explorada.
  Pau-brasil: a primeira explorao
  Nas matas que se estendiam ao longo do litoral, havia uma rvore semelhante 
quela que existia no Oriente, chamada de brasil, devido a sua cor 
avermelhada como brasa. De sua madeira extraa-se um corante que os 
europeus usavam para tingir tecidos. Essa rvore interessou aos portugueses, e 
foi ela, afinal, que deu nome  terra: Brasil.
  O rei de Portugal decidiu que a madeira pertencia exclusivamente  Coroa  e 
que s o governo tinha o direito de explor-la. Mas para extrair e transportar o 
pau-brasil, era necessrio investir recursos. Naquele momento, o comrcio 
com o Oriente era muito mais importante e lucrativo e por isso, o rei preferiu 
conceder autorizao para a explorao do pau-brasil a alguns comerciantes 
portugueses.
  Em troca desse privilgio, os negociantes tinham que pagar uma quantia fixa 
 Coroa, construir feitorias e defender o litoral contra a presena de navios
De outros pases europeus.

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  Desse modo, entre 1500 e 1530, os ndios que habitavam a costa brasileira se 
habituaram a ver chegar, cada vez com mais freqncia, embarcaes 
tripuladas por portugueses, e marinheiros de outros pases, que vinham em 
busca do pau-brasil.
  Os indgenas concordaram em cortar as rvores e transportar os pesados 
troncos at as feitorias construdas junto  praia,em troca de bugigangas 
(espelhos, miangas), armas(facas) e ferramentas(machados).
  A madeira cortada ficava armazenada nas feitorias, aguardando a chegada 
dos navios que a transportavam para a Europa. Mas, alm de servir como 
armazns, as feitorias portuguesas tinham o papel de marcar a presena de 
Portugal ao longo da costa brasileira, na tentativa de afastar navios de outros 
pases.
  Com o pau-brasil comeou a explorao do trabalho indgena pelos europeus 
(portugueses e franceses). Para os ndios, no havia diferena entre uns e 
outros; por outros ; por isso, algumas tribos negociavam com os portugueses e 
outras com os franceses. O resultado foi que os ndios acabaram entrando nas 
lutas que franceses e portugueses travaram pelo domnio do Brasil.
  Percebendo que poderia perder o domnio sobre o Brasil, o rei de Portugal 
decidiu enviar algumas expedies, chamadas guarda-costas, com o objetivo 
de atacar os navios franceses. (Boxe A) 
  Comea a conquista
  Como vimos, nos primeiros trinta anos aps a chegada de Cabral, o rei de 
Portugal no se interessou em conquistar a terra do Brasil, porque o comrcio 
com o Oriente era muito mais lucrativo.
  Mas em 1.530 os lucros daquele comrcio j no eram to vantajosos, pois 
Portugal gastava grande parte deles para impedir que outros pases da Europa 
tomassem as reas que controlavam e para manter o domnio sobre os povos 
submetidos.
  Tambm na Amrica os portugueses se defrontavam com os concorrentes, 
principalmente franceses, que no aceitavam a pretenso de Portugal de ser 
dono exclusivo do Brasil. Eles diziam que Portugal s teria direito quelas 
terras se conseguisse povo-las, isto , coloniz-las. 
  Figura 2  Neste mapa, provavelmente desenhado por volta de 1519, em 
pergaminho, vemos indgenas j ocupados na explorao do pau-brasil.(Pea 
explicaes para o seu professor)
  A  Uma das expedies enviadas pela Coroa portuguesa era comandada por 
Cristvo Jacques. Ele encontrou, na altura da Bahia, trs navios franceses e 
conseguiu venc-los, aps um dia de combate. A carga de pau-brasil foi 
aprendida e muitos tripulantes se refugiaram junto aos ndios. Trezentos 
franceses foram presos e mortos com grande crueldade.

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  Todos os esforos da Coroa para impedir a chegada de navios franceses 
foram inteis. A nica forma de manter o controle sobre o territrio brasileiro 
seria mesmo coloniz-lo.
  O rei de Portugal sabias que, se o territrio fosse povoado por colonos 
portugueses, estes defenderiam suas propriedades, o que garantiria a posse do 
territrio para Portugal. Alm disso, a explorao da terra poderia contribuir 
para aumentar os tesouros reais e compensar os gastos cada vez maiores com a 
defesa dos domnios orientais.
  A primeira medida tomada pela Coroa para iniciar a colonizao foi enviar 
uma expedio comandada por Martim Afonso de Sousa. Sua principal misso 
era avaliar os recursos da terra e fundar os primeiros povoados.
  Martim Afonso navegou ao longo da costa, de norte a sul, aportando no 
litoral do atual Estado de So Paulo, onde fundou So Vicente (1432), a 
primeira vila portuguesa no territrio do Brasil. Comeava a colonizao do 
Brasil, que se prolongou por mais de trs sculos. (Figura 3.)
  Pea para o seu professor descrever o quadro do Pintor Benedito Calixto 
(1835-1927) reconstituindo a chegada de Martim Afonso de Sousa a um porto 
de sua capitania, conhecido como Piaagera.
  Cana de acar: um bom negcio
  O comeo do povoamento em So Vicente no foi suficiente para afastar os 
franceses do litoral brasileiro. Para isso seria preciso criar povoados em vrios 
pontos do litoral . Mas, os portugueses s morariam numa terra distante, 
desconhecida, se nela houvesse a possibilidade de enriquecer.
  Seria necessrio, ento, iniciar uma atividade que fosse lucrativa para os 
colonos. Era o caso da plantao de cana e da produo do acar, uma 
mercadoria rara e de alto preo na Europa. Enquanto no se achassem os 
cobiados metais preciosos, essa seria uma boa alternativa para aproveitar a 
terra.
  Dividir  a soluo

  Mas a colonizao no era um empreendimento simples, pois a grande 
extenso do litoral brasileiro exigia um enorme esforo de defesa.
  O rei resolveu ento, em 1534, dividir o territrio do Brasil em quinze faixas 
paralelas ao equador e entregar cada uma delas a um administrador,

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um capito donatrio. Doze capites donatrios receberam capitanias, que, 
aps sua morte, passariam para seus filhos. Por isso, eram chamadas 
capitanias hereditrias.
  Apesar da presena de outros funcionrios reias, o capito donatrio tinha 
amplos poderes em sua capitania: podia fundar vilas, nomear auxiliares, 
cobrar impostos dos colonos, fazer julgamentos, conceder licena para a 
montagem de engenhos.
  O rei tambm permitia que eltrons vendesse 24 ndios por ano em Portugal. 
Isso demonstra que os portugueses se achavam no direito de escravizar os 
ndios. E, finalmente, o donatrio ficava com uma parte dos rendimentos 
obtidos com a explorao da capitania.
  Alm disso, ele se tornava proprietria de uma faixa de terra de 10 lguas de 
extenso. O restante das terras da capitania podia ser distribudo, em lotes 
chamados sesmarias, a pessoas que tivessem recursos para cultiv-las com 
cana-de-acar. Em troca, o colono proprietrio da sesmaria, tinha apenas a 
obrigao de pagar 10 por cento (o dzimo) da sua produoao capito 
donatrio.
  Por outro lado, o capito donatrio tambm tinha uma poro de 
obrigaes.Devia adminitrar a capitania, promover seu povoamento e 
desenvolver a explorao lucrativa das terras; e ainda defender a capitania 
contra as tentativas de ocupao por outros pases.
  Entretanto, uma das tarefas mais difceis dos capites donatrios era a prpria 
conquista da terra, que afinal, j tinha dono: os ndios. Para os colonos se 
fixarem nas propriedades recebidas, os ndios tinham que ser expulsos. Mas 
eles defenderam suas terras, atacando vilas e plantaes.
  Esse foi um dos motivos pelos quais a maioria das capitanias no deu o 
resultado esperado pela Coroa portuguesa.

  So Vicente e Pernambuco: a conquista garantida
  Em apenas duas capitanias os donatrios atingiram os objetivos estabelecidos 
por Portugal: So Vicente e Pernambuco.
  So Vicente, doada a Martim Afonso de Sousa, foi a nica capitania que 
recebeu ajuda financeira diretamente da Coroa portuguesa. Nela se 
estabeleceram plantaes de cana-de-acar e se instalou o primeiro engenho. 
Alm disso, os colonos vicentinos conseguiram aliar-se aos ndios da regio, 
os tupinhiquins, vivendo em paz com eles durante certo tempo.
  J a capitania de Pernambuco foi onde o povoamento portugus mais 
cresceu. Seu clima e seu solo foram muito favorveis s plantaes de cana-
de-acar, que se multiplicaram rapidamente, atraindo novos colonos.
  Alm disso, a capitania de Pernambuco estava mais prxima da Europa, o 
que facilitava o comrcio e a metrpole.
  Outra razo do crescimento dessa capitania foi o fato de seu capito 
donatrio, Duarte Coelho, Ter trazido consigo uma imensa fortuna, acumulada 
no comrcio com a ndia. Esse dinheiro foi aplicado no desenvolvimento das 
atividades da capitania e na manuteno de uma milcia que conseguiu 
praticamente acabar com os ndios da regio  os tupinambs. Os que 
sobreviveram foram escravizados pelos portugueses ou refugiaram-se em 
reas mais distantes do ncleo colonial.

  Vossa Majestade perder a terra
  Nas demais capitanias, a colonizao, portuguesa, de incio, no se firmou. 
Houve capites donatrios que nem chegaram a vir para o Brasil, enquanto 
outros abandonaram suas capitanias.
  Em alguns casos, os colonos no conseguiram vencer os franceses, nem a 
resistncia dos indgenas, que atacavam e queimavam lavouras e vilas, 
tentando retomar as terras que haviam perdido.
  Numa carta enviada ao rei de Portugal (que na poca era D. Joo III) em 
1548, um colono dizia:
  Se Vossa Majestade no assistir logo essas capitanias... no s perderemos 
nossas vidas e mercadorias, como tambm perder Vossa Majestade a terra.
(Apud Marchant, Alexander. Do escambo  escravido. So Paulo: Nacional; 
Braslia: INL, 1980, p. 67.)
  O rei de Portugal no desejava perder a terra do Brasil. Principalmente 
porque em 1545 chegaram  Europa notcias de que os espanhis haviam 
encontrado as riqussimas minas de prata de Potos, no Peru. Isso renovava as 
esperanas de Portugal em encontrar metais preciosos no Brasil. Era mais um 
motivo para que o rei de Portugal buscasse um novo meio de defender sua 
colnia na Amrica.

  Um representante do rei
  Diante das dificuldades dos donatrios em consolidar a colonizao, a Coroa 
portuguesa resolveu nomear um governador-geral para a colnia. Este 
representaria diretamente o rei e teria poderes sobre todas as capitanias.
  Em 1549, Tom de Sousa, o primeiro governador-geral, chegou ao Brasil, 
acompanhado de cerca de mil pessoas: funcionrios, soldados, artesos e 
padres.

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  Ele tinha vrias tarefas a cumprir: deveria visitar e fiscalizar as capitanias; 
organizar expedies para o interior, em busca de riquezas minerais; eliminar 
as tribos indgenas que resistiam  ocupao portuguesa; garantir a defesa da 
colnia contra ataques de concorrentes europeus.
  O governo-geral se estabeleceu na capitania da Bahia, onde Tom de Sousa 
fundou a cidade de Salvador, primeira capital da colnia.
  Para auxiliar o governador-geral vieram alguns funcionrios reais: o ouvidor-
mor (ou ouvidor-geral) encarregado dos impostos que os colonos deviam 
pagar  Coroa e responsvel pela administrao do tesouro real; e o capito-
mor da costa (ou capito geral), aue devia defender o litoral.
Figura 5 - Pea para o seu professor descrever.: Em vrios pontos do litoral, 
construam-se fortalezas, de onde se vigiava a costa, tentando evitar que 
navios de outros pases atracassem no Brasil. Na foto, o forte Monte Serrate, 
na Bahia.

  As primeiras vilas
  Em todas as terras que os colonos dominavam, criavam-se fazendas e vilas. 
Estas, no incio da colonizao, localizavam-se sempre junto ao litoral, para 
facilitar o embarque e o desembarque das mercadorias.
  As vilas eram o lugar onde os habitantes das fazendas compravam os 
produtos necessrios ao abastecimento, a maioria importados da Europa. 
Tambm ali os senhores de engenho (proprietrios de grandes canaviais e 
engenhos de acar) iam vender sua produo e comprar escravos trazidos da 
frica.

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  Cada vila era a sede de um municpio. Na praa central se erguia uma coluna 
de pedra, o pelourinho, onde eram amarrados os rebeldes ou criminosos, para 
serem aoitados ou enforcados. O pelourinho servia para lembrar a todos os 
habitantes da colnia que o rei existia e queria suas ordens obedecidas.
  Figura 7  Pea para o seu professor descrever para voc. Vista da vila de 
Santos, no sculo XIX, retratada pelo pintor Benedito Calixto. Apesar de j 
terem transcorrido trs sculos de sua fundao, o pelourinho (no meio da rua) 
se mantinha como smbolo do poder da Coroa sobre a colnia.
  Alm das habitaes dos colonos, outros prdios eram construdos: a igreja, a 
casa de arrecadao dos impostos, a cadeia, os armazns e a cmara 
municipal.
  Nas cmaras municipais, compostas por um juiz, trs vereadores e um 
procurador, tomavam-se as decises que diziam respeito ao municpio: 
decretavam-se as prises, fixavam-se os preos de mercadorias e os impostos; 
organizavam-se as expedies para as matas, em busca de metais e pedras 
preciosas; recrutavam-se homens para reprimir rebelies de escravos ou para 
escravizar ndios.
  Todos os membros das cmaras municipais eram escolhidos por meio de 
eleio, mas s podiam votar e candidatar-se aqueles que pertencesse,
 categoria dos homens bons. Esse ttulo era inicialmente privilgio da 
nobreza de Portugal. Mas, com o tempo, os proprietrios de terra da colnia 
tambm passaram a fazer parte dessa camada privilegiada e, assim,
conseguiram dominar as cmaras municipais.
  Com freqncia, os membros das cmaras municipais entravam em conflito 
com outras autoridades, os funcionrios reais. Mas geralmente esses 
confrontos foram tolerados pelos governadores. Afinal, os ricos proprietrios 
de terra contribuam para que a colonizao atingisse os principais objetivos: 
ocupar a terra e defender a colnia, procurar metais preciosos e produzir 
mercadorias para que os comerciantes e a Coroa tivessem bons lucros.

  Atividades
  Atividade I  Ficha de leitura
  Faa a ficha de leitura do captulo 9, baseando-se no roteiro a seguir:
  1. Razes do desinteresse de Portugal em colonizar o Brasil logo aps a 
chegada de Cabral.
  2. A explorao do pau-brasil e as relaes entre ndios e brancos durante o 
perodo pr-colonial.
  3. Razes que impediram que o sistema de capitanias atingisse os objetivos 
da Coroa.
  4. Razes que possibilitaram que a colonizao se firmasse nas capitanias de 
So Vicente e Pernambuco.
  5. Medidas tomadas pela Coroa, em 1549, para aumentar o controle sobre a 
colnia.
  6. Principais autoridades portuguesas, a partir de 1549:
  a) na colnia;
  b) nas capitanias.
  7. O poder dos homens bons diante da autoridade dos funcionrios reais.
  Atividades II  Estudo de outras fontes 
  Documentos
  A) Trecho do documento que os capites donatrios recebiam do rei de 
Portugal, quando lhe era doada a capitania.
  Atendendo eltrons-rei que muitos vassalos, por delitos que cometem andam 
foragidos, se ausentam para reinos estrangeiros sendo alis de grande 
convivncia que fiquem antes no reino e senhorios, e sobretudo que passem 
para as capitanias do Brasil, que se vo de novo povoar, h por bem declar-
las couto e homizio [refgio e esconderijo] para todos os criminosos que nelas 
quiserem ir morar, ainda que j condenados por sentenas at em pena de 
morte...
  (Apud Castro, Therezinha de. Histria documental do Brasil, p. 48.)
  1. A quem o rei est dando permisso para que venha viver na colnia?
  2. Que razes teria o rei para tomar essa deciso ?

  Documento
  B) Carta de Tom de Sousa ao rei de Portugal, D. Joo III, sobre suas 
atividades na colnia.
  Senhor, eu cheguei a esta cidade de Salvador depois de correr a costa.(...) 
Todas as vilas e povoaes de engenhos desta costa fiz cercar de taipa com 
seus baluartes e as que estavam arredadas [distantes] do mar fiz chegar ao mar 
e lhes dei toda a artilharia que me pareceu necessria, (...) O Esprito Santo  a 
melhor capitania e mais abastada que h nesta costa, mas est to perdida 
como o capito dela (...). Eu entrei no Rio de Janeiro (...) Parece-me que a V. 
deve mandar fazer ali uma povoao honrada e boa, porque j nesta costa no 
h rio em que entrem franceses seno neste, e tiram dele muita pimenta (...) 
So Vicente , capitania de Martim Afonso,  uma terra muito honrada e de 
grandes guas e serras e campo(...) Foi-se agora descobrindo, pouco a pouco, 
que esta povoao que se chama a cidade de Assuno est muito perto de So 
Vicente  e no devem passar de 100 lguas (...). Parece-nos a todos que esta 
povoao est na demarcao de V. (...) Os Irmos da Companhia de Jesus 
[padres jesuitas]fazem nesta terra muito servio a Deus por muitas vias (...) 
Tm eles grande fervor de irem pela terra a dentro, a fazer casas no serto 
entre o gentio [os ndios]
  (Apud Saga, v. 1. So Paulo: Abril cultural, 1981. P. 117.)

  1. Que providncia o governador tinha tomado nas povoaes que visitou ao 
longo da costa? Que motivos ele teria para fazer isso ?
  2. Por que Tom de Sousa recomendava ao rei que mandasse fazer uma 
povoao no Rio de Janeiro?
  3. O que o governador dizia sobre a capitania de So Vicente?
  4. Num atlas, consulte o mapa poltico da Amrica do Sul e procure a cidade 
de Assuno. Indique a qual pas ela pertence.
  5. Por que o governador achava que Assuno estava dentro dos domnios de 
Portugal?
  6. O que o governador falava sobre os Irmos da Companhia de Jesus?

  Sugestes de atividades complementares
  Atividade III
  1. Um comrcio em que se trocam mercadorias de grande valor por objetos 
de pouco valor chamam-se escambo. O comrcio de pau-brasil entre 
portugueses e ndios pode ser chamado de escambo? Por qu ?

  Atividade IV  Em grupos
  1. Comparar o mapa das capitanias hereditrias (pg. 54) com o mapa do 
Brasil atual, na pgina 49, dividido em estados, e responder:
  a) Que mudanas se observam em relao ao tamanho do territrio do Brasil?
  b) A fronteira da colnia, marcada pela linha de Tordesilhas, se manteve at 
hoje?
  c) Quais os Estados atuais que esto fora dos antigos domnios portugueses?
  d) Quais os Estados que mantiveram o mesmo nome das capitanias?

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  CAPTULO 10
  Os brancos na terra dos ndios
  Recordando
  A partir de 1532, a Coroa portuguesa iniciou a colonizao do Brasil, na 
tentativa de afastar definitivamente os franceses. Mas, para realizar de fato a 
ocupao, os portugueses tiveram de vencer a resistncia dos ndios.

  Nos primeiros tempos aps a viagem de Cabral, quando os comerciantes 
portugueses se dedicavam apenas  extrao de pau-brasil no litoral brasileiro,
as  relaes entre eles e os ndios foram, em geral, amistosas.
  Apesar da explorao do trabalho indgena, por meio da prtica do escambo, 
as terras e o modo de vida dos primitivos habitantes do Brasil ainda no 
estavam totalmente ameaados pela presena do homem branco.
  Mas, com o tempo, os colonos comearam a escravizar os ndios, forando-
os a trabalhar nas lavouras e engenhos de acar.

  Juro que no farei nenhum trabalho braal
  Por que os portugueses precisaram de escravos? Por que ele prprios no 
trabalharam em suas lavouras?
  Os colonos que se dispunham  a vir para o Brasil s tinham a inteno de 
enriquecer rapidamente e no estavam dispostos a trabalhar penosamente para 
ganhar a vida. Num documento da poca, um portugus revela seus planos, s 
vsperas de embarcar para o Brasil:
  Juro que no farei nenhum trabalho braal, enquanto conseguir um s 
escravo que trabalhe para mim, com a graa de Deus e do rei de Portugal.
  Os colonos e a Coroa s teriam os lucros esperados com a cana-de-acar se 
as plantaes fossem feitas em grandes propriedades, e isso exigia uma mo-
de-obra numerosa. Assim, a forma de trabalho mais adequada aos objetivos 
dos colonos era o trabalho escravo. O escravismo tambm ocorreu em 
colnias de outros pases onde foi implantada a produo de cana-de-acar.
  Para obter escravos, os colonos comearam a guerrear contra os ndios e 
assim se iniciou a tragdia do extermnio desse povo, que se prolonga at os 
dias de hoje. Foi uma guerra desigual, pois os brancos usaram armas de fogo, 
e os ndios, embora conseguissem vencer algumas batalhas, no final saram 
derrotados. Figura 1.)
  Na rea conhecida como Igarau, nas proximidades de Olinda, travaram-se 
sangrentas batalhas entre portugueses e ndios. Neste quadro um pintor 
desconhecido retratou a chegada dos portugueses  a Igarau em 1530, ocasio 
em que foram mortos e expulsos uma multido de ndios.

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  Mas a agresso contra os indgenas acabava resultando em problemas para os 
prprios colonos, pois os nativos reagiam, atacando vilas e fazendas.

  Guerra ou paz ?
  Quando o primeiro governador-geral (Tom de Sousa) veio para o Brasil, ele 
tinha ordens da Coroa para tentar impedir os conflitos entre colonos e 
indgenas. S seria permitido escravizar os ndios que fossem considerados 
como ameaa para a segurana dos colonos.  J os ndios aliados no deveriam 
ser perturbados pelos colonos. Tinham permisso para ocupar terras prximas 
aos povoados e, assim, poderiam ajudar os portugueses a destruir ou afastar 
As tribos consideradas inimigas.
  Alm disso, forneceriam gneros alimentcios e outros materiais para 
construes, em troca de foices, machados, anzis, facas, enxadas e 
quinquilharias. Desse modo, contribuam para a soluo de um dos problemas 
mais srios da colonizao, que era falta de alimentos. Os colonos, para obter 
o mximo de lucro  com o acar, preferiam aproveitar toda a terra com a 
plantao de cana, no se preocupando em desenvolver lavouras voltadas para 
a produo de gneros alimentcios.
  Assim, na poca do governador Tom de Sousa, as relaes entre colonos e 
ndios foram relativamente pacficas.(Figura 2) No govberno de Tom de 
Sousa, os ndios considerados amigos participavam ativamente da construo 
da cidade de Salvador. Quadro do pintor Manoel Victor Filho, Tom de Sousa 
e a construo de Salvador.

  Salvar essa gente
  Para auxiliar o governo-geral nesta tarefa de aproximao com os indgenas, 
veio com Tom de Sousa um grupo de padres da ordem dos jesutas. Assim , 
enquanto os colonos cobiavam as terras e o trabalho dos ndios, os jesutas 
desejavam conquistar-lhes as almas, tornando-os cristos. Figura 3 mostra a 
reconstituio da chegada de Tom de Sousa  Bahia. Observe o padre, logo 
atrs do governador, carrerrando uma cruz. A cruz acompanhava os 
conquistadores e colonizadores de Portugal e da Espanha aonde quer que eles 
fossem.
  A ordem religiosa dos padres jesutas, a Companhia de Jesus, foi fundada por 
um padre espanhol chamado Incio de Loyola, em 1534. Seus membros se 
comportavam como verdadeiros soldados de Cristo, obedecendo cegamente s 
determinaes dos superiores. O objetivo dessa ordem era fortalecer a Igreja 
Catlica.
  Desde o incio das exploraes martimas, no sculo XV, a Igreja Catlica 
tinha interesse em difundir o cristianismo entre os habitantes das terras

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que iam sendo conquistadas. Os europeus acreditavam que somente a sua 
religio era a verdadeira e que todos os outros povos viviam em pecado.
  Muitos documentos da poca revelam a inteno de converter os indgenas 
da Amrica. Um trecho da carta de Pero Vaz de Caminha, por exemplo, 
escrita ao rei de Portugal quando a esquadra de Cabral chegou ao Brasil, diz:  
O melhor fruto que se pode tirar dessa terra me parece que ser salvar essa 
gente.
  Isso explica por que, desde a vinda dos primeiros colonizadores para o 
Brasil, tambm vieram alguns padres.
  Quando os conflitos entre colonos e ndios se agravaram, a ao dos 
religiosos passou a ser indispensvel para os portugueses, que achavam 
melhor Ter os indgenas como pacficos aliados cristos do que como 
inimigos.
  Por todos esses motivos, o rei de Portugal incentivou a vinda dos padres 
jesutas, acreditando que eles poderiam ajudar a vencer a resistncia dos 
indgenas.
  A misso dos jesutas era a catequese isto , a tarefa de transformar os ndios 
em cristos dispostos a trabalhar para os colonos. Para realizar essa tarefa, os 
jesutas entravam nas matas, ganhavam a confiana dos ndios e depois 
fundavam uma aldeia, onde os ndios passavam a viver sob a direo dos 
padres.
  Nas aldeias ou misses jesuticas, os ndios cultivavam o solo, aprendiam 
tcnicas artesanais europias , como a carpintaria e a tecelagem, e acabavam 
abandonando seus costumes e suas crenas. Por exemplo, nas comunidades 
indgenas, eles no precisavam de roupas, pois no tinham vergonha de viver 
nus. Mas, para os europeus, isso era condenvel, um pecado. Assim, nas 
aldeias jesuticas, os ndios passavam a usar roupas e acabavam sentindo 
vergonha de sua nudez. (Figura 4): Nas aldeias jesuticas, os indgenas se 
acostumavam a aceitar a presena do branco e sua posio de dominao.

  A paz dura pouco
  O segundo governador-geral foi Duarte da Costa, que governou o Brasil de 
1553 a 1556. Ao contrrio de Tom de Sousa, ele no impediu que os colonos 
recomeassem a guerra contra os ndios, para escraviz-los.
  Com ela, tambm comeou um prolongado confronto entre colonos e 
jesutas, que preferiam Ter os ndios sob seu controle, nas misses.
  A guerra e a escravido crescente resultaram numa trgica mortalidade da 
populao indgena, agravada ainda mais pelas doenas dos brancos. A gripe  
e a varola, por exemplo, provocaram uma grande dizimao dos indgenas, 
cujo organismo no tinha nenhuma defesa contra tais epidemias. Calcula-se 
que, em apenas 15 anos, a populao de 80 mil ndios que viviam na capitania 
da Bahia ficou reduzida a 9 ou 10 mil.
  O terceiro governador-geral,  Mm de S, chegou  colnia em 1557 e tentou 
novamente impedir as guerras entre colonos e ndios, estimulando o trabalho 
dos jesutas para a formao de mais aldeias.
  Mas a expanso das fazendas e o interesse dos colonos em aumentar o 
nmero de trabalhadores em suas lavouras resultaram em novos ataques aos 
ndios.

  Na terra dos tupinambs e tupiniquins
  No local onde se estabeleceu a capitania de So Vicente, doada a Martim 
Afonso de Sousa, viviam duas tribos indgenas de lngua tupi: os tupinambs, 
ao norte da vila de So Vicente, e os tupiniquins, no planalto, onde 
posteriormente foi fundada a vila de So Paulo (1554).
  Figura 4  Nas aldeias jesuticas, os indgenas se acostumavam a aceitar a 
presena do branco e sua posio de dominao.(Pea para o seu professor 
descrever a figura).

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  Os tupiniquins desciam a serra do Mar, de vez em quando, para obter sal e 
peixe no litoral. Em 1510, muitos anos antes da chegada de Martim Afonso, os 
ndios encontraram numa dessas viagens dois marinheiros portugueses. O 
contato entre eles foi amigvel e os portugueses casaram-se com as filhas de 
dois chefes tupiniquins, passando a viver nas suas aldeias.
  Quando Martim Afonso de Sousa chegou, em 1532 encontrou esses 
portugueses, que facilitaram a formao de uma aliana entre os primeiros  
colonos e os ndios tupiniquins. 
  Os ndios ensinaram aos colonos portugueses os mtodos de cultivo de milho 
e mandioca, de  caa e pesca, o modo de construir cabanas e canoas. E, como 
a maioria dos portugueses vinha para o Brasil sem mulheres, muitos deles 
passaram a viver com as ndias, adotando vrios de seus costumes. Essas 
ligaes originaram uma populao de mamelucos, isto , mestios de brancos 
com ndio.
  Enquanto durou a amizade entre colonos e ndios, os tupiniquins 
concordaram em trabalhar nas lavouras de cana-de-acar, em troca de 
ferramentas e outros objetos.
  Mas,  medida que foram chegando mais e mais colonos, desenvolveu-se a 
plantao de cana e instalaram-se novos engenhos, aumentando a necessidade 
de mo-de-obra indgena. Foi ento que se iniciaram os conflitos entre ndios 
e colonos.

  Subindo a serra
  No entanto as condies geogrficas da capitania de So Vicente no 
favoreciam o crescimento da atividade aucareira, pois a estreita faixa de terra 
plana, localizada entre o mar e a serra, no permitia a permisso de lavouras.
Desse modo, os canaviais se concentraram apenas nas proximidades das vilas 
de So Vicente  e de Santos (esta ltima fundada em 1545).
  A escassez de terras tambm dificultava o cultivo de gneros alimentcios 
para o abastecimento dos portugueses, e por isso os ndios lhes forneciam 
grande parte dos alimentos.
  Apertados entre o mar e a serra, os colonos logo comearam a explorar o 
planalto onde viviam os ndios aliados. O primeiro passo para a ocupao 
dessa rea foi a fundao de uma vila em 1553, no alto da serra (Santo Andr 
da Borda do Campo), junto  trolha utilizada pelos tupiniquins nas suas 
viagens ao litoral.
  Pouco tempo depois, um grupo de treze jesutas se estabeleceu no planalto, 
num local situado entre os rios Tamanduate e Anhangaba. Ali fundaram, 
Em janeiro de 1554, o colgio de So Pauo de Piratininga, que deu origem a 
uma vila e posteriormente  cidade de So Paulo.
  O objetivo dos jesutas era Ter acesso s tribos indgenas do planalto, para 
fundar novas misses.
  Figura 5  A primeira construo levantada no planalto de Piratinigna era um 
simples barraco de taipa, onde moravam os padres jesutas, que servia 
tambm como escola.
  Alm de se empenharem na tarefa de cristianizao dos indgenas, os jesutas 
tambm se dedicaram  educao das crianas e dos jovens filhos dos colonos.
Para isso fundaram colgios em vrias vilas e cidades da colnia: So Vicente, 
Salvador, So Paulo, Rio de Janeiro, Olinda, Ilhus, Recife, So Lus, Santos, 
Belm, Alcntara, Paranagu e Desterro.
  Apesar da existncia desses colgios jesutas, poucos entre os colonos eram 
letrados.

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 o que facilitaria tambm o contato entre os nativos e os colomos que se 
fixaramem So Paulo.
  Mas a presena dos colonos no planalto logo provocou uma mudana nas 
relaes entre ndios e brancos. Como os portugueses necessitavam cada vez 
mais de mo-de-obra para as lavouras, comearam a incentivar as tribos 
aliadasa guerrear contra as outras, oferecendo-lhes armas de fogo, em troca de 
prisioneiros capturados. Figura 6:
  Os ndios que se aliavam aos portugueses participavam dos combates 
travados com outras tribos, ora usando suas prprias armas (arcos, flechas e 
lanas), ora armas de fogo fornecidas pelos colonos. Gravura de Debret.
  Ao mesmo tempo, os prprios colonos passaram a atacar os tupinambs, que 
habitavam o litoral norte da capitania. Iniciou-se uma verdadeira guerra entre 
colonos e ndios, que acabou envolvendo tambm os franceses, como veremos 
a seguir.

  Tamoios e franceses contra os colonos portugueses
  Na mesma poca em que os colonos de So Vicente comearam a povoar o 
planalto de Piratiniga, um grupo de franceses aportou numa pequena ilha da 
baa de Guanabara, ali fundando o forte Coligny e um povoado. Queriam 
estabelecer uma colnia francesa no Brasil.
  Os ndios tupinambs que habitavam aquela regio subdividiam-se em vrios 
grupos, entre os quais os tamoios, que se tornaram aliados dos franceses.
  DComo j vinham sofrendo constantes agresses dos colonos portugueses, os 
tamoios se uniram, formando a poderosa Confederao dos Tamoios, e 
comearam a atacar os vicentinos.
  Para controlar toda essa regio, os portugueses teriam que guerrear, ao 
mesmo tempo, contra dois adversrios: os franceses e os ndios.
Em relao aos ndios, os portugueses procuraram dar um trgua. Os padres 
jesutas Jos de Anchieta e Manoel da Nbrega serviram de intermedirios. 
Foram at as aldeias indgenas e conseguiram negociar um tratado de paz, 
transformando uma parte de seus adversrios em aliados.
  Mas os portugueses ainda tinham que disputar com os frnaceses o controle 
sobre a regio. Para isso, o governador Mm de S resolveu dar a seu 
sobrinho, Estcio de S, a misso de estabelecer um povoado nas 
proximidades do local onde estavam os franceses. Assim,e em primeiro de 
maro de 1565 foi fundada a povoao de So Sebastio do Rio de Janeiro, 
que deu origem  cidade do mesmo nome.
  A guerra entre portugueses e franceses se prolongou ainda por dois anos e 
terminou com a vitria de Mm de S. Os franceses acabaram se retirando do 
Rio de Janeiro.
  Nos anos seguintes, alguns grupos de ndios tamoios ainda travaram 
combates com os colonos portugueses, mas foram vencidos. Milhares deles 
tornaram-se escravos.
  Com a derrota dos franceses e dos ndios, os portugueses completaram a 
conquista de toda a faixa do litoral brasileiro que vai de Pernambuco a So 
Vicente.

  Escravos negros no lugar dos ndios
  No decorrer do sculo XVI, as reas plantadas com cana-de-acar 
aumentaram rapidamente, ao mesmo tempo que se instalavam novos 
engenhos. Assim criou-se uma necessidade cada vez mais de conseguir mo-
de-obra.
  No entanto, a utilizao do trabalho indgena no satisfazia inteiramente aos 
interesses dos colonos. Vejamos por qu:
  - Os ndios no escravizados, que viviam nas aldeias jesuticas, s vezes no 
aceitavam o punhado de bugigangas que os colonos lhes ofereciam pelos 
trabalhos nas lavouras e nos engenhos.
  - Alm disso, seu nmero era insuficiente para a realizao de todo o 
trabalho.
  - Os ndios escravizados reagiam ao trabalho forado e, sempre que podia, 
fugiam. Como conheciam muito bem as matas, dificilmente eram 
recapturados.
  - Quando os portugueses declaravam guerra a uma tribo, acabavam 
recebendo o troco, pois os ndios passavam a atacar as vilas e queimar as 
plantaes.
  - As autoridades portuguesas, representantes da Coroa, geralmente 
procuravam impedir as guerras contra os indgenas, para evitar os problemas 
que esses confrontos provocavam. Desse modo, ficava cada vez mais difcil 
para os colonos conseguir a quantidade de trabalhadores de que precisavam.

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  Diante desses obstculos, os colonos procuraram outra alternativa para 
resolver sua necessidade de mo de obra. Assim,  aqueles que dispunham de 
condies financeiras comearam a se interessar em comprar escravos trazidos 
da frica.
  Mas a introduo do escravo africano envolveu tambm o interesse dos 
traficantes, que obtinham altssimos lucros com esse comrcio e, por isso, 
estimularam a substituio do escravo indgena pelo negro.(Voltaremos a esse 
assunto num captulo mais  frente.)
  J existiam alguns negros no Brasil, desde a instalao do governo-geral. 
Mas foi a partir de 1570 que os escravos africanos comearam a chegar em 
maior quantidade, substituindo os ndios nas lavouras de cana-de-acar e
Nos trabalhos dos engenhos, principalmente no Nordeste.
  Entretanto, como o preo do escravo negro era cinco vezes mais alto  que o 
escravo ndio, nem todos os colonos tinham condies de comprar africanos. 
Por, isso, nas capitanias onde no havia grande produo de acar, o trabalho 
indgena, apesar dos obstculos acima referidos, continuou predominando 
durante muito tempo. Esse foi o caso, por exemplo, do Rio de Janeiro e de So 
Paulo e, posteriormente, do Maranho e do Par.

  Atividades
  Atividade I  Ficha de leitura
  Faa a ficha de leitura do captulo 10, baseando-se no roteiro a seguir:
  1. Relaes entre brancos e ndios nos primeiros tempos aps a chegada de 
Cabral.
  2. Razo das mudanas nas relaes entre brancos e ndios.
  3. Relao entre colonos e indgenas no cultivo da cana-de-acar.
  4. A poltica dos trs primeiros governadores-gerais em relao aos pindios:
  a) Tom de Sousa;
  b) Duarte da Costa;
  c) Mm de S
  5. Interesse da Coroa portuguesa na presena dos jesutas da colnia.
  6. Interesse dos jesutas em participar da colonizao.
  7. Atitude dos indgenas da regio da capitania de So Vicente em relao 
aos primeiros colonos.
  8. Razes que levaram os colonos de So Vicente a estender sua rea de 
ocupao para o planalto de Piratininga.
  9. A Confederao dos Tamoios e o papel dos jesutas no acordo da paz.
  10. Confrontos entre portugueses e franceses e a fundao do povoado de 
So Sebastio do Rio de Janeiro.
  11. Razes que levaram os colonos a substituir os indgenas pelos negros 
agricanos nas lavouras e nos engenhos.
  12. Razo que explica a manuteno do trabalho indgena em algumas 
capitanias.

  Atividade II  Estudo de outras fontes
  Documento
  Relato de um dilogo entre o francs Jean de Lry e um ndio tupinamb.
  Uma vez um velho perguntou-me: por que vindes vs outros, mairs e pers 
[franceses e portugueses] buscar lenha de to longe para vos aquecer? No 
tendes madeira em vossa terra? Respondi que tnhamos muita, mas no 
daquela qualidade, e que no a queimvamos, como ele o supunha, mas dela 
extramos tinta para tingir, tal qual o faziam eles com seus cordes de algodo 
e suas plumas.
  Retrucou o velho imediatamente: e porventura precisais de muito?  Sim, 
respondi-lhe, pois no nosso pas existem negociantes que possuem mais panos, 
facas, tesouras, espelhos e outras mercadorias do que podeis imaginar e um s 
deles compra todo o pau-brasil com que muitos navios voltam carregados.  
Ah! Retrucou o selvagem, tu me contas maravilhas, acrescentando depois de 
bem compreender o que eu lhe dissera: mas esse homem to rico de qu me 
fala no morre?  sim, disse eu, morre como os outros (...) E perguntou-me de 
novo: e quando morrem para quem fica o que deixam?
  _Para seus filhos, se os tm, respondi; na falta destes, para os irmos ou 
parentes mais prximos. _ Na verdade, continuou o velho (...) agora vejo que 
vs outros mairs e pers sois grandes loucos, pois atravessais o mar e sofreis 
grandes incmodos, como dizeis quando aqui chegais, e trabalhais tanto para 
amontoar riquezas para vossos filhos ou para aqueles que vos sobrevivem! 
No ser a terra que vos nutriu suficiente para aliment-lo tambm? Temos 
pais, mes e filhos a quem amamos; mas estamos certos de que depois de 
nossa morte, a terra que nos nutriu tambm os nutrir, por isso descansamos 
sem maiores cuidados.
  (Apud Melatti, Julio Cezar, ndios do Brasil, p. 178.)

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  1. Que diferena  possvel observar entre a mentalidade do europeu e a do 
ndio nesse dilogo?
  2. Por que o velho ndio achava que os mair (franceses) e 
pers(portugueses)eram loucos?

  Sugesto de atividade complementar
  Atividade III  Em grupos
  A seguir, aparecem trechos de notcias sobre conflitos com os ndios em anos 
recentes, acompanhados das datas em que aconteceram. Aps analisar cada 
um deles, responder s perguntas relacionadas no final.
  1. (1963)
  Francisco Amorim de Brito, funcionrio da firma Arruda e Junqueira, de 
Cuiab, organizou um bando de jagunos para expulsar os cinta-larga de suas 
terras em Aripuana (Mato Grosso). Com um avio, dinamitarm a aldeia. Os 
sobreviventes foram mortos a faco pelos jagunos que estavam em terra. Um 
beb ndio foi morto a tiro, enquanto sua me era estuprada. Em seguida ela 
foi amarrada a dois paus, pelos ps, e seu corpo aberto em dois, a golpes de 
faco.(Retrato do Brasil, v. 13, p. 17.)

  2. (maro de 1984)
  Noventa ndios txucarrame seqestraram a balsa utilizada na travessia do rio 
Xinga, interrompendo o trfego na BR-080 (Cuiab-Santarm); trs dias 
depois, 130 ndios guerreiros do Parque Nacional do Xingu renem-se aos 
txucarrame e aderem ao movimento liderado pelo cacique Raoni; os ndios 
pedem a presena do presidente da Funai, Otvio Ferreira Lima, com quem 
pretendem discutir a expanso do Parque Nacional do Xingu em mais 15 km 
ao longo da margem direita da rodovia e 60 km seguindo o rio Xingu; pedem 
ainda medicamentos contra malria, gripe e pneumonia, alm de seringas 
descartveis; Ferreira Lima diz que s negociava quando os ndios devolverem 
a balsa e desocuparem a estrada; os txucarrame pedem a demisso do 
presidente da Funai.
  (Almanaque Abril, 1985.)

  3. (fevereiro) de 1987)
  O Conselho Indigenista Missionrio (Cimi) denuncia o assassinato, naquela 
madrugada, de 3 ndios xacrabs e um posseiro, na reserva de Itacarambi 
(MG), por 15 homens armados que teriam agido sob as ordens do grileiro 
Francisco de Assis Amaro.
  (Almanaque Abril, 1988.)

  4. (agosto de 1993)
  Na Sexta-feira, 13 de agosto, (...) os ndios [yanomami] participavam do 
shaura, um ritual onde os adultos tomam caxiri  uma aguardente feita  base 
de milho ou abacaxi. As crianas brincavam no terreiro aberto em volta do 
yano, a habitao coletiva dos yanomamis. Ao final da tarde, o massacre: 
dezenas de garimpeiros armados com espingardas calibres 12 e 20, revlveres 
38 e afiados faces invadiram a aldeia atirando. Os adultos foram os primeiros 
A tombar, sem tempo de pegar seus arcos de acapu (madeira negra de grande 
resistncia e flechas). As crianas foram chacinadas com requintes de 
crueldade  degoladas e estripadas.
  (Isto ? Senhor, 25 de agosto de 1993.)

  1. De acordo com o que vemos nas notcias 1 e 3, quais so os inimigos que 
atualmente ameaam a sobrevivncia dos ndios?
  2. Na notcia 2, os ndios agem com o objetivo de conseguir algo. O que 
queriam? O que fizeram para conseguir o que desejavam?

  Encerramento da Unidade
  Discutir os objetivos apresentados  no incio da unidade, sob o ttulo: O que 
 importante aprender. Redigir um pequeno texto sobre cada um dos temas.

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  Preparao para a prxima unidade

  Atividade em grupos
  Pea auxlio para o seu professor.
  Analisar o mapa seguinte, que mostra os caminhos dos produtos coloniais 
dos domnios portugueses at chegar aos pases da Europa. Responder:
  1. Quais os produtos coloniais originrios dos domnios portugueses da 
frica, sia e Amrica ?
  2. Localizar no mapa, a Holanda (Europa) e observar as rotas holandesas na 
Europa. Que relao comercial entre Portugal e Holanda o mapa mostra? E 
entre a Holanda e outros pases da Europa?

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  Unidade V
  Acar: o ouro branco da colnia

  No decorrer do sculo XVI, com a chegada de novos colonos, a rea de 
colonizao portuguesa no Brasil foi aumentando. As plantaes de cana 
ocuparam novas terras e montaram-se mais engenhos para a produo do 
acar. Figura 1: Pea para o professor descrever sobre a figura.
Moagem de cana no engenho, quadro do pintor Benedito Calixto.

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  Ao contrrio dos espanhis, os portugueses no encontraram riquezas 
minerais na sua colnia americana. Assim, a produo de acar foi a 
alternativa para tornar a colnia lucrativa. Os colonos vendiam o acar aos 
mercadores europeus, que o revendiam na Europa com grande lucro. E a 
Coroa se beneficiava com os impostos cobrados aos colonos e mercadores.
  Mas, na verdade, as reas de produo aucareira se limitavam a uma estreita 
faixa de terra prxima do litoral, nas capitanias de Pernambuco, Bahia e Rio 
de Janeiro.
  Nessas reas se formou um tipo de sociedade em que os brancos eram os 
poderosos senhores da terra, e os negros, uma multido de escravos submetida 
ao trabalho forado.
  Basta observar o Brasil de hoje para perceber que esse tipo de sociedade 
deixou marcas profundas na nossa histria.

  O que  importante aprender
  Durante o estudo desta unidade, procure concentrar-se nos seguintes 
objetivos:
  - Identificar os interesses envolvidos no trfico negreiro.
  - Relatar as formas de resistncia dos negros africanos  escravido.
  - Explicar porque a atividade aucareira contribuiu para a formao de 
latifndios.
  - Descrever a vida nos engenhos.
  - Explicar por que os holandeses ocuparam o nordeste do Brasil, ali 
permanecendo durante vrios anos e por que eles finalmente lutaram para 
expulsar os holandeses.

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  Captulo 11
  Da frica aos canaviais:
Um caminho sem volta

  Recordando: 
  Quando os portugueses comearam a colonizar o Brasil, utilizaram o 
trabalho indgena, primeiro por meio do escambo, depois pela escravizao. 
Mas, diante dos obstculos que encontravam para conseguir escravos ndios, 
comearam a comprar escravos trazidos da frica.

  Vender escravos: um grande negcio
  Se os colonos tinham interesse em comprar escravos negros, maior interesse 
tinham os traficantes de escravos em vend-los.
  Desde os primeiros tempos de expanso portuguesa pelo litoral africano 
(sculo XV), os escravos negros estavam entre as mercadorias mais 
lucrativas. No incio, os prprios portugueses atacavam as aldeias e 
capturavam os negros para vend-los em Portugal.
  Logo, porm, os traficantes comearam a estimular as guerras entre os 
diferentes reinos, comprando os prisioneiros dos vencedores ou de mercadores 
africanos. E, com o passar do tempo, algumas tribos africanas se 
especializaram na captura de escravos, trocando os cativos por produtos 
europeus (armas de fogo, munies, panos, ferragens, trigo, sal, cavalos). 
   Figura 1  Pea para o professor descrever:
Caravana de escravos capturados na frica e sendo levados para os portos de 
embarque.

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  O Comrcio Colonial r o Trfico Negreiro
  Para obter escravos, os traficantes dispunham de vrios portos na frica. Os 
principais ficavam na costa oeste: Arguim, So Jorge da Mina, So Joo da 
Ajuda, Lagos e Luanda.
  Essa rea era habitada por populaes que se dividiam em dois grandes 
grupos: na parte central viviam os sudaneses, e os territrios mais ao sul eram 
habitados pelos bantos. Havia, entre esses grupos, diferenas fsicas e 
culturais(lngua, costumes e religio).
  Nos primeiros tempos, antes da colonizao das terras americanas, os 
escravos iam para Portugal trabalhar nas mais variadas tarefas: servios 
domsticos, trabalhos agrcolas, carga e descarga de mercadorias nos portos.
  Com a colonizao da Amrica por espanhis e portugueses, a maior parte 
do trfico passou a atender s necessidades crescentes de mo-de-obra nessas 
colnias.
  Desde ento, os traficantes trocavam os escravos na frica no s pelas 
mercadorias da Europa, mas tambm por produtos das colnias americanas: 
tabaco, cachaa e acar.
  Como o trfico de escravos africanos era muito lucrativo, mercadores de 
outros pases da Europa procuraram entrar no negcio. Por isso, portugueses, 
franceses, holandeses e ingleses muitas vezes disputaram o controle sobre 
os locais na frica onde eram embarcados os negros.
  Alm do acar, principal produto colonial do Brasil nos sculos XVI e 
XVII, havia tambm na colnia a produo de cachaa e principalmente de 
fumo.
  A cachaa era produzida em pequenas propriedades plantadas com cana-de-
acar, onde se instalavam engenhocas ou molinetes mais simples e que 
exigiam menos recursos financeiros que os engenhos.
  O fumo, planta nativa da Amrica usada pelos ndios, tambm era cultivado 
na colnia, mas em reas menos valorizadas que as da cana.

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  Mas o trfico de escravos no interessava apenas aos comerciantes: a Coroa 
portuguesa recebia 10 por cento do valor desse comrcio, e a prpria Igreja 
justificava o trfico, j que os negros escravizados seriam convertidos ao 
catolicismo.
  No decorrer do tempo, o trfico foi crescendo.  difcil saber com certeza a 
quantidade de africanos que foram levados de sua terra pelos traficantes 
europeus. Calcula-se que esse nmero esteja prximo de 50 milhes de 
negros.

  A viagem: um pesadelo
  No Brasil, entraram aproximadamente 3 milhes e 500 mil africanos. 
Brutalmente arrancados de suas comunidades e vendidos aos traficantes, os 
cativos ainda tinham que suportar a longa travessia do Atlntico, que durava 
de cinqenta a setenta dias aproximadamente, em condies totalmente 
desumanas. Figura 3  Pea para o seu professor descrever: Negros no poro 
de um navio negreiro. Desenho de Rugendas (sculo XIX)
  Grande parte dessa carga humana (cerca de 20 por cento) morria antes de 
chegar aos portos de desembarque, em Recife, Salvador e Rio de |Janeiro.
  Os escravos permaneciam por vrios dias nessas cidades para se recuperar da 
viagem, ganhar peso e adquirir um aspecto mais saudvel. Do jeito que eles 
chegavam, seria difcil vend-los por um bom preo. Depois ficavam expostos 
em mercados de escravos,  espera de compradores que os conduzissem 
finalmente ao seu destino.
  Figura 4  Pea explicaes : Nos mercados de escravos, existentes nos 
principais portos da colnia, reuniam-se africanos das mais variadas 
procedncias. Ali ficavam, aguardando os compradores. Gravura de 
Rugendas.
  A maioria dos negros ia trabalhar nas lavouras de cana, nos engenhos de 
acar ou nas casas dos grandes fazendeiros.

  Vida de escravo
  Quando chegava da frica, o negro se encontrava completamente solitrio. 
Tinha sido brutalmente separado de sua famlia e de seu grupo e ia comear 
uma nova vida: a vida de escravo.
  No Brasil, encontrava uma populao dividida entre brancos, negros, mulatos 
e ndios. Os brancos eram os senhores, e os negros, os escravos. Mesmo entre 
os africanos no encontrava amigos, nem solidariedade, pois geralmente no 
falavam a mesma lngua, no compartilhavam os costumes ou a religio. Os 
colonos preferiam juntar negros originrios de diferentes regies da frica, 
para evitar que eles se unissem, o que poderia fortalec-los.
  Alm disso, aqui no Brasil, o negro tinha dificuldade em constituir uma 
famlia, pois as mulheres negras eram em nmero muito menor do que os 
homens.
  Mesmo quando casados, os escravos no tinham a garantia de permanecer 
sempre com a famlia, porque seu senhor podia vend-los separadamente, se 
assim o desejasse.

  Upa, negrinho
  Nas fazendas, como a maior parte das ligaes entre os escravos no era 
permanente, as crianas nasciam sem saber quem era o pai. O conjunto de 
escravos da fazenda tornava-se sua famlia. Entre essas crianas havia 
geralmente filhos de senhores de engenhos com escravas.

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  Todos os pequenos escravos conheciam dois mundos diferentes: a casa-
grande, residncia dos senhores, e a senzala, uma construo retangular e 
trrea que servia de habitao para os negros da fazenda. Dentro, havia apenas 
as camas de palha e alguns tamboretes e bas, onde se guardavam as roupas: 
cada escravo possua duas camisas e duas calas ou saias, recebidas 
anualmente. O cmodo dos homens ficava separado do das mulheres.

  Figura 5: Na parte de baixo da ilustrao, o engenho onde se fabricava o 
acar. Mais acima, no centro, a casa-grande e  sua esquerda a senzala.

 De dia, enquanto os escravos adultos iam trabalhar, as crianas negras e 
brancas brincavam juntas e aprendiam com as armas negras as mesmas 
canes e histrias.  noite, as crianas negras iam para a senzala e ali 
conviviam com os escravos, compartilhando seus costumes, crenas, rituais 
religiosos e momentos de lazer. Ouviam o som dos atabaques e 
acompanhavam os passos ligeiros da dana africana nos terreiros.

  Figura 6  Os escravos bantos, que foram encaminhados para a Bahia, 
trouxeram da frica a capoeira, uma luta africana. Para eles, era um exerccio 
de guerra, mas aos seus senhores parecia apenas uma dana ao som do 
berimbau e dos atabaques.

  Mas o tempo passava depressa. Com 7 ou 8 anos , o pequeno escravo j ia 
para o trabalho: na casa-grande, na aprendizagem de um ofcio de arteso ou 
nas plantaes.
  Se ele se tornasse um escravo domstico, estaria mais prximo do mundo dos 
brancos: se fosse para o canavial, se ligaria mais ao grupo de negros da 
fazenda. Mas tanto num caso como no outro, o que se exigia dele era 
obedincia e fidelidade ao seu senhor.
  No entanto, isso nem sempre acontecia. Foram freqentes as reaes dos 
negros contra sua condio de escravos.

  Pano, po e pau

  Dizia-se  na colnia que os negros deviam ser tratados com trs p: pano, po 
e pau. Assim, apesar da obrigao de vestir e alimentar os escravos, os 
senhores tinham plenos direitos de castig-los. Qualquer ato de desobedincia
Ou falha no cumprimento das tarefas era suficiente para que o proprietrio 
mandasse castigar o escravo. s vezes, ele mesmo tomava o chicote e 
descarregava sua ira nas costas do escravo.
  Figura 7  Pea explicaes.[
  Os escravos eram vtimas de castigos extremamente cruis. Uma falta leve 
podia resultar em muitas chibatadas. Cena retratada por Rugendas. 
  Os maus-tratos iam desde o xingamento at a morte poi aoitamento. 
Bofetadas, socos, pontaps tamb, eram muito comuns.
 E o escravo ainda estava sujeito a levar pauladas ou surras com cordas e at 
com barras de feero. Quando a desobedincia era considerada grave, o feitor 
chicoteava o escravo dezenas de vezes ou at mesmo centena de vezes.
  Eram utilizados tambm instrumentos de tortura, como por exemplo o vira-
mundo, onde se prendiam os ps e as mos dos escravos, que ficavam 
imobilizados vrios dias.
  Todo esse sofrimento somava a uma grande carga de trabalho, alimentao 
deficiente, pouco repouso. Resultado: o escravo geralmente tinha vida curta.
  Alguns escravos domsticos, dependendo dos donos que tivessem, podiam 
encontrar uma vida um pouco melhor.
  Figura 8: Pea explicaes ao seu professor: Nesta gravura de Debret(sculo 
XIX)  possvel perceber as relaes que se estabeleciam entre os senhores e 
seus escravos domsticos, situados numa mesma posio de extrema 
inferioridade.

  O assassinato ou suicdio: trgicas vinganas
  Muitas vezes, os escravos vingavam-se dos maus-tratos, usando a violncia, 
como o assassinato de feitores ou dos prprios senhores.
  Alguns negros, inconformados com a sua situao, preferiam morrer 
lentamente: deixavam de comer, de trabalhar e minguavam at a morte.  
Dizia-se, ento, que o negro estava com o banzo: a saudade insuportvel de 
sua terra e da liberdade. Morrer representava a libertao e, segundo a crena 
dos negros, era a nica forma de voltar  frica.
  Outros negros chegavam a praticar o suicdio deliberado, uma forma extrema 
de vingana, pois a perda de um escravo significava um grande prejuzo para 
seu dono: alm de ter custado caro, seu trabalho era muito necessrio nas 
propriedades do senhor.

  Fugir do cativeiro
  Era comum a fuga individual e por isso havia at pessoas especialmente 
contratadas pelos proprietrios para capturar escravos fugidos: os capites-do-
mato. O escravo que fosse recapturado sofria os maiores castigos e at 
mutilaes, como a perda da orelha, parte dos ps, etc.
  Figura9 - O capito-do-mato era o chefe de uma tropa especialmente 
formada no incio da colonizao para enfrentar os indgenas. Depois o termo 
passou a designar os guardas pessoais dos senhores de engenho, responsveis 
pela captura dos escravos fugitivos. Gravura de Rugendas.

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  Quilombo: o espao da liberdade
  Muitas vezes os escravos se rebelavam ou fugiam em bandos para as matas. 
Em lugares de difcil acesso  formavam os quilombos, que eram comunidades 
onde construam casas, faziam roas de mandioca, feijo e milho, criavam 
alguns animais.  s vezes, ndios fugidos ou ameaados pelos colonos 
tambm se reuniam aos negros nos quilombos.
  Figura 10  Mostra as casas que ainda hoje existem algumas comunidades 
negras que vivem em quilombos, como este, em Libama, no Rio Grande do 
Norte.

  Nas vilas prximas, os quilombolas (habitantes dos quilombos) trocavam 
seus produtos agrcolas por artigos de que necessitavam. Algumas vezes, 
atacavam fazendas e vilas prximas e libertavam outros escravos.
  Existiram quilombos em todas as capitanias. Eles foram sempre cobatidos 
pelas autoridades e colonos, que chegavam a contratar bandos armados para 
atac-los.
  Diante disso, os quilombolas procuravam defender-se, lutando contra seus 
atacantes. Como conheciam melhor o terreno onde viviam, deslocavam-se 
com rapidez e lanavam-se sobre seus inimigos, de surpresa, saindo muitas 
vezes vitoriosos.
  Em compensao, quando derrotados, os negros sobreviventes eram levados 
de volta s vilas, presos e condenados ao aoitamento ou at mesmo  pena de 
morte. 

  O quilombo de palmares
  Foi em Alagoas, na serra da Barriga, que se formou Palmares, o quilombo 
mais famoso, no incio do sculo XVII. Compunha-se de muitos mocambos, 
isto , pequenos ajuntamentos de cabanas, cobertas de folhas de palmeiras. 
Alguns dekles se espalhavam pelos arredores da serra, outros ficavam no alto, 
como o mocambo dos Macacos, capital de Palmares. Nele viviam 
aproximadamente 5 mil pessoas, incluindo o rei do quilombo.
  Os escravos raptados nas vilas e fazendas, que iam para o quilombo contra a 
vontade, tinham a condio de escravos, o que estava de acordo com a 
tradio africana.  Mas podiam se tornar livres depois de algum tempo.(Veja 
pgina 22)
  Durante mais de sessenta anos, Palmares resistiu a vrias expedies que 
tentaram destru-lo. Em 1694, o governador de Pernambuco contratou o 
paulista Domingos Jorge Velho para atacar o quilombo. No ataque foi 
utilizado um exrcito de 600 ndios e 45 brancos.
  Os palmarinos venceram, como j havia acontecido com inmeras tropas 
enviadas para combat-los. Foi mandado ento um reforo, comosto de 
soldados de Recife e mais um grupo de moradores dos povoados prximos do 
quilombo.
  Depois de prolongada luta, no dia 6 de fevereiro de 1694, Palmares foi 
destrudo.O rei, Zumbi, conseguiu escapar, juntamente com outros negros. E 
durante longo tempo continuaram existindo quilombos na regio, formados 
pelos sobreviventes de Palmares.
  Zumbi foi morto finalmente em 1695 e teve sua cabea espetada num poste 
na praa de Recife para mostrar aos escravos que o chefe de Palmares no era 
imortal, como eles imaginavam.

  ATIVIDADES 
  Atividade 1 - Ficha de leitura
  Faa a ficha de leitura do captulo 11, baseando-se no roteiro a seguir:
  1. Interesses envolvidos na introduo de negros africanos no Brasil:
  a) dos traficantes;
  b) da Coroa Portuguesa;
  c) da Igreja Catlica
  d) dos colonos

  2. Formas de aquisio dos negros na frica.
  3. Trechos do texto que indicam que o escravo negro era considerado como 
mercadoria.
  4. A vida das crianas negras.
  5. O tratamento dado aos escravos negros nos engenhos.
  6. As formas de resistncia dos negros  escravido.
  7. O quilombo de Palmares: localizao; poca em que se formou; as 
expedies enviadas para destru-lo; o fim de quilombo e o castigo a Zumbi.

  Atividade II - Estudo de outras fontes

  Documento

  Relato de Rugendas, viajante alemo que esteve no Brasil no sculo XIX, 
sobre as condies da viagem nos navios negreiros.

  Esses infelizes so amontoados em compartimentos cuja altura raramente 
ultrapassa cinco ps. Esse crcere ocupa todo o comprimento e largura do 
poro do navio; a eles so reunidos em nmero de duzentos a trezentos, de 
modo que para cada homem adulto se reserva apenas um espao de cinco ps 
cbicos. (...) no poro de muitos navios o espao disponvel para cada 
indivduo se reduz a quatro ps cbicos.(...). Os escravos so amontoados de 
encontro s paredes do navio e em torno do mastro; onde quer que haja um 
lugar para uma criatura humana, em qualquer que seja a posio que se lhe 
faa tomar, aproveita-se. O mais das vezes as paredes comportam, a meia 
altura, uma espcie de prateleira de madeira sobre a qual jaz uma segunda 
camada de corpos humanos. Todos, principalmente nos primeiros tempos de 
travessia, tm algemas nos ps e nas mos e so presos uns aos outros por uma 
comprida corrente.
  Acrescentemos a essa deplorvel situao o calor ardente do Equador, a fria 
das tempestades e a alimentao, a que no esto acostumados, de feijo e 
carne salgada, a falta de gua , finalmente, conseqncia quase sempre 
inevitvel da cobia em virtude da qual se aproveita o menor espao para 
tornar a carga mais rica, e teremos a razo da enorme mortalidade a bordo dos 
navios negreiros. s vezes acontece ficar um cadver vrios dias entre os 
vivos. A falta de gua  a causa mais freqente da revolta de negros, mas, ao 
menor sinal de sedio, no se distingue ningum; fazem-se impiedosas 
descargas de fuzil nesse antro atravancado de homens, mulheres e crianas. 
Acontece que, desvairados pelo desespero, os negros furiosos se atiram contra 
seus companheiros ou rasgam em pedaos seus prprios membros.
  (Apud Luna, Lus. O negro na luta contra a escravido. Rio de Janeiro: 
Ctedra; Braslia: INL, 1976. P. 52.)

  1. Por que os navios negreiros transportavam uma quantidade to elevada de 
escravos?
  2. Na opinio do autor, quais eram os fatores que contribuam para a elevada 
taxa de de mortalidade nos navios negreiros?
  3. Por que havia falta de gua durante a viagem?

  Sugesto de atividades complementares
  Atividade III - Em grupos
  Analisar o mapa da pgina 70 e responder:
  1. Em que lugares do territrio africano os portugueses tinham o monoplio 
do trfico de escravos?
  2. Alm de fornecer escravos para o Brasil. Os traficantes portugueses 
forneciam escravos para quais outras localidades?
  3. A partir da observao do mapa, em quais lugares da Amrica  possvel 
afirmar que existiu escravido negra?
  4. A venda de escravos negros se fazia exclusivamente para a Amrica? 
Justificar a resposta.

  Atividade IV - Em grupos
  Fazer o julgamento dos personagens envolvidos no trfico negreiro. No 
julgamento deve haver um juiz, os rus, o promotor (que faz a acusao), os 
advogados de defesa (um para cada ru), as testemunhas e o jri.
  Os rus so:
  - O captor africano;
  - Um rei africano que negocia escravos;
  - um comerciante europeu, dono de navios negreiros;
  - um rei europeu de um pas que faz o trfico;
  - um representante da Igreja Catlica.
  Observao: Se for possvel, entrevistar um advogado, ou promotor, ou juiz, 
para explicar como transcorre um julgamento.

  Captulo 12
  Nas terras do acar

  Recordando
  Os colonos portugueses que vinham para o Brasil com recursos para iniciar o 
cultivo de cana-de-acar recebiam do capito donatrio um grande lote de 
terra: a sesmaria

  A atividade aucareira foi extremamente compensadora para os colonos que 
tinham condies financeiras de instalar um engenho. Mas seu lucro era muito 
inferior ao dos comerciantes, que revendiam o acar na Europa. E a prpria 
Coroa portuguesa tambm levava sua parte, pois cobrava impostos sobre a 
produo e o comrcio do acar.
  Assim, explica-se por que a rea de canaviais foi se ampliando, ao mesmo 
tempo que aumentou o nmero de engenhos instalados.
  A principal rea de produo do acar nos sculos XVI e XVII foi o litoral 
nordeste do Brasil (Pernambuco e Bahia), mas tambm existiram engenhos em 
outras capitanias.

  Terra a perder de vista
  Para instalar uma fazenda e produzir acar, o proprietrio tinha que mandar 
derrubar as matas, preparar o solo, fazer a plantao, erguer construes e 
montar o  engenho. Todas essas despesas s valeriam a pena se ele 
conseguisse produzir uma grande quantidade de acar. E, para tanto, o senhor 
de engenho precisava de muita terra: quanto maior fosse a sua fazenda, maior 
o lucro.
  Assim, desde o incio da colonizao, estabeleceram-se no Brasil grandes 
propriedades de terra, isto , latifndios pertencentes a um pequeno nmero de 
proprietrios. ( A palavra latifndio vem do latim: latus significa grande e 
fundus, terra.)

  A  O quadro abaixo mostra o nmero de engenhos em 1570 e 1585. Repare 
que em algumas capitanias h aumento e, em outras, reduo da quantidade de 
engenhos.
(Apude Machant, Alexander. Do escambo  escravido, p. 111.)
Itamarac  1570=1 e 1585=0
Pernambuco  1570=23 e 1585=66
Bahia  1570=18 e 1585=35
Ilhus  1570=8 e 1585=6
Porto Seguro  1570=5 e 1585=1
Esprito Santo  1570=1 e 1585=6
Rio de Janeiro 1570=0 e 1585=3
So Vicente  1570=4 e 1585=4
Total  1570=60 e 1585=122

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  Figura 1   Mapa da rea de cultivo da cana-de-acar  sculos XVI e XVII

  Porm, nem todos os plantadores de cana eram senhores de engenho. Estes 
podiam ceder uma parte de sua propriedade (lotes) a outros lavradores, que 
ficavam obrigados a fazer a moagem da cana no engenho do proprietrio. 
Essas terras eram chamadas fazendas obrigadas. Metade do acar obtido 
pertencia ao senhor de engenho, que ficava tambm com mais uma 
porcentagem varivel, entre 5 por cento e 20 por cento.
  Alm disso, os engenhos ainda moam a cana e produziam acar para outros 
proprietrios que s possuam as terras. Nesse caso, o senhor de engenho 
ficava com a metade da produo.
  A maior parte das terras do engenho destinava-se s plantaes de cana-de-
acar, isto , praticava-se um tipo de agricultura especializada em um nico 
produto. (Esse tipo de produo agrcola chama-se monocultura  palavra de 
origem grega: mono quer dizer um.)

  Do canavial ao porto: a produo do acar
  Inicialmente a palavra engenho designava apenas o conjunto de instalaes 
onde se produzia o acar, na poca do Brasil colonial. Era formado por 
vrios espaos, cada um correspondente a uma das atividades necessrias  
produo do acar. Mas o nome engenho logo passou a designar toda a 
fazenda, incluindo os canaviais. 
  Figura 2  Mostra: A casa-grande, o engenho, a senzala e a capela formavam 
um nico conjunto, onde se desenrolava a vida cotidiana de todos os 
moradores da fazenda. Ao seu redor espalhavam-se os canaviais e as roas 
para alimentao dos escravos.

  Em alguns engenhos, chamados trapiches, a moenda era movida por bois 
(rao animal). Em outros, conhecidos como engenhos reais, instalados  beira 
de um rio, usava-se gua como fora motriz. Nestes conseguia-se uma 
produo de acar muito maior do que nos trapiches.
  A primeira etapa na instalao de um canavial era a derrubada das matas e a 
preparao do terreno. Depois, plantava-se cana. Todas essas tarefas eram 
realizadas por escravos, que trabalhavam de 12 a 14 horas por dia.
  Na colheita, utilizavam-se homens e mulheres: os homens cortavam a cana 
(350 feixes de 12 canas), que as mulheres amarravam. Em seguida 
transportavam-se os feixes nos carros de boi para a casa da moenda.
  Nos engenhos, o trabalho prosseguia dia e noite sem, revezando-se duas 
turmas de escravos.

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  Figura 3  Mostra: Moagem de cana em engenho real, gravura do pintor 
Rugendas.
  Figura 3-a: Moagem de cana em engenho trapiche, ilustrao baseada na 
obra do pintor Franz Post.

  A cana-de-acar era moda nas moendas, instaladas numa espcie de 
galpo. Ali, um simples descuido, o escravo podia perder uma mo ou um 
brao. O caldo da cana moda era levado  casa das caldeiras, despejado em 
grandes trechos de cobre, onde ficava fervendo. Ali, o caldo tinha que ser 
mexido continuamente, at engrossar.
  Nas fornalhas, onde se produzia o fogo que abastecia as caldeiras, o trabalho 
era ainda mais cansativo, devido ao intenso calor.
  Em seguida, levava-se o melado para a casa de purgar, lugar onde era 
colocado em frmas para esfriar. L, o melado permanecia por vrios dias e se 
transformava em acar mascavo (escuro e grosso) ou em acar branco, 
dependendo do tratamento que recebia. Quando o acar era desenfornado, 
obtinham-se pes de acar (nome que vinha do seu formato, semelhante a 
uma ponta de po). Estes eram, ento, quebrados e reduzidos a p. 
  Depois de seco ao sol, o acar era posto em caixotes de 300 quilos, 
transportado para o porto mais prximo e embarcado para a Europa.
  Alm dos escravos, existiam nos engenhos alguns trabalhadores livres, como 
os mestres do acar, especialistas que supervisionavam todo o processo de 
produo. Havia ainda os feitores de escravos, que mantinham os negros sob 
controle, impedindo atos de rebeldia.

  O poderoso senhor de engenho
  O senhor de engenho, proprietrio das terras, mquinas e escravos, era 
poderoso, temido, respeitado, servido e obedecido por todas as pessoas que 
viviam a seu redor, fossem livres, fossem escravas. Tinha plenos poderes de 
mando em seus domnios: ali sua vontade era lei.
  As mulheres dos senhores de engenho (sinhs) viviam na casa-grande, 
ocupando-se dos filhos, dos bordados e dos escravos domsticos. Geralmente 
casavam-se por ordem do pai, s vezes com apenas 12 ou 13 anos de idade.

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  Submetida aos caprichos e ordens do marido, era comum que a sinh 
maltratasse as escravas da casa, como forma de vingana.
  As crianas, filhas dos fazendeiros, tambm costumavam maltratar os 
negrinhos e negrinhas que lhes faziam companhia nas horas de brincadeira.

  O que se come na colnia?
  O senhor de engenho permitia que os escravos plantassem pequenas roas de 
feijo, mandioca e milho, principalmente para a alimentao deles prprios. 
Mas, quando o preo do acar subia, reduzia-se o espao dessas roas, com o 
objetivo de aumentar a produo de cana. Por isso, s vezes chegavam a faltar 
alimentos para os escravos.
  O abastecimento de alimentos nas vilas tambm foi sempre difcil e 
dependia, em grande parte, de produtos dos ndios.
  Figura 5- Gravura de Rugendas (sculo XIX) retratando uma cena familiar 
na casa da fazenda em que as crianas negras brincam com um beb branco.

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  O senhor de engenho e sua famlia alimentavam-se principalmente com 
produtos importado de Portugal: farinha de trigo, bacalhau, azeite, manteiga, 
vinagre. Alm disso, tambm vinham da Europa tecidos, armas, louas e 
ferramentas. Nada disso se produzia no Brasil.

  O lugar do gado

  No incio da colonizao havia nas fazendas de cana-de-acar um espao 
reservado  criao de gado. O boi era muito utilizado nos trapiches (engenhos 
movidos a trao animal) e tambm no transporte, para puxar as carroas que 
conduziam a cana cortada, da plantao at o engenho.
  Mas, com o passar do tempo, os senhores de engenho do Nordeste preferiram 
substituir as pastagens por plantaes de cana, que se tornaram cada vez mais 
lucrativas.
  Por isso, comearam a se formar fazendas, fora da rea dos canaviais, 
exclusivamente dedicados  criao de gado, que foram se estendendo em 
direo ao interior do serto nordestino. Este ser o tema de um dos prximos 
captulos.

  Atividades
  Atividade I  Ficha de leitura
  Faa a ficha de leitura do captulo 12, baseando-se no roteiro a seguir:
  1. rea onde se desenvolveu a produo aucareira.
  2. Os diferentes grupos que lucravam com a produo aucareira.
  3. Razes para o estabelecimento de latifndios na produo de acar.
  5. Razes para a implantao da monocultura nas reas de produo do 
acar.
  6. Influncia dos preos do acar na extenso das roas de gneros de 
subsistncia.
  7. Tipos e origens dos produtos consumidos pelo senhor de engenho e sua 
famlia.
  8. Relao entre os lucros da atividade canavieira e a separao das reas de 
criao de gado.

  Atividade II  Estudo de outras fontes
  Texto complementar
  Casa-grande, senzala, engenho e capela, um mundo de muito trabalho e 
pouco lazer. Aos escravos o divertimento reservava-se nos dias de Nossa 
Senhora do Rosrio e So Benedito. Os moradores da casa-grande, as 
sinhazinhas e  iais visitavam engenhos vizinhos, passeavam de barco nos rios 
prximos, acompanhavam as festas religiosas. No mais, permaneciam nas 
casas-grandes. As sinhs supervisionando o trabalho das negras, as sinhs 
moas com suas mucamas, as iais solteironas com seus gatos de estimao 
passavam os dias modorrentos comendo muito doce, redondas de gordura.
  O papagaio falador, o mascate com novidades e as alegres caravanas de 
ciganos quebravam a monotonia da vida cotidiana.
  (Programa de qualificao do ensino de Histria do Brasil, stima srie, nov. 
1987, p. 7; convnio CENP-Unesp de Araraquara.)
  1. O que o texto revela sobre os divertimentos dos moradores do engenho?
  2. E sobre a vida cotidiana das mulheres da casa-grande?

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  Captulo 13
  Um Brasil holands?

  Recordando
  Tendo conquistado tantos territrios na frica, na sia e na Amrica, 
Portugal no conseguia mant-los sob controle, nem aproveitar todas as 
riquezas que deles podiam ser extradas.

  Apesar dos grandes lucros do comrcio martimo, Portugal no conseguiu 
desenvolver suas manufaturas, pois o governo preferia comprar tudo de que 
precisava em outros pases, at mesmo os equipamentos para os navios. Os 
produtos consumidos no reino ou vendidos nas colnias eram importados da 
Frana, da Inglaterra e da Holanda. Assim, ano aps ano, os lucros coloniais 
de Portugal acabavam indo para o exterior, como pagamento das importaes 
ou para saldar as dvidas feitas junto a banqueiros estrangeiros.
  Alm disso, o rei de Portugal cercava-se de uma numerosa corte de nobres 
que viviam  custa do tesouro real, recebendo generosas penses. Tambm 
eram comuns os bailes, as festas e os banqueiros oferecidos pela Coroa a essa 
nobreza.
  E havia ainda a enorme despesa militar para defender os territrios 
conquistados, contra a cobia dos outros pases europeus. Assim, em vez de 
enriquecer, Portugal se empobrecia. Enquanto isso, a Frana, a Inglaterra e a 
Holanda, pases que no possuam imprios coloniais to vastos como os de 
Portugal, tornavam-se mais ricas. Seus governantes procuravam desenvolver 
as manufaturas, para exportar grandes quantidades de mercadorias, recebendo, 
em troca, as moedas de ouro e prata dos pases compradores, principalmente 
Portugal e Espanha.

  Holanda: scia de Portugal no negcio do acar
  Nos primeiros tempos da colonizao do Brasil, a Holanda no constitua 
ainda um pas independente. Juntamente com a Blgica, formava os chamados 
Pases Baixos, que pertenciam ao imprio espanhol. Mesmo assim, as cidades 
holandesas eram muito desenvolvidas, possuindo uma poderosa frota de 
navios mercantes e uma florescente manufatura de tecidos e outros produtos.
Alm disso, os banqueiros holandeses haviam acumulado grandes fortunas.
  Isso explica o papel da Holanda na colonizao do Brasil. Grande parte do 
dinheiro necessrio para a montagem dos engenhos na colnia foi emprestada 
por banqueiros holandeses, e os prprios engenhos eram fabricados naquele 
pas.
  Alm disso, com autorizao do rei de Portugal, os navios holandeses 
atracavam nos portos dos domnios portugueses, onde compravam as 
mercadorias para revend-las a outros pases. Desse comrcio participavam 
principalmente as especiarias, o acar e os escravos.

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  Figura 1 Mapa ilustrando a participao da Holanda no comrcio colonial.

  Holanda contra Espanha
  Se a Holanda era uma grande potncia martima no sculo XVI e XVII, a 
Espanha, por seu lado, possua o maior imprio do mundo em extenso. O 
imperador espanhol Filipe II reinava sobre grande parte da Europa, incluindo a 
Holanda, e possua ainda um imenso e rico imprio colonial.(Figura2)
  Portugal sentia constantemente a ameaa de seu poderoso vizinho, ameaa 
essa que afinal se concretizou em 1580: o rei da Espanha tornou-se tambm 
rei de Portugal, durando esse domnio at 1640.
  As provncias dos Pases Baixos, que pertenciam ao imprio espanhol, 
sentiam-se prejudicadas pelos tributos pagos  Espanha. Por isso elas se 
uniram na luta pela independncia.
  Para enfraquecer os holandeses, Filipe I pensou em destruir seu poderio 
comercial, proibindo que os navios holandeses atracassem nos portos 
portugueses e de suas colnias.
  Mas os holandeses encontraram uma sada. Fundaram a Companhia de 
Comrcio da ndias Orientais, equipada com navios mercantes e de guerra. 
Atacaram e conquistaram territrios portugueses e espanhis na frica e na 
sia.
  Figura 2 O imprio espanhol no sculo XVI

  Em 1578, o rei de Portugal, D. Sebastio I, morreu numa expedio militar 
contra os muulmanos no norte da frica. O trono foi ocupado pelo velho tio-
av do rei, que s viveu dois anos e no deixou herdeiros. O monarca da 
Espanha, Filipe II, logo imps seu domnio sobre Portugal, usando o pretexto 
de que era neto de D. Manuel (rei que governava Portugal na poca da 
chegada ao Brasil).

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  Mais tarde, os holandeses resolveram criar outra companhia de comrcio, a 
das ndias Ocidentais (em 1621), com a inteno de agir na Amrica. Uma de 
suas iniciativas foi fundar Nova Amsterd (em 1621), na Amrica do Norte, 
que deu origem  cidade de Nova Iorque.
  Os holandeses tambm ocuparam as Antilhas, na Amrica Central (domnios 
espanhis) e o Nordeste brasileiro, com o objetivo de controlar diretamente a 
fonte produtora do acar. Figura 4: Conquistas holandesas na sia, frica e 
Amrica.

  Um Brasil holands
  A primeira tentativa holandesa de ocupao do Brasil se deu em 1624, na 
Bahia. Mas a conquista no se concretizou: a Espanha organizou uma 
esquadra formada por navios espanhis e portugueses, que derrotou os 
holandeses.
  Em 1630, os holandeses fizeram uma nova tentativa, dirigindo-se, dessa vez, 
a Pernambuco. Conseguiram dominar a capitania e instalaram a sede do 
governo holands na cidade de Olinda, logo depois transferida para Recife. 
Num perodo de 24 anos, (at 1654), mantiveram uma grande rea sob seu 
domnio, que ia desde Alagoas at o Rio Grande do Norte.
  Figura 5 mapa: Domnio holands no Brasil.
  No incio, os senhores de engenho combateram os holandeses, o que resultou 
na destruio de suas lavouras e na fuga de muitos escravos.

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  Foi justamente nessa poca que se formou o quilombo dos Palmares (veja 
pg. 74).
  Logo os proprietrios de terra perceberam que os holandeses no 
prejudicavam seus negcios, pois no pretendiam apoderar-se de suas 
propriedades. O interesse da Holanda era apenas dominar o comrcio do 
acar. Assim, os senhores de engenho acabaram aceitando a presena do 
governo holands.
  Essa convivncia pacfica se consolidou principalmente depois da chegada 
do governador holands Maurcio de Nassau. Este ganhou a simpatia dos 
proprietrios de terras, facilitando a concesso de emprstimos da Companhia 
das ndias Ocidentais.Com eles, foram reorganizados as plantaes e 
comprados mais escravos. Figura 6: Maurcio de Nassau fundou, na ilha 
fluvial de Antnio Vaz, uma cidade chamada Maurcia, que se ligou  j 
existente cidade de Recife.

  Alm disso, os holandeses convidaram os proprietrios a participar da 
administrao e at permitiram que realizassem assemblias, onde 
apresentavam sugestes e reclamaes.
  No Recife realizaram-se obras para a ampliao e o calamento das ruas e 
construo de pontes.
  A vinda de pintores, mdicos, astrnomos, e cientistas resultou em um 
desenvolvimento cultural at ento desconhecido na regio.

  Portugal contra a Espanha: a Restaurao
  Como vimos, em 1580 a Espanha passou a dominar Portugal, e o rei 
espanhol tornou-se monarca dos dois pases.
  Em dezembro de 1640, a nobreza de Portugal atacou o palcio do governo 
espanhol em Lisboa, com o apoio da populao da cidade, e aclamou um novo 
rei para Portugal: D. Joo IV, Duque de Bragana (descendente de antigos 
monarcas portugueses e que iniciou a dinastia de Bragana).
  Durante um ano, Portugal teve que enfrentar o poderio militar da Espanha, 
mas conseguiu manter a independncia.
  No entanto, os holandeses continuavam dominando muitos dos territrios 
portugueses na frica, na sia e ainda ocupavam o Nordeste do Brasil. O 
novo governo portugus no tinha condies de reconquistar suas colnias, 
pois o pas estava extremamente enfraquecido.

  Os luso-brasileiros contra a Holanda

  Mas os prprios holandeses comearam a enfrentar problemas no Brasil. A 
Companhia de Comrcio das ndias Ocidentais entrou em desacordo com a 
poltica de Maurcio de Nassau, que acabou sendo afastado do cargo ( 1644).
  Desde ento, modificaram-se totalmente as relaes entre os holandeses e os 
proprietrios de terras. A Companhia de Comrcio comeou cobrar as dvidas 
dos emprstimos que haviam feito e, se os proprietrios no tivessem como 
pag-las, perdiam terras, engenhos e escravos.

  A Insurreio Pernambucana
  Por essa razo, foram os prprios senhores de engenho, portugueses ou seus 
descendentes j nascidos no Brasil (luso-brasileiros), que lideraram a luta para 
a expulso dos holandeses. Houve vrios combates entre 1645 e 1654, 
destacando-se duas importantes batalhas travadas nos montes Guararapes: a 
primeira batalha de Guararapes, em 1648, e a Segunda batalha de Guararapes, 
em 1649. 
  Figura 7: Batalha de Guararapes, retratada num painel da Igreja de Nossa 
Senhora da Conceio dos Militares, no Recife.

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  Na luta contra os holandeses, conhecida como Insurreio Pernambucana, as 
foras conjuntas dos colonos, escravos e ndios, com auxlio de Portugal, 
acabaram obrigando os holandeses a deixar definitivamente o Brasil em 1654.
  Portugal, no entanto, contou tambm com o apoio da Inglaterra, que forneceu 
armas, munies e dinheiro. A participao desse pas na expulso dos 
holandeses do Brasil se explica pelo fato de os inglese estarem, nessa poca, 
em guerra contra a Holanda.
  Ainda no sculo XVI, a Inglaterra comeou a disputar a posio de liderana 
no comrcio martimo, com Portugal, Espanha e Holanda, agindo 
diferentemente em relao a cada um desses pases.
  Portugal ficou nas mos dos ingleses, por meio de tratados que 
transformaram o pequeno reino ibrico num pas pobre, arruinado e 
dependente.
  Com a Espanha, o confronto foi direto. Em 1588 o rei da Espanha, Filipi II, 
enviou uma formidvel esquadra para combater os ingleses, chamada 
Invencvel Armada, que no entanto foi vencida.
  A Holanda entrou na mira do governo ingls no sculo XVII . A Inglaterra 
proibiu o transporte de l inglesa em navios holandeses e desenvolveu suas 
prprias manufaturas de tecidos.
  Alm disso, a Inglaterra e a Holanda acabaram tambm se confrontando em 
guerras (1652-1654 e 1665-1667), que terminaram com a vitria inglesa. 
Assim, a Inglaterra tornou-se a maior potncia martima da Europa.

  Atividades
  Atividade I  Ficha de leitura
  Faa a ficha de leitura do captulo 12, baseando-se no roteiro a seguir:
  1. Razes que explicam o empobrecimento de Portugal, apesar dos grandes 
lucros que obtinha com o comrcio colonial.
  2. Participao da Holanda no comrcio colonial portugus.
  3. Situao de Portugal e da Holanda em relao  Espanha no sculo XVII.
  4. Objetivo de Filipe II, rei de Espanha, ao impedir que os navios holandeses 
atracassem nos portos de Portugal e de suas colnias.
  5. Soluo encontrada pela Holanda para manter sua posio no comrcio  
colonial.
  6. A reao inicial dos senhores de engenho  ocupao holandesa e suas 
conseqncias.
  7. Razes de aceitao do domnio holands pelos senhores de engenho.
  8. Atuao do governo holands no Brasil.
  9. Razo pela qual Portugal no empreendeu a expulso dos holandeses do 
Brasil logo aps sua independncia do domnio espanhol (1640).
  10. Razes que explicam o empenho dos senhores de engenho em expulsar 
os holandeses, aps a sada de Maurcio de Nassau.
  11. Foras que se aliaram na expulso dos holandeses e participao da 
Inglaterra.

  Atividade II  Estudo de outras fontes

  Documento
  Trecho de um documento escrito por Maurcio de Nassau, ao deixar o 
governo do Brasil, fazendo recomendaes a seus sucessores.

  Devem V. Sas. Abster-se de lanar novos impostos, pois os tributos geram 
indisposio no povo.
  O povo  um rebanho de carneiros que se tosquiam, mas quando a tosquia 
vai at a carne, produz infalivelmente a dor e, como esses carneiros 
raciocinam, por isso mesmo se convertem muitas vezes em terrveis alimrias 
[animais].
  Quanto a cobrana das dvidas da Companhia, deve-se proceder com rigor 
contra os negociantes,(...)
  Em relao aos lavradores e aos senhores de engenho, convm proceder com 
mais brandura, examinando-lhes os frutos no comeo das safras e 
concordando com eles sobre a parte que ho de entregar; no que se usar de 
moderao de modo que eles no fiquem inteiramente privados dos meios 
necessrios para porem a moer os engenhos no ano seguinte.

  1. Qual era a opinio de Maurcio de Nassau sobre a cobrana de impostos? 
Por qu?
  2. Ainda segundo Nassau, qual era a forma mais adequada de tratar os 
senhores de engenho, em relao s suas dvidas? Por qu?
  3. Segundo as informaes do captulo, os sucessores de Nassau agiram 
conforme suas recomendaes? Justifique. 

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  Encerramento da Unidade

  Atividade I  Em grupos
 Discutir os objetivos apresentados no incio da unidade, sob o ttulo: O que  
importante aprender?  Redigir um pequeno texto sobre cada um dos temas.

  Atividade II  Em grupos
  Fazer a maquete de um engenho (abrangendo toda a propriedade), com base 
na planta apresentada na pgina 77.

  Instrues
  Maquete
  A base da maquete pode ser uma placa de madeira, isopor ou papelo grosso.
  A placa pode ser revestida com uma camada de papel mach (massa de papel 
higinico dissolvido em gua, espremido e misturado a seguir com cola 
branca). Isso no  indispensvel, mas permite criar irregularidades no 
terreno.
  As divises das vrias reas do engenho devem ser proporcionais, seguindo o 
modelo da planta.
  A casa-grande e as construes podem ser feitas com vrios materiais: placas 
de isopor, madeira balsa, papel carto e at mesmo sabo em pedra esculpido. 
Tudo depende do material de que se dispe e da criatividade de quem faz o 
trabalho.
  Os terrenos de cultivo e as matas tambm podem ser representados com 
diferentes materiais: terra, areia, papel picadinho, serragem pintada e 
galhinhos de vegetais secos e pintados.

  Preparao para a prxima unidade

  Atividade em grupos
  Analisar o mapa da pgina 87, que representa a Amrica do Sul e o Brasil 
atuais, e responder:
  1. Uma caravana partiu de Pernambuco e seguiu por terra, junto ao litoral, 
em direo a Belm. Que Estados a caravana ter que atravessar?
  2. Qual  o nome do rio que atravessa os Estados de Minas e Bahia, faz 
divisa entre Bahia e Pernambuco e entre Sergipe e Alagoas, desaguando no 
Atlntico?
  3. Como se chama a capital do Estado da Paraba?
  4. Natal, Fortaleza e So Lus so capitais de que Estados?
  5. Se uma embarcao subir o rio Amazonas, chegar a qual pas?
  6. Se uma caravana partir de So Vicente , viajando por terra junto ao litoral 
em direo ao sul, atravessar quais Estados at chegar ao Rio Grande do Sul?
  7. Como se chama a capital do Rio Grande do Sul?
  8. Que pases fazem fronteira com o Rio Grande do Sul, o Mato Grosso do 
Sul e o Paran?
  9. Que rio teria que ser navegado para se sair de So Paulo em direo ao 
Mato Grosso do Sul por via fluvial?
  10. Qual a serra que precisa ser transposta para se sair de So Paulo e chegar 
a Belo Horizonte?
  11. Localize no mapa as cidades de Paranagu, So Francisco do Sul, 
Curitiba, Florianpolis e Laguna. A quais estados pertencem essas cidades?

-- Pgina 87

  Pea orientaes ao seu professor sobre o Mapa: Amrica do Sul e Brasil na 
Atualidade (Divises polticas)

  Unidade VI

  A colnia cresce e aparece
  Durante o sculo XVI, os portugueses apenas conseguiram garantir a posse 
de uma estreita faixa do litoral do Brasil, que ia da capitania de Pernambuco 
at a de So Vicente.
  Mas o territrio que cabia a Portugal pelo Tratado de Tordesilhas abrangia 
uma rea muito maior:  a fronteira portuguesa ia da ilha de Maraj, na foz do 
rio Amazonas, at a capitania de Santana, ao sul, prxima de So Vicente.
  No perodo em que Portugal e Espanha estiveram unidos (de 1580 a 1640), 
as foras militares portuguesas e espanholas lutaram contra os franceses que 
haviam se estabelecido em algumas reas do litoral norte da colnia. Assim, 
garantiram o domnio sobre a faixa litornea que vai de Pernambuco at 
Belm. 

  Figura 1:  A ocupao do litoral do Nordeste pelos portugueses foi realizada 
a partir do confronto militar com outros estrangeiros que tambm tentavam 
controlar a rea. Por isso, vrias cidades ali fu dadas tiveram origem em 
fortalezas.

-- Pgina 89

  O interior do Nordeste, por sua vez, foi sendo ocupado devido  expanso da 
pecuria, com a formao de grandes fazendas de gado.
  Mas o avano da colonizao portuguesa no se faz apenas dentro dos limites 
do Tratado de Tordesilhas: no norte, padres jesutas fundaram numerosas 
misses ao longo do rio Amazonas; no sul, habitantes de So Paulo de 
Piratininga percorreram o interior, em expedies chamadas bandeiras, que 
tinham como objetivo capturar e escravizar ndios ou procurar metais 
preciosos.
  A conquista da terra foi feita  custa da dizimao de milhares de ndios, 
mortos ou escravizados pelos colonos. As tribos que restaram se embrenharam 
cada vez mais o oeste, buscando as regies que ainda no tinham sido 
devastadas pelo branco.
  O aumento da rea de colonizao portuguesa, foi, por outro lado, 
acompanhado do desenvolvimento da agricultura e da pecuria na colnia.

  O que  importante aprender
  Durante o estudo desta unidade, procure concentrar-se nos seguintes 
objetivos:
  - Explicar por que a criao de gado se espalhou pelo interior do Nordeste.
  - Descrever o funcionamento de uma fazenda de gado.
  - Explicar qual o interesse dos franceses em ocupar territrios no litoral norte 
do Brasil.
  - Descrever a ocupao da Amaznia pelos jesutas.
  - Explicar por que os paulistas se tornaram caadores de ndios.
  - Explicar por que a Coroa portuguesa se interessou em ocupar o Sul e como 
foi essa ocupao.

-- Pgina 90

  Captulo 14
  A conquista do Norte e do Nordeste

  Recordando
No decorrer do sculo XVI, a colonizao portuguesa praticamente se limitava 
a uma estreita faixa junto ao litoral, concentrando-se  principalmente na regio 
do Nordeste, onde se desenvolveu a produo do acar.

  No sculo XVII a colonizao ampliou seu espao e ultrapassou os limites 
impostos pelo Tratado de Tordesilhas.

  Passa boi, passa boiada
  Um dos fatores que permitiram aos portugueses ampliar sua rea de 
ocupao foi a expanso da pecuria no interior no Nordeste.
  Inicialmente, como vimos, havia uma rea destinada  criao de gado, nas 
prprias fazendas de cana-de-acar. Durante o sculo XVI, no entanto, o 
preo que os comerciantes europeus pagavam pelo acar foi subindo cada 
vez mais e, conseqentemente, os proprietrios dos canaviais e dos engenhos 
perceberam que teriam mais lucros se aproveitassem totalmente suas terras 
com o cultivo da cana. Por isso, aos poucos, acabaram com a criao de gado 
em suas propriedades. Mas havia grande necessidade de gado bovino, tanto 
para o trabalho nos engenhos e no transporte da cana como para a alimentao 
dos habitantes da colnia.

  Figura 1  O carro de boi era o principal veculo utilizado no transporte de 
cargas no Nordeste. Gravura de Debret.

  Por isso, comearam a se formar fazendas de gado, inicialmente nas 
proximidades dos canaviais de Pernambuco e Bahia. Depois a rea de criao 
foi se estendendo, seguindo o curso dos rios do Nordeste, cada vez mais para o 
interior.

  Figura 2  Pea explicaes ao professor sobre : Mapa das reas de Pecuria 
no Nordeste  Sc. XVIII

-- Pgina 91

  Com o avano do gado pelo serto, a guerra dos portugueses contra os ndios 
se intensificou. Depois de perderem suas terras, as nicas alternativas que 
restavam aos indgenas eram recuar, internando-se nas matas, ou ento aceitar 
a presena do invasor, convivendo com ele, s vezes como seus escravos.
   medida que a terra ia sendo conquistada, formavam-se fazendas de gado, 
imensas propriedades que os fazendeiros recebiam como sesmarias(veja pg. 
55) e que foram se estendendo pelo serto nordestino no decorrer dos sculos 
XVII e XVIII.
  Para o proprietrio era mais fcil criar gado que formar um canavial. Bastava 
construir uma pequena casa de madeira, coberta de palha, e um curral, 
iniciando a criao com algumas cabeas.
  O fazendeiro precisava de apenas dez a quinze trabalhadores para cuidar de 
seu gado e freqentemente no morava na propriedade. Costumava ter um 
administrador  o vaqueiro  e viver numa vila do litoral
  Esses grandes fazendeiros de gado deram origem a uma camada social de 
latifundirios ricos e poderosos, que muitas vezes entraram em conflito uns 
com os outros.
  O isolamento em que viviam os moradores das fazendas de gado contribuiu 
para a formao de bandos de capangas, a servio de um ou de outro 
fazendeiro, que atacavam as propriedades e praticavam toda sorte de crimes.
  Os vaqueiros eram trabalhadores livres e recebiam seu pagamento em crias. 
Aps quatro ou cinco anos de servio, tinham o direito de ficar com um em 
cada quatro bezerros que nasciam. Com isso, alguns vaqueiros conseguiam 
reunir, depois de certo tempo de trabalho, uma quantidade de animais 
suficiente para formar sua prpria fazenda.
  Alm esses trabalhadores livres, havia tambm escravos nas fazendas de 
gado, embora em quantidade muito menor do que nos engenhos. Apesar da 
existncia de alguns escravos negros, a maioria era formada por ndios e 
mestios. Alm de lidar com os animais, os escravos se ocupavam tambm da 
plantao de roas de gneros alimentcios.
  A distncia que separava essas regies das reas mais populosas do litoral fez 
com que no serto do Nordeste surgissem modos de vida muito diferentes dos 
de outros lugares da colnia.
  Alguns autores lembram, por exemplo, a importncia do couro na vida 
dessas pessoas: o couro era matria-prima para uma infinidade de objetos, 
desde a cama, a porta das cabanas, a roupa, at os recipientes para guardar 
gua e comida.

  Quem ficar com o Norte ?
  Como j vimos, desde o incio da colonizao comearam a chegar navios de
outros pases da Europa, disputando com os portugueses partes dos seus 
domnios na Amrica.

  Figura 3- Pea explicaes ao professor sobre o Mapa: Tentativas de 
ocupao por outros pases.

-- Pgina 92

  No Nordeste, at o incio do sculo XVII, a conquista portuguesa alcanara 
apenas o Rio Grande do Norte, onde se fundou a cidade de Natal.

  Figura 4  Forte dos Reis Magos, no Rio Grande do Norte. Fundado em 
1598, deu origem  cidade de Natal.

  Em 1612, uma expedio portuguesa avanou at o litoral do atual Estado do 
Cear, onde venceu os franceses ali instalados e fundou um pequeno forte e 
um povoado que deu origem  cidade de Fortaleza.
  Nesse mesmo ano, trs navios franceses chegaram  ilha de Maranho (atual 
ilha de So Lus), onde seus tripulantes ergueram o forte de So Lus, com o 
objetivo de formar uma colnia francesa. Planejavam ocupar toda a faixa que 
vai desde o Cabo de So Roque (Rio Grande do Norte) at a foz do rio 
Amazonas.
  No ano seguinte, os portugueses comearam a atacar a colnia francesa do 
Maranho, contando com um numeroso exrcito de ndios aliados. Em 1615, 
os franceses e as tribos que os apoiavam foram vencidos.
  Formou-se, ento, um ncleo de ocupao portuguesa na regio, tendo como 
centro o povoado que daria origem  cidade de Belm.

  Em busca das riquezas da floresta
  Mas a Floresta Amaznica, que se estendia a oeste de Belm, representava 
ainda um imenso obstculo  colonizao daquela rea. De acordo com o 
tratado de Tordesilhas, a regio pertencia  Espanha, que para l enviou 
expedies em 1539 e 1541. Foram os portugueses, no entanto, que iniciaram 
a ocupao de toda rea, em 1637, quando uma expedio portuguesa formada 
por setenta soldados e 1200 ndios subiu o rio Amazonas e tomou posse da 
regio para a Coroa portuguesa.
  Para defend-la foram erguidos vrios fortes. Mas, para l se dirigiram 
tambm padres franciscanos, carmelitas e principalmente jesutas. Eles 
ganharam a confiana dos ndios e estabeleceram inmeras aldeias 
missionrias.

 Figura 5 mapa: Ocupao da Amaznia  Sculos XVII e XVIII.

-- Pgina 93

  Os ndios aldeados, isto , reunidos nas misses, conheciam a selva, sabiam 
enfrentar seus perigos e navegar em seus rios para explorar as riquezas da 
floresta. Assim, eles passaram a realizar dois tipos principais de tarefas.
  Alguns se dedicavam  caa, pesca e agricultura, para o sustento da misso, e 
outros saam para a floresta a fim de colher cravo, canela, castanha-do-par, 
cacau, urucum, salsaparrilha, sementes, etc.
  Esses produtos, conhecidos pelo nome de drogas do serto, eram 
transportados pelos ndios em canoas at Belm e, dali, exportados para a 
Europa. Seu comrcio trazia altos lucros para as ordens religiosas 
estabelecidas na Amaznia, principalmente para os jesutas.
  Embora essas misses estivessem muito distantes umas das outras, foram 
importantes para marcar a presena dos portugueses na regio, garantindo-lhes 
a posse desse imenso territrio.

  Atividades
  Atividade I  Ficha de Leitura
  Faa a ficha de leitura do captulo 14, baseando-se no roteiro a seguir:
  1. Formas de utilizao do gado bovino nos engenhos.
  2. Razo pela qual o gado deixou de ser criado nos engenhos.
  3. rea de expanso da criao de gado.
  4. Diferenas entre a atividade canavieira e a criao de gado:
  a) para o proprietrio;
  b) para o trabalhador.
  5. Principal concorrente dos portugueses na ocupao dos territrios a 
noroeste de Natal.
  6. Povoados que surgiram a partir dessa disputa, no litoral norte, no sculo 
XVII.
  7. Formas de ocupao portuguesa da Floresta Amaznica no sculo XVII.
  8. Interesse econmico dos portugueses na explorao da Floresta 
Amaznica.
  9. O papel das misses jesuticas para garantir a ocupao portuguesa na 
Amaznia.

  Atividade II  Estudo de outras fontes

  Texto complementar
  (...) No vale amaznico os gneros de atividade se reduzem praticamente a 
dois: penetrar a floresta ou os rios para colher os produtos ou capturar o peixe; 
e conduzir as embarcaes que fazem todo o transporte e constituem o nico 
meio de locomoo. Para ambos estava o indgena admiravelmente preparado. 
A colheita, a caa, a pesca j so seus recursos antes da vinda do branco; 
como pescador sobretudo, suas qualidades so notveis, e os colonos s 
tiveram neste terreno de aprender com ele. Remador, tambm  exmio: 
ningum como o ndio suporta os longos trajetos, do raiar ao pr-do-sol, sem 
uma pausa; ningum espreita e percebe como ele os caprichos da correnteza, 
tirando dela o melhor partido; ningum compreende to bem o emaranhado 
dos cais que formam esta rede complicada e varivel de poca para poca em 
que se dividem e subdividem os rios amaznicos. Empregado assim em tarefas 
que lhe so familiares, ao contrrio do que se deu na agricultura e na 
minerao[...] o ndio se amoldou com muito mais facilidade  colonizao e 
domnio do branco. No se precisou do negro.
  (Prado Jr., Caio.Histria econmica do Brasil. So Paulo: Brasiliense, 1963. 
P. 72.)

  1. Que qualidades os indgenas possuam, que os tornaram indispensveis  
explorao da floresta pelos portugueses?
  2. Por que, na regio amaznica, os colonos no tiveram dificuldade em 
submeter os indgenas, como ocorreu em outras regies?

  Sugesto de atividade complementar
  Reler o captulo 10 (unidade IV) na p. 59. Essa leitura  importante para a 
compreenso do prximo captulo.

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  Captulo 15
  So Paulo: porta de entrada para os sertes
  Recordando
  Em meados do sculo XVI, os vicentinos alcanaram o planalto de 
Piratininga. Ali, os jesutas fundaram o Colgio de So Paulo, que deu origem 
 vila do mesmo nome.

  Os colonos que ocuparam o planalto de Piratinga no tinham grandes 
esperanas de enriquecimento, como ocorria com os que se instalaram no 
litoral, onde se desenvolvia a atividade aucareira.
  Isso porque, naquela poca, no havia condies de se produzir acar no 
planalto, devido  grande distncia do litoral e a dificuldade de transporte 
representada pela serra do Mar. Assim, nas terras recebidas como sesmarias, 
nas proximidades do Colgio de So Paulo, os primeiros colonos cultivaram 
gneros alimentcios, utilizando como mo-de-obra os ndios das aldeias 
jesuticas.
  Alm disso, os colonos paulistas iniciaram a criao de gado, produzindo 
carne salgada ou defumada, que era vendida no litoral (So Vicente e Santos). 
Assim, as terras ao redor da vila de So Paulo foram sendo povoadas pelos 
portugueses.

  Pelos caminhos do serto
  No final do sculo XVI e incio do sculo XVII, grupos de paulistas, 
acompanhados de ndios, partiram da vila de So Paulo em busca de riquezas 
minerais (ouro, prata, pedras preciosas). A idia de descobrir essas riquezas no 
Brasil estava sempre presente.
  No foram encontrados os cobiados minrios, a no ser o chamado ouro de 
lavagem, que se acha no leito dos rios. Esse ouro no representava nenhuma 
grande fortuna, mas os paulistas voltavam de suas viagens trazendo inmeros 
ndios cativos.
  Contando com mais trabalhadores para as lavouras e os campos de criao de 
gado, alguns paulistas ampliaram a ocupao das terras no planalto e nelas 
iniciaram a produo de trigo. Assim, povoaram as reas nos arredores de So 
Paulo, onde surgiram as cidades de Moji das Cruzes, Santana do Parnaba, 
Jundia, Itu e Sorocaba.

  Figura 1  Quadro do pintor Ettore Marangoni, reconstituindo a fundao de 
Sorocaba, que se tornou vila em 1661.

  Nas fazendas maiores instalaram-se moinhos de trigo, onde se produzia 
farinha para ser vendida no litoral e exportada para outras capitanias (Rio de 
Janeiro, Bahia e Pernambuco). Os ndios transportavam a farinha em pesados 
cestos colocados nas costas e desciam a p a serra do Mar, pela antiga trilha 
dos ndios tupiniquins. O carregamento levava dois dias tupiniquins. O 
carregamento levava dois dias para chegar a Cubato, de onde seguia em 
canoas at So Vicente e Santos.
  Apesar da prosperidade de alguns grandes plantadores de trigo em So Paulo, 
sua fortuna nunca se comparou com a dos senhores de engenho. Os paulistas 
no tinham dinheiro suficiente para substituir os escravos indgenas por 
africanos, como foi feito nas regies aucareiras, e por isso dependiam 
inteiramente dos escravos indgenas: mulheres para plantaes e colheitas e 
homens para o carregamento da farinha.
  Com o desenvolvimento das plantaes de trigo, aumentou cada vez mais a 
necessidade de mo-de-obra, principalmente porque era grande a mortalidade 
dos ndios, em conseqncia do trabalho escravo e do contato com doenas 
trazidas pelo branco.

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  Bandeirante: caador de ndios
  A necessidade crescente de escravos levou os paulistas a organizar 
expedies, conhecidas como bandeiras, que partiam da vila de So Paulo e 
embrenhavam-se pelos sertes, para capturar ndios.
  Muitas bandeiras eram financiadas por grandes proprietrios de terras 
paulistas, em troca da metade dos ndios aprisionados.
  As bandeiras tomaram diferentes direes. No incio seguiam pelo vale do 
rio Paraba, ou se dirigiam ao Oeste de So Paulo. Depois alcanaram outras 
regies.
  Na prpria bandeira havia um grande nmero de ndios, trabalhando como 
carregadores, cozinheiros, guias e coletores dos produtores da mata, 
necessrios  alimentao do grupo. E tinham tambm a funo de soldados, 
atividade em que usavam as prprias armas: arco e flechas.
  Figura 2  Pea explicaes ao seu professor:
  Numa bandeira havia colonos, ndios e negros. O grupo percorria grandes 
distncias, utilizando o cavalo ou canoas como meio de transporte, com o 
objetivo de apresar ndios ou procurar riquezas minerais.

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  A bagagem do bandeirante compunha-se de bas de couro, cheios de plvora 
e chumbo, cobertas, redes e provises de farinha. Levavam tambm 
machados, foices, faces, arcabuzes, escopetas e mosquetes. E no faltavam 
as cordas, para prender e conduzir os ndios cativos.
   medida que os paulistas foram destruindo as comunidades indgenas nas 
reas mais prximas de So Paulo, as expedies tinham que ir cada vez mais 
longe. Com isso, seu principal alvo tornou-se a regio Sil, onde viviam os 
ndios guaranis. Os colonos consideravam esse grupo indgena o mais 
eficiente como trabalhadores, pois eles praticavam a agricultura em suas 
aldeias.

  As misses dos guaranis
  Os jesutas tambm se interessaram por essa nao indgena e j vinham 
desde 1609 organizando misses que reuniam ndios guaranis no Paraguai 
(territrio pertencente  Espanha), como as de Guair, Tape e Itatin.
  Figura 3  Bandeiras nos sculos XVII e XVIII  Pea explicaes ao seu 
professor.
  Para os paulistas, nada melhor do que se apossar desses ndios aldeados, 
acostumados ao contato com os europeus e com o trabalho disciplinado das 
misses. Prepararam o ataque, utilizando um grande nmero de pindios 
guerreiros da tribo dos tememins, inimigos mortais dos guaranis. Entre 1621 
e 1641, as misses jesuticas do Sul foram totalmente destrudas, calculando-
se em 60 mil o nmero de ndios capturados pelos bandeirantes.
  Mas grande parte deles nem chegou a So Paulo, tendo morrido de fome, 
cansao ou doena durante a viagem. Para avaliarmos essa mortalidade, basta 
dizer que, numa das expedies, dos 7 mil ndios capturados, apenas mil 
sobreviveram.
  Uma parte dos sobreviventes era vendida a outras capitanias, para trabalhar 
junto com os escravos negros nas plantaes e nos engenhos de acar. Mas 
um grande contingente destinava-se ao trabalho nas prprias fazendas de So 
Paulo e ao transporte de mercadorias para o litoral.

  Mais longe, novas fronteiras
  A partir de 1640, os bandeirantes encontraram dificuldades cada vez maiores 
para aprisionar ndios. Voltaram ao Sil em 1648 e em 1676, mas os jesutas 
haviam deslocado as misses para reas mais distantes.
  Os paulistas procuraram ento outros caminhos, e as novas expedies 
dirigiram-se ao rio So Francisco e  regio dos rios Araguaia e Tocantins.
  Para atingir regies to distantes, era necessrio organizar as bandeiras de 
modo diferente, pois no seria possvel sobreviver muito tempo apenas com os 
recursos que levavam ou com o que podiam retirar das matas.
  Por isso, antes da partida da bandeira, um grupo seguia na frente para criar 
postos de abastecimento ao longo do caminho. Estabeleciam-se num local, 
faziam plantaes de feijo, milho, batatas, que iriam ser consumidas pelos 
membros da expedio, quando esta passasse por ali. Dessa forma, criaram-se 
vrios ncleos de povoamento que deram origem a diversas cidades em Minas 
Gerais, Gois e Mato Grosso.

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  Mas essas expedies eram muito mais arriscadas do que as anteriores e no 
deram os resultados que os paulistas esperavam. Era impossvel trazer de 
lugares to distantes um nmero muito grande de ndios vivos.
  A falta de mo-de-obra acabou afetando a agricultura paulista. No final do 
sculo XVII ela comeou a declinar por falta de braos e tambm por causa 
das constantes rebelies e fugas dos ndios escravizados.

  A fama dos paulistas tambm vai longe
  No decorrer do sculo XVII, governadores, proprietrios de terras e cmaras 
municipais de vrias capitanias, principalmente do Nordeste, contrataram os 
bandeirantes paulistas e seus ndios guerreiros para combater rebelies de 
escravos, tribos inimigas ou, ainda, europeus de outros pases que disputavam 
com os portugueses o domnio de alguma regio. Essas expedies so 
conhecidas por sertanismo de contrato.

  A ordem  achar ouro
  No final do sculo XVII a Coroa portuguesa passava por uma profunda crise 
financeira. Por isso voltou  a incentivar expedies para a busca de metais 
preciosos.
  Os paulistas organizaram ento outras bandeiras com a finalidade de procurar 
ouro e pedras preciosas. Seu objetivo foi alcanado quando encontraram ouro 
na regio que ficou conhecida como Minas Gerais. Esse achado iria modificar 
inteiramente a situao da colnia, como veremos adiante.
  Figura 4  Pea para o seu professor descrever.
  Os ndios aliados dos portugueses participaram, sob o comando de alguns 
bandeirante paulistas, de combates travados contra outras tribos, contra os 
quilombos ou contra os outros europeus que disputavam com a Coroa 
portuguesa o domnio sobre reas no Brasil.
  A- Em 1639, bandeirantes paulistas se juntaram s tropas que lutaram para 
impedir a ocupao da Bahia pelos holandeses. Em 1658 guerrearam contra os 
indgenas daquela capitania; em 1677 dizimaram uma tribo do vale do rio So 
Francisco; em 1680 destruram as tribos que lutavam contra o avano das 
fazendas de gado no Rio Grande do Norte e no Piau; em 1694 o bandeirante 
Domingos Jorge Velho, a servio do governo de Pernambuco, destruiu o 
quilombo dos Palmares (veja p. 74).

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  Atividades
  Atividade I  Ficha de leitura
  Faa a ficha de leitura do captulo 15, baseando-se no roteiro a seguir:
  1. Principal dificuldade para a produo de cana-de-acar no planalto de 
Piratininga.
  2. Atividades desenvolvidas pelos colonos no planalto de Piratininga nos 
primeiros tempos de colonizao.
  3. Objetivo e resultado das primeiras expedies paulistas.
  4. Relao entre a produo de trigo e o surgimento de novas cidades no 
planalto de Piratininga.
  5. A organizao do trabalho na produo de trigo e no transporte de farinha.
  6. Relao entre as bandeiras e a necessidade de mo-de-obra nas lavouras de 
trigo paulistas.
  7. Caractersticas de uma bandeira.
  8. Interesse dos paulistas nos ndios aldeados nas misses jesuticas do Sul e 
sua destruio.
  9. Relao entre as bandeiras e a formao de ncleos de povoamento em 
reas do interior.
  10. Razo do declnio da agricultura paulista no final do sculo XVII.
  11. A atuao dos bandeirantes no sertanismo de contrato.
  12. Razo do estmulo dado pela Coroa para a busca de minerais preciosos e 
a descoberta de ouro. 

  Documento
  Descrio do planalto de Piratininga pelo padre Ferno Cardim, 1585.

  Piratininga(...) est do mar, pelo serto dentro, doze lguas;  terra muito 
sadia, h nela grandes frios e geadas (...)  cheia de velhos mais que 
centenrios.(...) A vila est situada em bom stio ao longo de um rio caudal. 
Ter cento e vinte vizinhos [casas] com muita escravaria da terra. (...) Os 
padres os casam, batizam, lhes dizem as missas cantadas, fazem as procisses 
e ministram todos os sacramentos  (...) Os moradores sustentam seis ou sete 
dos nossos [padres], com suas esmolas, com grande abundncia:  terra de 
grandes campos ) que trazem cheias de vacas, que  formosura de ver. Tm 
muitas vinhas e fazem vinho (...), nunca vi em Portugal tantas uvas juntas 
como vi nestas vinhas; tem grandes figueiras de toda a sorte de figos (...) 
muitos marmeleiros, que do quatro camadas, uma aps outra, e h homem 
que colhe doze mil marmelos, de que fazem muitas marmeladas;(...) d-se 
trigo e cevada nos campos: um homem semeou uma Quarta de cevada e 
colheu sessenta alqueiras;  terra fertilssima, muito abastada(...) Tem grande 
falta de vestido, porque no vo os navios a So Vicente, seno tarde e 
pouco(...)
  (Cardim, Ferno. Tratados da terra e gente do Brasil.)

  1. Em que poca foi feito o relato ?
  2. A partir do relato do Padre Ferno Cardim, caracterize a vila de 
Piratininga nos seguintes aspectos:
  a) localizao;
  b) clima;
  c) populao;
  d) atividades econmicas.

  3. Transcreva o trecho do documento que permite concluir os moradores de 
Piratininga empregavam escravos indgenas em vez de negros.

  Sugesto de atividade complementar
  Atividade III  Em grupos
  Analisar o mapa da pgina 96, que mostra o roteiro das expedies dos 
bandeirantes, e responder:
  1. As bandeiras se limitaram a percorrer os territrios pertencentes a 
Portugal? Justifique sua resposta.
  2. Pelo Tratado de Tordesilhas, os territrios onde se situavam as misses de 
Guair, Itatin e Tape pertenciam a Portugal ou  Espanha?
  3. Qual o objetivo das bandeiras indicadas no mapa pela cor roxa?
  4. E das indicadas pela cor laranja ?
  5. E das indicadas pela cor rosa?

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  Captulo 16 
  A conquista do Sul
  Recordando
  Pela linha do Tratado de Tordesilhas, os limites das terras portuguesas na 
Amrica iam, no sul, at a capitania de So Vicente, mas incluam uma 
estreita faixa do litoral dos atuais Estados do Paran e de Santa Catarina 
  Na poca em que comeou a colonizao, ningum sabia ao certo onde se 
situavam os limites das terras portuguesas na Amrica, pois no existiam 
ainda tcnicas aperfeioadas de medio da superfcie da terra.
  Nessas condies, era muito difcil determinar o lugar que ficava exatamente 
a 370 lguas a oeste de Cabo Verde ((linha de Tordesilhas).
  Por isso, as fronteiras entre os domnios de Portugal e Espanha dependeram 
mais da capacidade de manter as regies conquistadas do que do Tratado. Por 
isso, no Sul, foram constantes as guerras entre portugueses e espanhis.

  O esturio do Prata

  Da expedio de Martim Afonso de Sousa, em 1532, participava tambm seu 
irmo, Pero Lopes de Sousa, que navegou at o rio da Prata, tomando posse da 
regio para o rei de Portugal.  Mas isso no era suficiente para o domnio, pois 
no se fundou ali nenhum povoado portugus. Em 1536, por sua vez, o rei da 
Espanha mandou construir na margem direita do esturio do rio da Prata uma 
cidade, que se chamou Buenos Aires.
  Durante o perodo em que Portugal esteve sob o domnio da Espanha (1580-
1640), o esturio do Prata se tornou  centro de um importante comrcio. 
Numerosas embarcaes navegavam ao longo da costa, de So Vicente a 
Buenos Aires, onde se vendiam os produtos do Brasil: acar, tabaco, 
algodo.
  Navios ingleses tambm se dirigiam ao rio da Prata, para vender 
clandestinamente as mercadorias da Inglaterra aos colonos espanhis (a 
Espanha no permitia que nenhum navio estrangeiro atracasse nos portos de 
suas colnias). Os colonos espanhis pagavam essas mercadorias do Brasil e 
da Inglaterra com a prata vinda das minas do Peru.
  E, desde o incio do sculo XVII, os jesutas comearam a fundar misses s 
margens do rio Uruguai onde se reuniram milhares de ndios e se introduziu a 
criao de gado bovino, eqino e muar.

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  Figura 3  Runas da igreja da misso jesutica de So Miguel, no atual 
Estado do Rio Grande do Sul.

  Como vimos no captulo anterior, os paulistas organizaram vrias bandeiras 
que se dirigiram s misses jesuticas do Sul, com a finalidade de aprisionar os 
ndios missioneiros. Vrias dessas misses foram destrudas pelos paulistas, e 
o gado ali criado ficou solto e espalhou-se pelas extensas plancies do atual 
Estado do Rio Grande do Sul, chamadas de campos de Viamo. Dispondo de 
excelentes pastagens naturais, esse gado se reproduziu rapidamente, passando 
a viver em estado selvagem.

  A busca do ouro tambm conduz ao Sul

  Nas suas viagens em direo ao sul, os bandeirantes tambm encontraram 
ouro de lavagem (veja pgina 94). Em conseqncias dessa descoberta 
formaram-se pequenos povoados junto ao litoral: Paranagu ( 1648), So 
Francisco do Sul ( 1658), Curitiba ( 1668, Desterro (atual Florianpolis, ( 
1675) e Laguna ( 1676).

  Povoar para garantir a posse

  Nesse perodo, o povoamento do Sul se fazia lentamente, graas s 
iniciativas dos prprios colonos.
  Mas, para a Coroa portuguesa, tambm era importante marcar presena 
nessas terras. Principalmente por causa do lucrativo comrcio que se fazia no 
esturio do Prata. Assim, em 1680, o rei de Portugal ordenou a fundao de 
um povoado, a colnia de Sacramento, que deveria se erguer em frente  
cidade de Buenos Aires, na outra margem do esturio. (Localize no mapa, 
figura 2).
  Sacramento tornou-se imediatamente alvo constante de ataque dos espanhis, 
que consideravam a presena portuguesa uma ameaa ao controle do esturio. 
Nos inmeros confrontos que ali se deram, morreram centenas de soldados e 
ndios que lutavam ou do lado dos portugueses, ou do lado dos espanhis. 
Sacramento passou a ser um peso para a Coroa portuguesa, que chegou a criar 
um regimento especial para fortalecer as defesas da regio: o Regimento dos 
Drages. Diante de todas essas dificuldades, o rei de Portugal ordenou, em 
1737, a fundao de uma nova cidade: Rio Grande de So Pedro. (Localize no 
mapa, figura 2.)
  Seus primeiros povoadores foram soldados, o que demostra a importncia da 
defesa dessa regio para a Coroa portuguesa.
  Depois, para ocupar a terra, Portugal incentivou a vinda de colonos 
portugueses, principalmente da ilha dos Aores. Assim, em 1740 chegaram  
regio 40 mil aorianos. A Coroa ofereceu uma srie de vantagens para atrair 
esses colonos: pagou a travessia do Atlntico, doou a cada famlia uma 
pequena parcela de terra, instrumentos agrcolas e animais de trabalho. Um de 
seus povoados, formado por sessenta casais em 1742, chamou-se Porto dos 
Casais, atual Porto Alegre. Localize no mapa, figura 2.) Graas ao trabalho 
dos colonos aorianos, desenvolveu-se a cultura do trigo e da vinha nessa 
regio.

-- Pgina 101

  A partir desses ncleos e tambm das povoaes formadas mais ao norte 
pelos paulistas, comeou o movimento de colonizao do interior do Rio 
Grande, atrado pelas extensas plancies onde vivia o gado selvagem. Era s 
ocupar a terra, domesticar o gado e virar um grande fazendeiro.
  No incio das propriedades. Com o tempo, a propriedade dessas terras foi se 
legalizando, pela concesso de sesmarias. Mas, embora a sesmaria se limitasse 
a trs lguas, ou seja 108 mil metros quadrados, os proprietrios acabavam 
ganhando muito mais, porque pediam concesses em nome dos filhos. O 
resultado foi a formao de imensos latifndios, que l so chamados de 
estncias.

  ATIVIDADES

  Atividade 1 - Ficha de leitura

  Faa a ficha de leitura do captulo 16, baseando-se no roteiro a seguir:
  1. Dificuldade de estabelecer os limites precisos entre os domnios 
portugueses e espanhis na Amrica.
  2. Pioneirismo espanhol na ocupao do esturio do Prata.
  3. Importncia econmica da cidade de Buenos Aires.
  4. A presena dos jesutas no esturio do Prata.
  5. O avano dos paulistas em direo ao sul, na busca de escravos ndios e de 
ouro. Povoados criados nesse percurso.
  6. Interesse da Coroa portuguesa no esturio do Prata.
  7. Povoados fundados pela Coroa portuguesa para garantir o controle sobre o 
Sul. Origem dos colonos trazidos pela Coroa.
  8. A formao das estncias no interior do Rio Grande do Sul.

  Atividade II - Estudo de outras fontes

  Texto complementar

  Por esse tempo muito povo descia para o Continente, cujas terras e gados 
seriam de quem primeiro chegasse.
  Homens da Laguna, de So Paulo, das Minas Gerais e do Planalto curitibano 
desciam pelos caminhos das tropas.
  Muitos navegavam os rios em busca de ouro e prata.
  Muitos requeriam sesmarias. Outros roubavam terras.
  Ladres de gado aos poucos iam virando estancieiros.
  Nasciam povoados nos vales e nas margens daqueles muitos rios.
  As campinas andavam infestadas de aventureiros, fugitivos do Presdio e da 
Colnia do Sacramento, homens sem lei e sem ptria, homens s vezes sem 
nome. E era com gente assim que Chico Rodrigues ingressava seu bando.
  Quais so teus inimigos?
  Os bugres, as feras, as cobras, os castelhanos e o Regimento de Drages.
  E teus amigos?
  Meu cavalo, meu mosquete, minhas garruchas, meu faco.
  (...) E de homens como ele havia centenas e centenas.
  As patas de seus cavalos, suas armas e seus peitos iam empurrando as linhas 
divisrias do Continente do Rio Grande de So Pedro.
  Queremos as ricas campinas do oeste e as (...)
  Pelos campos do Rio Pardo iam entrando na direo do poente, demandando 
as Misses. Ou desciam costeando as grandes lagoas, rumo do Prata.
  E em todas as direes penetravam na terra dos minuanos, tapes, charruas, 
guenoas, arachanes, caaguas, guaranis e guarans.
  A fronteira marchava com eles, Eles eram a fronteira.
  (Verssimo, rico, O tempo e o vento, p. 63.)

  1. O que atraa tanta gente de Laguna, So Paulo, Minas Gerais, planalto 
curitibano, para o Sul?
  2. O autor se refere a bandos de aventureiros que agiam na regio.
  a). Quem formava esses bandos?
  b). Com quem lutavam?
  c). Com que armas lutavam?
  d). Por que lutavam?
  e). Que outros perigos enfrentavam?

  3. Quem eram os castelhanos?
  4. O que era Regimento dos Drages?
  5. O que significa a frase: "As patas de seus cavalos, suas armas e seus peitos 
iam empurrando as linhas divisrias do Continente do Rio Grande de So 
Pedro"?
  6. Quem eram os "minuanos, tapes, charruas, guenoas, arachanes, caaguas, 
guaranis e guarans"?
  7. O que acontecia com eles, quando se confrontavam com os aventureiros de 
que fala o texto?

-- Pgina 102

  ENCERRAMENTO DA UNIDADE

  Atividade I - Em grupos

  Discutir os objetivos apresentados no incio da unidade, sob o ttulo: "O que 
 importante aprender". Redigir um pequeno texto sobre cada um dos temas.

  Atividade II - Em grupos

  Comparar os mapas abaixo e escrever um pequeno texto explicando as 
mudanas que ocorreram na ocupao da colnia no decorrer dos sculos XVI 
e XVII.

  Brasil no sculo XVI 
  rea de ocorrncia do pau-brasil - Cana-de-acar
  Pecuria
  (Pea para o seu professor descrever)

  Brasil no sculo XVII
  rea de ocorrncia do pau-brasil
  Pecuria
  Drogas do serto
  Limites atuais
  (Pea para o seu professor descrever)

-- Pgina 103

  Preparao para a prxima unidade

  Atividade I - Em grupos

  Discutir as seguintes situaes, respondendo s questes que as 
acompanham.

  1. Suponha que voc tivesse juntado uma grande quantidade de selos e 
resolvesse vend-lo. Em que caso voc ganharia mais?
  a). Se houvesse apenas um comprador interessado nos seus selos.
  b). Se aparecessem muitos interessados.

  2. Por qu?

  3. E se fosse voc o comprador dos selos, o que seria mais vantajoso?
  a). Ser nico comprador.
  b). Que houvesse muitos outros interessados.

  4. Por qu?

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  UNIDADE VII

  A COLNIA; SALVAO DO REINO

  Como vimos na unidade anterior, no decorrer dos sculos XVI e XVII a rea 
de colonizao portuguesa se estendeu, graas ao desenvolvimento das 
atividades agrcolas e da pecuria . 
  Esse crescimento resultou tambm na propriedade dos colonos. Apesar dos 
impostos que tinham que pagar  Coroa, eles enriqueciam. E, embora 
estivessem sujeitos  autoridade dos governadores portugueses, conseguiram 
influir nas decises relativas aos municpios, pois dominavam as cmaras 
municipais (veja pgina 57).
  Alm disso, os colonos tinham uma certa liberdade no comrcio de seus 
produtos: a Coroa s proibia a entrada na colnia a navios de pases inimigos 
do reino.
  Mas Portugal no se beneficiou dessa prosperidade da colnia, pois o reino 
gastava sempre mais do que recebia e apelava constantemente para 
emprstimos junto a banqueiros de outros pases, nunca conseguindo pagar 
suas dvidas. Figura 1: Terreiro do Pao, em Lisboa, retratado em quadro do 
pintor Dirk Stoop. A nobreza de Lisboa levava uma vida de luxo e 
desperdcio.

-- Pgina 105

  A partir da Segunda metade do sculo XVII, Portugal tomou uma srie de 
medidas no sentido de controlar melhor o comrcio, para tentar equilibrar suas 
finanas. Mas, diante do rigor das autoridades portuguesas, os colonos 
comearam a reagir, ocorrendo os primeiros confrontos entre eles e a 
metrpole.
  Por outro lado, para sair das dificuldades, Portugal precisava renovar suas 
fontes de rendimentos, encontrar novas riquezas a explorar na colnia. O 
velho sonho de descobrir ouro e prata se reacendeu, aumentando-se os 
esforos feitos para encontrar os metais preciosos. No final do sculo CVII, 
finalmente foram descobertas as minas de ouro, e, com isso, iniciou-se uma 
nova etapa de explorao colonial.

  O que  importante aprender

  Durante o estudo deste unidade, procure concentrar-se nos seguintes 
objetivos:
  - Compreender por que, apesar da prosperidade da colnia, a metrpole no 
solucionou seus problemas financeiros, vivendo em constante crise.
  - Explicar por que a atividade aucareira entrou em decadncia a partir da 
expulso dos holandeses.
  - Enumerar as medidas que a Coroa portugueses tomou para tentar solucionar 
seus problemas e as conseqncias dessas medidas para os colonos no Brasil.
  - Explicar as razes do conflito entre os colonos do Maranho e a metrpole.
  - Explicar as razes do conflito entre os proprietrios de terras do Nordeste e 
os comerciantes portugueses de Recife.
  - Relacionar os esforos empreendidos na busca de minerais preciosos e a 
situao da metrpole.
  - Explicar as mudanas que ocorreram na colnia aps o estabelecimento da 
atividade mineradora.
  - Descrever o funcionamento da atividade mineradora.
  - Explicar as medidas da metrpole para tirar o mximo proveito da extrao 
mineral.
  - Explicar os efeitos da minerao sobre a cidade do Rio de Janeiro.

-- Pgina 106

  CAPTULO 17

  A Coroa aperta o cerco contra a colnia

  Recordando
  Durante os sculos XVI e XVII a colnia cresceu, ampliando-se a rea de 
dominao portuguesa sobre as terras indgenas e desenvolvendo-se as 
atividades agrcolas e a pecuria.

  A propriedade da colnia tambm se refletia no comrcio mantido com a 
Europa. Nos portos coloniais havia um grande movimento de navios 
estrangeiros, principalmente ingleses, que chegavam carregados de 
mercadorias europias. Levando, na volta  Europa, acar, pau-brasil, 
algodo, fumo e cachaa, compradores aos colonos.
  Por outro lado, os navios do Brasil alcanavam a frica, carregando farinha, 
cachaa e fumo, para trocar por escravos e marfim em Angola.

  Portugal em apuros

  Mas a propriedade da colnia no solucionava os srios e antigos problemas 
do reino portugus. Desde 1532, quando a Coroa resolveu colonizar o Brasil, 
criando as capitanias, j apareciam os primeiros sinais de decadncia de seu 
comrcio no Oriente: os gastos para manter os domnios portugueses eram 
maiores do que os lucros obtidos com as mercadorias orientais. Figura 1:  A 
mudana do imprio portugus exigia que a Coroa despendesse cada vez mais 
recursos financeiros. No desenho de F. Giliardi, uma cena em que se 
enfrentam portugueses e rabes na Etipia (frica).

  Com o crescimento da produo do acar no Brasil, a situao de Portugal 
aparentemente melhorou. Mas, na verdade, os problemas no foram 
solucionados. A Coroa gastava seus rendimentos com a defesa dos territrios 
coloniais, com obras grandiosas realizadas em Lisboa e com o luxo dos nobres 
da corte que viviam  custa do tesouro real. Por isso, o reino dependia de 
constantes financiamentos de banqueiros de outros pases e estava sempre 
endividado.
  Quando Portugal passou para o domnio espanhol, em 1580, a situao do 
reino se agravou ainda mais. Nesse perodo, como voc deve se lembrar, os 
holandeses apossaram-se de grande parte das feitorias portuguesas na frica e 
dominaram o Nordeste brasileiro durante 24 anos (de 1630 a 1654).
  Quando os holandeses foram obrigados a se retirar do Brasil, desenvolveram 
as plantaes de cana e a produo de acar, nas ilhas que ocuparam nas 
Antilhas.

-- Pgina 107

  Eles dispunham de grandes capitais, dominavam os centros fornecedores de 
escravos na frica e tinham um poderosa frota naval para distribuir o acar 
nos portos europeus. Alm disso, a Inglaterra tambm havia iniciado a 
produo de acar em suas colnias antilhanas. Resultado: a grande 
quantidade de acar produzido fez baixar o preo desse produto.
  Assim, os plantadores da colnia tiveram que vender seu acar por um 
preo menor. Com isso ficaram em dificuldade para manter as plantaes e os 
engenhos, principalmente porque no tinham dinheiro suficiente para comprar 
escravos.
  A runa dos proprietrios de canaviais e engenhos resultou, afinal, na 
decadncia de toda a regio canavieira.
  Para Portugal, isso representava a perda de sua mais importante fonte de 
recursos. A nica forma de tentar equilibrar a situao seria aumentar o 
controle sobre o comrcio com o Brasil, de forma a canalisar  todos os seus 
lucros para o reino.

  Portugal cerca a colnia

  A primeira medida adotada com essa finalidade foi a criao de uma 
companhia de comrcio formada com capitais de riscos comerciantes 
portugueses  a Companhia Geral do Comrcio do Brasil.
  Organizada em 1647, essa companhia tinha a exclusividade sobre o comrcio 
no litoral, desde o Rio Grande do Norte at So Vicente. Se fossem 
encontradas embarcaes de outros pases nas proximidades da costa 
brasileira ou nos portos, a esquadra da companhia tinha ordem para destru-
las. Foi concedida uma licena especial a navios ingleses, holandeses e 
franceses de aportar no Brasil, desde que acompanhassem as frotas 
organizadas em Portugal, com destino  colnia.
 Mais uma forma de controle do comrcio colonial consistiu na determinao 
de que as embarcaes, ao sair do Brasil, no parassem em nenhum outro 
porto estrangeiro, devendo dirigir-se diretamente a Portugal.
  Outras companhias de comrcio foram criadas posteriormente, sempre 
visando aumentar o controle da metrpole sobre a colnia.
  Com as medidas adotadas, principalmente com a criao das companhias de 
comrcio, os colonos perderam a liberdade de comerciar com outros pases e 
foram obrigados a aceitar os preos estipulados pelas companhias. Os 
produtos coloniais tiveram seu preo reduzido ao mximo, a fim de aumentar 
os lucros dos comerciantes, ao mesmo tempo que as mercadorias trazidas do 
reino eram vendidas a preos altos e nem sempre atendiam s necessidades de 
consumo dos colonos.
  Para evitar que as ordens reais no fossem cumpridas, os governadores 
(desde 1640 com o ttulo de vice-reis) aumentaram o controle sobre as 
capitanias e as cmaras municipais. As tropas de soldados da Coroa estavam 
sempre prontas para reprimir qualquer tentativa de rebeldia dos colonos.
  Mas isso no evitou que surgissem rebelies e conflitos. Um deles se deu na 
capitania do Maranho, que tinha sido fundada em 1615, depois da derrota dos 
franceses e de seus aliados ndios (veja pgina 92).

  O Maranho em p de guerra

  Os colonos que povoaram o Maranho se dedicaram ao cultivo de fumo, 
algodo e principalmente cana-de-acar. (Figura 2.) Para o trabalho nas 
lavouras e nos engenhos, eles lanaram mo dos indgenas das inmeras tribos 
que habitavam o interior da capitania e a regio Amaznica. Organizaram-se 
vrias expedies de guerra aos indgenas, que traziam na volta grande 
quantidade de cativos.
  Por isso, os colonos entraram em constantes conflitos com os jesutas da 
regio, que se esforavam para reunir os ndios nas misses.
  Em 1682, a Coroa criou a Companhia de Comrcio do Maranho, que se 
comprometia a solucionar o problema da mo-de-obra para os colonos. Ela se 
encarregaria de trazer 10 mil escravos negros, num prazo de vinte anos. Em 
alm disso, se comprometia a fornecer os produtos europeus de que os colonos 
necessitavam.
  Entretanto, as condies estabelecidas no foram cumpridas. A situao se 
agravava ainda mais com a falsificao dos pesos praticada pela companhia e 
com a venda das mercadorias importadas a preos mais altos do que os 
combinados.

  Figura 2. A vila de Alcntara, situada defronte da ilha de So Lus do 
Maranho, era um centro residencial da aristocracia rural, enquanto So Lus 
funcionava como porto de escoamento das mercadorias produzidas. Na figura, 
vista de Alcntara, que ainda hoje mantm s caractersticas da poca colonial.

-- Pgina 108

  Diante disso, os maranhenses da cidade de So Lus se rebelaram. Numa 
noite de fevereiro de  1684, um certo senhor de engenho chamado Manuel 
Beckman chefiou um grupo de rebeldes, que prenderam o capito-mor de So 
Lus e depuseram o governador da capitania.
  Em seguida atacaram o colgio dos jesutas com os quais viviam em conflito, 
por causa da disputa do controle sobre os indgenas da regio.
  Depois dirigiram-se para os armazns da Companhia de Comrcio do 
Maranho, que foram saqueados e depredados.
  Mas, com a chegada de um novo governador, os rebeldes foram presos, 
julgados, e seus lderes, enforcados. Tempos depois, a Companhia de 
Comrcio do Maranho foi extinta.

  Mascates e proprietrios em guerra

  Tambm na capitania de Pernambuco ocorreram conflitos. Ali, a rebeldia dos 
colonos, proprietrios de terras e engenhos, se voltou contra os comerciantes 
portugueses de Recife. Estes dominavam o comrcio da capitania e eram 
chamados pejorativamente de mascates pelos olindenses. (Figura 3.) Assim, 
embora esse confronto no tenha sido diretamente com a metrpole, tambm 
reflete o descontentamento dos colonos com a explorao a que estavam 
submetidos.

  Figura 3  Palcio da Boa Vista, em Recife, estampa de Gaspar Barlaeus, que 
viveu no Brasil na poca do domnio holands.

  Desde o incio da colonizao, a capital de Pernambuco era a cidade de 
Olinda, onde moravam os ricos e poderosos proprietrios de terras e de 
escravos. (Figura 4.) A cidade era prspera, refletindo o poder e a riqueza de 
seus moradores. Mas, depois da sada dos holandeses, a situao mudou. 
Como vimos, expulsos do Brasil, os holandeses desenvolveram a plantao de 
cana e a produo do acar nas Antilhas (veja pgina 106).

  Figura 4.  A cidade de Olinda, fundada em 1536 pelo capito donatrio 
Duarte Coelho, a 7 quilmetros de Recife, conserva at hoje suas 
caractersticas coloniais:  ladeiras estreitas e tortuosas, caladas com pedra, e 
algumas das mais antigas construes do Brasil Colnia.

  Isso provocou a decadncia da atividade aucareira no Nordeste e muitos 
senhores de engenho se arruinaram. Tentaram ento equilibrar sua situao, 
pedindo emprstimos aos comerciantes portugueses que moravam em Recife e 
pagando altos juros por eles. Porm, acabavam no conseguindo pagar as 
dvidas.
  Para os comerciantes recifenses, a nica maneira de recuperar o dinheiro 
emprestado seria tomar as propriedades e os escravos dos devedores. Isso era 
difcil, porque dependia da aprovao da Cmara Municipal de Olinda, que 
era controlada pelos  proprietrios de terra. Os comerciantes no poderiam 
concorrer s eleies para a Cmara porque no pertenciam  categoria dos 
homens bons (veja pgina 57).
  Contando com o apoio das autoridades portuguesas da capitania, os 
recifenses conseguiram, em 1703, autorizao para concorrer s eleies 
municipais. Mas estas eram controladas pelas famlias dos grandes 
proprietrios, que deram um jeito de impedir a vitria dos moradores de 
Recife.
  Inconformados, os recifenses apelaram, mais uma vez, para as autoridades 
portuguesas. E conseguiram que Recife fosse elevada  condio de vila, em 
1710. Sendo vila, e no mais um simples bairro de Olinda, Recife poderia Ter 
sua prpria cmara municipal.
  Em relao, os moradores de Olinda comearam a entrar em conflito com os 
recifenses, usando como pretexto os limites que seriam estabelecidos entre os 
dois municpios. As divergncias entre as duas cidades rivais transformaram-
se em conflitos armados que se estenderam at 1714. Finalmente, Recife teve 
confirmada sua condio de vila e acabou se tornando a capital da capitania de 
Pernambuco.

-- Pgina 109

  Oficinas, no!

  No decorrer do sculo XVIII, tornou-se cada vez mais rigoroso o controle da 
Coroa sobre a colnia. Uma das medidas nesse sentido foi a proibio de todas 
as atividades que poderiam significar algum prejuzo para o comrcio entre 
Portugal e a colnia. 
  Desde o incio da colonizao, vinham se desenvolvendo o artesanato e as 
pequenas oficinas que fabricavam principalmente tecidos de algodo. Elas 
eram instaladas nas prprias residncias dos fazendeiros e produziam os 
tecidos para as roupas grosseiras dos escravos.
  Havia tambm a produo de cermicas, sabes, cordas, objetos e 
ferramentas de ferro, couros, e as olarias, onde se fabricavam telhas.
  Algumas regies se especializaram em certos produtos, como  o caso das 
esteiras, produzidas em Taubat, na capitania de So Paulo, ou das mantas de 
l usadas sobre o lombo das montarias fabricadas em Curitiba.
  A existncia e o desenvolvimento dessas oficinas, principalmente as de 
tecidos, no interessavam a Portugal, pois concorriam com as mercadorias 
importadas da metrpole (utenslios de loua, instrumentos agrcolas, objetos 
de vidro e principalmente tecidos, que Portugal comprava da Inglaterra).
  Por isso, a rainha D. Maria I, em 1785, ordenou o fechamento de todas as 
oficinas existentes no Brasil. A partir daquela data, s se podiam produzir os 
panos para as roupas dos escravos.

  ATIVIDADES

  Atividade I  Ficha de leitura

  Faa a ficha de leitura do captulo 17, baseando-se no roteiro a seguir:

  1. O comrcio da colnia com a Europa e a frica, no  sculo XVI e parte do 
XVII.
  2. Razes da crise econmica de Portugal desde o sculo XVI.
  3. Relao entre a expulso dos holandeses do Brasil e a crise da produo 
aucareira.
  4. Significado da crise da produo de acar brasileiro para Portugal.
  5. Medidas tomadas por Portugal para tentar equilibrar suas finanas.
  6. Conseqncias da criao das companhias de comrcio para a colnia.
  7. A reao dos maranhenses contra a Companhia de Comercio do 
Maranho.
  8. Razes do conflito entre proprietrios de terra de Olinda e comerciantes de 
Recife.
  9. Significado da elevao de Recife  categoria de vila para os comerciantes 
portugueses e para os proprietrios de terra.
  10. Medida tomada por D. Maria I em relao  produo manufatureira na 
colnia. Razo da Coroa para tomar essa medida.

  Atividade II  Estudo de outras fontes
  Texto complementar
   medida que a populao colonial em que aplicar suas atividades, a poltica 
de restries econmicas se acentua. Procura-se impedir a produo de 
qualquer gnero que no interessasse diretamente  metrpole e seu comrcio, 
ou que fizesse concorrncia  sua produo nacional. Assim se deu com o 
cultivo da oliveira, da vinha (duas das principais riquezas de Portugal), e das 
especiarias (em particular da pimenta e da caneta) que vinha interferir com o 
comrcio asitico e os interesses metropolitanos no oriente (...)
  (Prado Jr. Caio. Histria econmica do Brasil. So Paulo: Brasiliense, 1959, 
pgina 54.)
  1. Alm do controle sobre o comrcio, o texto nos informa sobre outras 
formas de controle adotadas pela Coroa sobre a colnia. Quais so?
  2. Com que objetivo a Coroa portuguesa proibia a produo de determinados 
gneros na colnia?

  Sugestes de atividade complementar

  Atividade III  Em grupos

  Comparar o que aconteceu com o preo do acar do Brasil aps a expulso 
dos holandeses com a situao discutida no exerccio da pgina 103. Qual  a 
semelhana entre as duas situaes?

-- Pgina 110

  Captulo 18
  Realiza-se o velho sonho
  Recordando
  Desde a chegada da esquadra de Pedro lvares Cabral ao Brasil, a grande 
esperana dos portugueses era encontrar minas de metais preciosos, o que 
ficou bem demonstrado pela carta de Pero Vaz de Caminha ao rei de Portugal 
(veja pgina 48)

  Embora a colonizao tenha se realiza com base nas plantaes de cana-de-
acar, o sonho de encontrar ouro nunca desapareceu. Os capites donatrios, 
os governadores-gerais e os prprios colonos freqentemente organizavam 
expedies ao interior, em busca do minrio.

  Perseguindo o ouro
  Os colonos vicentinos, por exemplo, logo no incio da colonizao, saram  
procura de ouro, chegando at o litoral dos atuais Estados do Paran e de 
Santa Catarina.
  Como vimos, acharam apenas ouro de lavagem. (Veja pgina 94).
  Mas essas descobertas renovavam continuamente as esperanas de encontrar 
minas mais ricas, estimulando os colonos a prosseguir nas buscas.

  Ouro: a nica soluo
  Quando Portugal conseguiu libertar-se do domnio espanhol, em 1640, a 
situao financeira do reino era  muito difcil, como j vimos no captulo 
anterior.
  Nem o controle rigoroso dos monpolios por meio das companhias de 
comrcio solucionou a crise em que se encontrava Portugal.
  Nessa situao, a Coroa incentivou a busca de metais preciosos no Brasil, 
financiando expedies com esse objetivo e oferecendo ttulos de nobreza a 
seus componentes.
  Em 1693, uma bandeira dirigida por Antonio Dias Arzo, partindo de 
Taubat, descobriu finalmente o minrio, na regio conhecida como Campo de 
Catagus.
  A notcia correu rpida, despertando a cobia em todos os paulistas. 
Organizaram-se outras bandeiras, agora com roteiro certo, e em 1698 fundou-
se, naquele lugar onde havia sido encontrada a primeira pepita de ouro, a Vila 
Rica de Ouro Preto. Figura 1  Vila Rica (atual Ouro Preto), numa aquarela do 
sculo XVIII. Ao fundo aparece o prdio da Cmara e a cadeia (hoje Museu 
da Inconfidncia).

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  Gente de toda parte
  Logo foram descobertas novas minas e fundaram-se vrios povoados, 
espalhados por uma extensa rea que passou a chamar-se Minas Gerais.
  Os paulistas, pioneiros na descoberta do ouro, foram os primeiros a deslocar-
se para a regio. Mas a riqueza atraiu gente de todo tipo e de toda parte. Conta 
o padre Antonil, que esteve na colnia no sculo XVIII:
  (...) cada ano vm nas frotas quantidades de portugueses e de estrangeiros 
para passarem s Minas. Das cidades, vilas, recncavos e sertes do Brasil, 
vo brancos, pardos e pretos e muitos ndios de que os paulistas se servem. A 
mistura  de toda a condio de pessoas: homens, mulheres, moos e velhos, 
pobres e ricos, nobres e plebeus, seculares (...) religiosos.
  (Antonil, Cultura e opulncia do Brasil.)
  Para se Ter uma idia da atrao exercida pelas minas, basta comparar a 
populao da colnia do incio do sculo XVIII, que era de aproximadamente 
300 mil habitantes, e a do fim do sculo, que chegou a 3 milhes de 
habitantes.
  Figura 3  Com a descoberta do ouro, centenas de pessoas se deslocaram em 
direo s minas, na esperana de enriquecer. Quadro de Oscar Pereira da 
Silva. Entrada para as Minas

  Emboabas, fora !
  Quem no gostou nada da chegada dessa multido foram os paulistas, j que 
tinham sido os primeiros a iniciar a explorao do minrio.
  A hostilidade aos estrangeiros, a quem os paulistas chamavam 
pejorativamente de emboabas, acabou se transformando em uma verdadeira 
guerra, que durou de 1707 a 1709.
  Para a Coroa, esses confrontos resultavam em prejuzo, porque, nos perodos 
em que se guerreava, as minas paravam de produzir ouro.  o que se conclui 
de uma carta de funcionrios e comerciantes do Rio de Janeiro, na qual 
aparece o seguinte comentrio:  O negcio das minas h muitos dias que est 
parado, porque andam aqueles moradores com armas nas mos, divididos em 
duas faces.
  A rivalidade entre os dois grupos persistiu ainda por muito tempo
E grande nmero de paulistas, insatisfeitos com a perda de sua posio, foi 
procurar ouro em ouro em outros locais. Descobriram novas minas na regio 
de Gois e Mato Grosso.

  Controle total sobre as minas
  Quando algum descobria ouro, tinha que comunicar imediatamente s 
autoridades portuguesas, que dividiam a rea em lotes chamados datas.
O descobridor recebia uma data e passava a Ter o direito de explorar o ouro 
em sua propriedade. Ao rei cabia tambm uma data, outra ao guarda-mor e

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as demais eram sorteadas entre os interessados em explor-las. A extenso de 
cada propriedade variava de acordo com o nmero de escravos que o 
pretendente possua.. A parte do rei era vendida a quem oferecesse melhor 
preo.
  Figura 4  Gravura de Rugendas, Lavagem de ouro.

  A minerao no Brasil apresentou-se sob duas formas diferentes. O ouro 
encontrado nas camadas mais superficiais do solo podia ser extrado com 
equipamentos rudimentares, por uma pessoa trabalhando sozinha
Ou ajudada por um pequeno nmero de auxiliares. J nas lavras eram 
utilizados equipamentos que permitiam a extrao do ouro de camadas mais 
profundas das rochas. Os donos das lavras eram os mineradores mais ricos, 
que possuam um grande nmero de escravos.
  Quando os depsitos aurferos superficiais ou de pequena profundidade 
comearam a se esgotar, a minerao entrou em decadncia. Por falta de 
capacidade tcnica da metrpole e dos colonos, no foi possvel a utilizao 
de outros tipos de equipamentos necessrios  continuidade da extrao.

  O que importa so os impostos
  A administrao das minas foi planejada pela Coroa portuguesa, visando 
impedir qualquer desvio de impostos. Assim, para facilitar o controle sobre a 
regio, em 1709 uma Carta Rgia criou a capitania real de So Paulo e Minas 
do Ouro, regio at ento subordinada  capitania do Rio de Janeiro. Em 1720 
separaram-se as capitanias de Minas e So Paulo, visando aumentar ainda 
mais o controle sobre a minerao.
  Mas outras medidas tambm foram tomadas: as reas de explorao do ouro 
estavam submetidas a uma administrao especial, a Intendncia das Minas, 
que recebia ordens diretamente do rei de Portugal. Os funcionrios da 
Intendncia eram os guardas-mores.
  De todo o ouro extrado, a Quinta parte (o quinto) correspondia ao imposto 
devido  Coroa. Mas o controle era difcil, pois o ouro em p ou em pepitas 
podia ser contrabandeado, isto , levado para fora da regio e vendido sem o 
pagamento do quinto.
  Figura 5  Quadro de Joaquim da Rocha Ferreira, em que se v um 
funcionrio real, o provedor das minas, pesando o ouro correspondente ao 
imposto a ser pago a Coroa.

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  ento para fiscalizar melhor a arrecadao do quinto, a Coroa decretou 
(1719) a criao das casas de fundio, que seriam instaladas em Vila Rica, 
Sabar, So Joo Del Rey e Vila do Princpe.
  Todo o ouro extrado obrigatoriamente tinha que passar por essas casas, onde 
era derretido e transformado em barras, marcadas com o selo real. Ali se 
separava o quinto, e o resto era devolvido ao minerador, para ser negociado. A 
maior parte do ouro pertencente aos mineradores era vendida aos comerciantes 
portugueses e levada para Portugal.
  Na colnia s podia circular o ouro em barras, sado das casas de fundio. 
Quem fosse encontrado com ouro em p ou em pepitas estava sujeito a perder 
todos os seus bens e podia at ser deportado para as colnias portuguesas da 
frica.
  As barras de ouro recolhidas pelas casas de fundio, bem como as que 
pertenciam aos mineradores, seguiam a caminho do Rio de Janeiro, onde eram 
embarcadas para Portugal.

  Uma revolta em Vila Rica
  Com a criao das casas de fundio, os colonos ficavam submetidos a um 
controle mais rgido e muitos teriam que percorrer grande distncia para levar 
o ouro de suas minas at elas.
  Em vrios locais, os colonos manifestaram seu descontentamento e rebeldia. 
O principal movimento foi a chamada Rebelio de Vila Rica (1720), liderada 
pelo tropeiro portugus Filipe dos Santos.
  Os rebeldes marcharam para Ribeiro do Carmo, onde ficava a sede do 
governo das minas. Como o governador no tinha foras militares suficientes 
para enfrentar a revolta, se comprometeu a aceitar as exigncias dos colonos.
  Mas logo que eles voltaram a Vila Rica, mandou prender os lderes e 
incendiar suas casas. A legislao portuguesa no permitia que um homem 
branco e livre fosse executado na colnia se consulta  Coroa. Mas, como 
Filipe dos Santos era apenas um humilde tropeiro, ningum se ops  deciso 
do governador, que o condenou  forca. Seu corpo foi esquartejado e as partes 
exibidas em postes para que o castigo servisse de exemplo aos descontentes.

  Os descaminhos do ouro
  Apesar do rgido controle que a Coroa estabeleceu sobre a atividade 
mineradora, grande quantidade de ouro foi contrabandeada. As tropas que 
vigiavam as estradas no conseguiam fiscalizar todos os caminhos.
  O ouro desviado era empregado em grande parte na compra de gneros 
alimentcios. Mas tambm, tinha outros destinos, como o rio da Prata, onde 
era trocado por mercadorias trazidas por navios ingleses.

  Senhores e escravos nas minas de ouro
  A maior parte das pessoas que iam para as minas no tinha nenhuma 
esperana de enriquecer. Eram os escravos, que, com seu trabalho exaustivo 
retiravam a riqueza da terra e faziam surgir e se acumular as fortunas de seus 
senhores.
  Os primeiros escravos da regio foram os ndios levados pelos paulistas. Mas 
dentro de pouco tempo a quantidade de negros ultrapassou o nmero de 
indgenas.
  A fim de solucionar a crescente necessidade de mo-de-obra na zona 
mineradora, a Coroa estimulou o trfico de africanos. Mas houve tambm um 
grande deslocamento de escravos no interior da colnia: muitos senhores de 
engenho, arruinados com a decadncia da atividade aucareira, deixavam suas 
plantaes para fazer fortuna na minerao e levavam seus escravos. Outros 
simplesmente procuravam aliviar suas dvidas, vendendo os escravos a 
traficantes, que os levavam para as minas.
  Figura 6  Pea para o seu professor descrever: O tansporte de escravos 
negros para a regio das minas devia cobrir uma grande distncia. Por isso, ao 
longo do percurso a caravana parava para descansar em pousadas, como essa 
mostrada numa gravura de Rugendas.

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  As condies de trabalho do escravo na minerao eram piores do que nas 
lavouras e engenhos de acar. Permaneciam longas horas nas galerias 
perfuradas nas encostas dos morros ou dentro da gua, enfrentando baixas 
temperaturas.  Sofriam constantes acidentes de trabalho e freqentemente 
morriam afogados ou soterrados nas minas.
  A m alimentao era outra causa do sofrimento e morte dos escravos. Para 
aliviar a fome, eles tentavam ficar com um pouco do ouro extrado, com o 
qual compravam alimentos e complementavam a fraca rao diria dada pelo 
proprietrio.
  Aconteceu com freqncia a escravizao, na frica, de reis e prncipes. H 
uma famosa histria, provavelmente lendria, de um desses reis. Conta-se que 
Chico Rei foi conduzido para o Brasil num navio negreiro. Levado para as 
minas, trabalhava alm do tempo exigido, juntando pequenos gros de ouro, 
at Ter uma quantidade suficiente para comprar a liberdade. E continuou 
trabalhando, mais e mais, para libertar o filho e depois toda a famlia. Juntos, 
continuaram trabalhando, para conseguir ouro e libertar outros negros. Toda a 
tribo de Chico Rei se tornou livre.
  Ento, ele construiu uma igreja, para onde as mulheres levavam ouro em p 
salpicado nos cabelos. Lavando os cabelos na pia de gua benta, o ouro se 
depositava no fundo e era vendido para libertar mais escravos.
  A histria de Chico Rei levou alguns historiadores a acreditar que era comum 
a alforria (isto , a libertao) de escravos nas minas. Mas isso, de fato, no 
aconteceu. A alforria foi mais freqente para as mulheres e dava-se por meio 
das ligaes com homens livres e brancos. Isso explica o considervel nmero 
de mulatos na regio.
  J a quantidade de negros e pardos libertos s aumentou quando a atividade 
mineradora entrou em decadncia, no fim do sculo XVIII.

  Essas condies precrias, somadas s doenas, resultavam numa alta taxa de 
mortalidade entre os escravos das minas. Seu tempo de trabalho limitava-se, 
em mdia, a sete anos, e calcula-se que morriam cerca de 7 mil escravos por 
ano na regio.

  Castigos severos
  Os escravos das minas reagiam s terrveis condies de vida com fugas, 
assassinatos de brancos, formao de quilombos e movimentos de rebeldia.
  Em resposta, os governadores da capitania tomaram medidas muito rigorosas 
contra os escravos rebeldes. Organizavam expedies para destruir quilombos, 
incentivavam o trabalho dos capites-do-mato para recapturar os escravos 
fugidos, que eram punidos severamente. A prpria Coroa determinou os 
castigos, nos seguintes termos:
  Eu, El-Rei, fao saber aos que este alvar virem que (...) a todos os negros 
que forem achados em quilombos, estando neles voluntariamente, se lhes 
ponha com fogo uma marca em uma espdua com a letra F [que indicava 
fugido], que para este efeito haver nas Cmaras; e se quando for executar esta 
pena, for achado com a mesma marca, se lhe cortar uma orelha.
  (Apud Luna, Lus. O negro na luta contra a escravido. Rio de Janeiro: 
Ctedra; Braslia, INL, 1976, p. 144.)
  Muitas vezes, ndios e garimpeiros pobres juntavam-se aos negros nos 
quilombos. Sendo pobres, iam para as minas geralmente sozinhos (sem 
escravos), s podendo se dedicar ao garimpo. Essa atividade era clandestina e 
perseguida, porque dela a Coroa no conseguia tirar o quinto.
  Figura 7  Feitor castigando um escravo. Debret, autor desta gravura, 
comenta que o castigo geralmente consistia em doze a trinta chicotadas.
 Em seguida, lavavam-se as feridas com pimenta-do-reino e vinagre para 
acelerar a cicatrizao.

  Na terra dos diamantes  
  Foram justamente os garimpeiros que, em 1729, quando procuravam pepitas 
de ouro nos leitos dos rios, descobriram em suas batias pequenas pedras 
brancas, os preciosos diamantes.


  Pgina 115

A notcia foi recebida em Portugal com festas e procisses. Uma nova e 
fabulosa riqueza trazia esperanas de que o reino equilibraria suas frgeis 
finanas.
  A explorao dos diamantes foi organizada com um controle ainda maior do 
que o das minas de ouro: o territrio em que se encontravam os diamantes foi 
demarcado e isolado completamente do restante da regio, passando a chamar-
se Distrito Diamantino (atual Diamantina)
  Ningum podia entrar ou sair do Distrito Diamantino sem autorizao 
especial do funcionrio real, o intendente. O mesmo aconteceu em outras 
reas onde se encontraram diamantes: no rio Jequitinhonha (Minas Gerais)< 
rio Claro e Piles (Gois), no sudeste da Bahia e no alto rio Paraguai (Mato 
Grosso do Sul).
  A explorao de diamantes era contatada por particulares, pessoas de 
confiana do rei, que ficavam com o direito de exclusividade sobre a riqueza 
extrada no seu territrio. Pelo contrato, no era permitido manter mais de 
seiscentos escravos trabalhando na minerao de diamantes, e o imposto 
cobrado consistia em uma taxa fixa anual correspondente a cada escravo. 

  Figura 8  Extrao de diamantes, numa aquarela de Carlos Julio.

  Ladeiras e becos nas vilas das minas
  Ao contrrio da atividade aucareira, que tinha como centro a propriedade 
rural, a minerao foi predominantemente urbana. Logo que se descobria ouro 
numa rea, ali se fundava um povoado de casas simples, de pau-a-pique, 
cobertas de folhas de palmeira, uma capela, algumas barracas de comrcio.
  Esses povoados ou arraiais surgiam seguindo os contornos das colinas, 
descendo pelos vales, e por isso suas ruas eram ladeirentas. Em pouco tempo 
esses arraiais foram levados  condio de vilas, algumas das quais ainda hoje 
conservam as caractersticas daquela poca: Ribeiro do Carmo (atual 
Mariana), Vila Rica (atual Ouro Preto), Sabar e outras.

  Figura 9  Vista da vila de Sabar, em quadro do pintor Estvo.

  Com o tempo, construam-se armazns, lojas e oficinas (Figura 10) e muitas 
das casinhas simples deram lugar a sobrados de alvenaria, onde moravam os 
ricos mineradores. Mas a cidade tambm abrigava pessoas de outras 
profisses: ferreiros, sapateiros, joalheiros, carpinteiros, mdicos, advogados, 
boticrios, professores, soldados.

  Figura 10  Com a minerao, a vida urbana se desenvolveu e multiplicaram-
se as pequenas oficinas, que atendiam s necessidades da populao. Nessa 
gravura de Debret vemos uma sapataria. Observe que nesse tipo de atividade 
tambm se utilizava o trabalho escravo.

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  Na zona mineradora organizaram-se inmeras irmandades religiosas, isto , 
grupos de pessoas que formavam associaes religiosas conforme a classe 
social a que pertenciam. Assim, existiam as irmandades dos ricos 
mineradores, as de escravos, as de mulatos, etc.
  As igrejas da regio pertenciam s irmandades, que rivalizavam entre si para 
fazer da sua igreja a mais bonita e mais rica.
  Com isso, a arte religiosa teve um grande impulso nas minas, e surgiram 
numerosos artistas (pintores, escultores e arquitetos), geralmente negros ou 
mulatos.
  O estilo em que trabalharam esses artistas  conhecido como barroco 
mineiro, pois era influenciado pelo estilo barroco, que predominou na Europa 
no sculo XVII.
  O mais famoso desses artistas foi Antonio Francisco Lisboa, o Aleijadinho, 
que viveu no final do sculo XVIII e incio do sculo XIX. Aleijadinho 
esculpiu magnficas esttuas e altares em vrias igrejas das cidades do ouro. 
Suas obras mais famosas foram a Igreja de So Francisco, construda em Ouro 
Preto (Vila Rica), e as esculturas dos doze profestas, que se encontram na 
parte externa (o adro) da igreja de Congonhas do Campo.
  Juntamente com as artes plsticas, a msica teve grande florescimento na 
regio das minas. E os melhores compositores e intrpretes tambm eram 
mulatos. A msica estava sempre presente nas festividades organizadas pelas 
irmandades ou pelas cmaras municipais.

  Os caminhos para as minas
  No incio da ocupao e da explorao mineradora, a populao enfrentou 
srios problemas de abastecimento: no havia lavouras nem criao de 
animais, e as distncias, muito grandes, dificultavam a chegada de alimentos 
para para as minas. Pagava-se alto preo por um boi ou por um fardo de 
farinha. Nos primeiros anos, muitos passaram fome, apesar da riqueza que 
possuam.
  Com o tempo, comeou a se organizar o transporte de mercadorias de outras 
regies: alimentos, vesturio, instrumentos de trabalho, armas e utenslios. 
Tudo de que os habitantes das minas precisavam tinha que vir de fora.
  Mais tarde, desenvolveu-se a agricultura e a pecuria nas vizinhanas da 
zona mineradora, para facilitar o atendimento das necessidades dos mineiros. 
Abriram-se caminhos, por onde passavam no s essas mercadorias, mas 
tambm o ouro, que precisava chegar ao Rio de Janeiro, de onde era 
embarcado para a Europa. Nesses caminhos surgiram ranchos e cabanas para a 
pousada dos viajantes, originando-se, assim, vrias cidades, como Pouso 
Alegre, Passo Alegre, Passo Fundo.
  Outros caminhos ligavam a regio das minas com o Nordeste, de onde vinha 
carne e couro, com que se confeccionavam as bolsas para carregar o ouro. 
Graas a isso, a pecuria nordestina, que antes abastecia apenas os engenhos e 
vilas do litoral, ganhou um grande impulso, estendendo-se pelas margens do 
Rio So Francisco. Mas a comunicao entre as duas regies acabou sendo 
dificultada pelas autoridades portuguesas, para evitar o contrabando de ouro 
que passava por aqueles caminhos.

  Quem  que carrega ?
  Outro problema era a distncia entre as minas e o Rio de Janeiro, onde era 
embarcado o ouro. A dificuldade tornava-se maior por causa do relevo 
montanhoso da regio, que os cavalos no agentavam transpor.
  No incio, eram os prprios escravos que faiam o carregamento. Caminhando 
pelas montanhas, eles levavam nas costas as sacolas de ouro e voltavam do 
Rio com outras mercadorias. Mas isso prejudicava a minerao, porque havia 
grande necessidade de escravos no trabalho de extrao do ouro.

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  Com o tempo, encontrou-se outra soluo para o transporte das cargas da 
regio das minas. Passaram a ser usadas mulas, pois esse animal  muito mais 
resistente do que o cavalo e consegue se locomover com facilidade em regies 
acidentadas.
  Quem fornecia as mulas para a regio das minas eram os criadores do sul da 
colnia, da capitania do Rio Grande de So Pedro(veja pgina 100). A 
necessidade de animais nas minas estimulou a ampliao dos rebanhos e a 
ocupao de vastos campos no sul com a criao de gado.
  Os tropeiros, isto , condutores de tropas de animais, levavam as mulas do 
Rio Grande at as vilas prximas de So Paulo, principalmente a de Sorocaba. 
Ali se reuniam compradores e vendedores de animais e de outros produtos 
variados, como panos, arreios, rdeas, artigos de outro e prata, trazidos por 
mascates do Rio de Janeiro e de So Paulo.

  Figura 11  Sorocaba, no interior de So Paulo, tornou-se um ponto de 
passagem de tropas que vinham do Sul. Ali realizava-se uma grande feira. 
Quadro de Ettore Marangoni. 

  Dessas vilas, as mulas seguiam para a regio das minas.

  O ouro transforma a colnia
  A atividade mineradora mudou inteiramente as caractersticas
Da colnia. Nos primeiros tempos da colonizao, os colonos praticamente 
no haviam se afastado do litoral, a no ser em suas buscas de ouro ou 
expedies para captura de ndios.
  Com a minerao, o centro da vida colonial passou a ser os sertes de Minas 
Gerais, ampliando-se extraordinariamente a extenso da rea ocupada pela 
colonizao portuguesa.
  Antes, cada ncleo colonial se relacionava quase exclusivamente com a 
metrpole, ou seja, as reas de povoamento portugus ficavam bastante 
isoladas umas das outras. Com a minerao , a regio das minas precisava 
manter ligao com as outras capitanias, de onde recebia grande parte dos 
gneros de que necessitava. Assim, as diferentes reas de colonizao 
passaram a ficar interligadas.

  Figura 12  Pea explicaes ao seu professor sobre o mapa: Circulao de 
mercadorias no sculo XVIII.

  Pgina 118

  Atividades 
  Atividade I  Ficha de leitura
  Faa a ficha de leitura do captulo 18, baseando-se no roteiro a seguir:
  1.Importncia da descoberta do ouro para a Coroa portuguesa.
  2. A atrao das minas e a chegada de milhares de pessoas.
  3. Reao dos paulistas aos emboabas.
  4. Distribuio das terras onde se encontrava ouro.
  5. Medidas tomadas pela Coroa para garantir a arrecadao do imposto sobre 
o ouro.
  6. Reao contra as Casas de Fundio: Rebelio de Vila Rica .
  7. Condies de trabalho escravo nas minas.
  8. O controle sobre a extrao de diamantes.
  9. Os problemas de abastecimento da regio das minas nos primeiros tempos.
  10. Solues encontradas para o problema de abastecimento.
  11. O problema de transporte das cargas entre a regio das minas e o porto do 
Rio de Janeiro.
  12. Solues encontradas para o problema do transporte.
  13. As mudanas ocorridas na colnia como conseqncia da minerao.

  Documento
  Impresses sobre Ouro Preto (anteriormente Vila Rica de Ouro Preto), de um 
viajante e cientista alemo que visitou as Minas em 1850.

  Atualmente ningum mais se dedica  minerao, embora existam ainda 
algumas minas, cuja explorao, feita sem efici~encia, no proporciona 
grande rendimento. O tempo em que se arrancavam plantas com p de ouro na 
raiz era j passado e, muito mais ainda, poca histrica dos ricos mineiros que 
empoavam com ouro o cabelo dos escravos, quando estes serviam a mesa dos 
grandes banquetes em suas vistosas librs. Conta-se que os poderosos 
proprietrios de minas faziam servir aos funcionrios reais, em vez de 
sobremesa que os demais convivas recebiam, uma xcara coberta cheia de p 
de ouro e, enquanto os outros se deliciavam com os doces, esses funcionrios 
faziam deslizar o contedo das xcaras nos seus bolsos.  Data daquele tempo 
tambm o costume de presentear os intendentes reais, quando estes visitavam 
uma mina particular, com o todo o ouro que durante sua permanncia fosse 
extrado. Mas tudo isto passou. Os ricos ficaram pobres, as minas secaram, os 
funcionrios reais caram no olvido e ouro que ainda hoje se extrai no vai 
mais para as algibeiras (bolsas) dos mineiros nem dos seus imperiais 
visitantes, mas sim para o bolso dos ingleses, que so os acionistas das 
companhias que adquiriram as melhores jazidas aurferas do Brasil. [...]  uma 
cidade que da opulncia passou a um mal disfarado estado de misria e 
perdeu sua vitalidade.(...)
  (Burmeister, Hermann. Viagem ao Brasil. Belo Horizonte/So Paulo: Itatiaia 
- Edusp, 1980, p. 226.)

1.Que informaes do texto comprovam que em meados do sculo XIX a 
atividade mineradora tinha perdido sua importncia?
  2. Que informao o autor d para indicar a antiga riqueza dos mineradores 
de Vila Rica?
  3. De acordo com o texto, como se praticava a corrupo na regio das 
minas?
  4. O que ele informa sobre a participao dos ingleses na atividade 
mineradora no sculo XIX ?

  Sugesto de atividade complementar
  Atividade III  Em grupos
  Comparar a atividade mineradora com a aucareira nos seguintes aspectos:
  Regio da colnia em que se desenvolveu cada uma.
  Tipo de povoamento colonial provocado por cada uma (rural ou urbano).
  Camadas sociais que surgiram a partir de cada uma das atividades.

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  Encerramento da unidade
  Atividade I  Em grupos
  Discutir os objetivos apresentados no incio da unidade, sob o ttulo O que  
importante aprender. Redigir um pequeno texto sobre cada um dos temas.

  Atividade II- Pea explicaes para o seu professor.
  Confeccione uma linha de tempo abrangendo os sculos XVII e XVIII, 
registrando nela os seguintes fatos, a partir das informaes dos captulos 
desta unidade:
  Formao da Companhia de Comrcio do Brasil.
  Proibio da entrada de navios estrangeiros na Colnia.
  Formao da Companhia de Comrcio do Maranho.
  Revolta de Beckman.
  Guerra dos Mascates.
  Guerra dos Emboabas.
  Rebelio de Vila Rica (Filipe dos Santos).
  A linha pode ser dividida em intervalos de dez anos, com 2 cm para cada 
dcada. Registre os fatos em duas faixas horizontais, colocando numa delas as 
aes da metrpole e na outra as reaes dos colonos.

  Preparao para a prxima unidade
  Atividade em grupos
  Esta atividade tem em vista levantar hipteses sobre algumas questes que 
sero estudadas na prxima unidade. (Hipteses so respostas provisrias, so 
tentativas de soluo de um problema, partindo dos conhecimentos j 
adquiridos e do raciocnio.)
  Discutir as situaes abaixo, levantando hipteses para as perguntas que se 
colocam em seguida.
  1. Os reis europeus controlavam inteiramente a produo e o comrcio de 
mercadorias em seus reinos.
  2. Essas medidas de controle favoreceram a burguesia europia durante os 
sculos XVI e XVII.
  3. A partir do sculo XVII, a burguesia, desejando ampliar seus negcios, 
comeou a ficar descontente com o excessivo controle dos reis sobre suas 
atividades.
  Pergunta: O que a burguesia poderia fazer para eliminar o controle que os 
mantinham sobre seus negcios?
  4. Com relao ao comrcio colonial, a burguesia da Inglaterra, que dispunha 
de muitos produtos para vender, no podia comerciar com as colnias de 
outros pases (como Portugal e Espanha), pois esse comrcio era proibido.
  Pergunta: O que a burguesia inglesa poderia fazer para conseguir realizar o 
comrcio com as colnias de outros pases?
  5. At o final do sculo XVIII, o Brasil produzia quase exclusivamente 
produtos para exportao (acar, fumo, madeira, algodo, ouro). Quase tudo 
de que a populao da colnia precisava para seu prprio consumo vinha da 
metrpole.
  Pergunta: Se o Brasil se tornasse um pas  independente de Portugal, ele 
poderia dispensar as importaes de outros pases? Justifique.

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  Unidade VIII
  Liberdade ainda que tardia

  Durante os sculos XVI, XVII e XVIII, os pases da Europa conquistaram e 
dominaram grande parte da Amrica, controlando tambm o comrcio com a 
frica e a sia. Primeiro foi Portugal, seguido pela Espanha. Depois, a 
Holanda, a Frana e a Inglaterra, que tambm entraram na corrida pelo 
domnio de territrios coloniais.
  Figura 1  Pea explicaes ao seu professor sobre o mapa: Europa e reas 
Coloniais.

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  Esse domnio resultou em grandes mudanas na sociedade europia. No 
decorrer de trs sculos, toneladas de mercadorias coloniais, incluindo 
escravos, atravessaram os mares, enriquecendo os mercadores e abarrotando 
com imensas fortunas os tesouros reais.
  Com isso, os reis dos pases europeus tornaram-se  cada vez mais poderosos, 
decidindo sozinhos os destinos de seus governados: eram reis absolutistas.
  Absolutismo  um sistema de governo em que o governante no sofre 
nenhuma limitao ao seu poder. Ele governa segundo sua prpria vontade:  
ele quem faz as leis e tem a ltima palavra na administrao da justia. Os reis 
europeus do sculo XVII ao XIX foram, em geral, monarcas absolutistas.
  At o sculo XVII, esses reis e a burguesia europia conviveram em paz, 
cada qual tirando proveito, a seu modo, das riquezas proporcionadas pelas 
colnias. Mas, com o tempo, os burgueses j se sentiam suficientemente fortes 
para se opor  vontade dos monarcas, qu regulamentavam demais o 
funcionamento do comrcio e a produo de mercadorias.]  Por isso, a 
burguesia entrou em conflito com os reis absolutistas, o que provocou 
profundas mudanas nos pases europeus.
  No final do sculo XVIII, houve uma transformao revolucionria no modo 
de produzir mercadorias, com o surgimento das grandes fbricas, que 
tomavam o lugar das antigas oficinas artesanais.
  Por outro lado, essas  mudanas foram acompanhadas pelo surgimento de 
novos modos de pensar, que condenavam o absolutismo e a tirania dos reis. 
Embora essas idias tivessem surgido na Europa, chegaram s colnias da 
Amrica, induzindo os colonos a lutar contra o domnio das metrpoles. O 
resultado foi a independncia das colnias americanas, entre o final do sculo 
XVIII e incio do XIX. O Brasil, por exemplo, se tornou independente em 
1822.

  O que  importante aprender
  Durante o estudo desta unidade, procure concentrar-se nos seguintes 
objetivos:
  Compreender as modificaes profundas que ocorreram na Europa no sculo 
XVIII, tanto no aspecto material (produo de mercadorias), como no 
surgimento de novas idias.
  Relacionar as novas idias, conhecidas como Iluminismo, com a 
independncia das colnias inglesas da Amrica do norte e com a Revoluo 
Francesa em 1789.
   Explicar como as novas idias influenciaram as opinies e a ao dos 
colonos da regio das minas no Brasil.
  Explicar os motivos que os mineiros tiveram para se rebelar contra a Coroa 
portuguesa.
  Explicar por que Tiradentes foi o nico condenado  morte entre os rebeldes 
mineiros.
  Estabelecer as diferenas e semelhanas entre o movimento rebelde de Minas 
e o da Bahia.
  Identificar os fatores que contriburam para o desenvolvimento da agricultura 
na colnia, no final do sculo XVIII.
  Explicar por que a famlia real portuguesa se transferiu para o Brasil em 
1808.
  Compreender o significado que a vinda da famlia real teve para a situao 
da colnia.
  Explicar por que Pernambuco se revoltou contra o governo de D. Jao VI.
  Indicar quais foram os objetivos da Revoluo do Porto de 1820 e explicar 
suas conseqncias.
  Identificar os interesse dos diferentes grupos polticos brasileiros, no seu 
apoio a D.Pedro I.

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  Captulo 19 
  O que vai pelo mundo
  Recordando
  A Inglaterra desenvolveu seu comrcio martimo a partir do final do sculo 
XVI e tornou-se a maior potncia comercial europia.
  Com o desenvolvimento do comrcio e da produo de mercadorias na 
Inglaterra, a burguesia daquele pas cresceu e enriqueceu. Depois de quase um 
sculo de conflitos e guerras no pas, o rei ingls teve que reconhecer, no final 
do sculo XVII, que acima da sua vontade estava o Parlamento, isto , o 
conjunto de representante dos cidados ingleses. Como a maioria dos 
membros do Parlamento eram burgueses, estes passaram a dominar o governo 
ingls.

  A Revoluo Industrial

  O fato de a burguesia inglesa estar  frente das decises do reino resultou 
num desenvolvimento ainda maior do pas, que se tornou o mais rico e 
poderoso da Europa. Mas para isso tambm contribuiu a Revoluo Industrial, 
um processo acelarado de transformaes na produo de mercadorias, 
ocorrido no final do sculo XVIII.
  Anteriormente, os artesos, trabalhando em pequenas oficinas e com 
ferramentas manuais, no conseguiam produzir grandes quantidades de 
mercadorias. E, como a populao das cidades crescia constantemente, passou 
a haver uma procura cada vez maior dos produtos. Alm disso, tambm nas 
colnias a populao aumentava e todo o seu abastecimento dependia das 
mercadorias europias, principalmente inglesas.
  A necessidade de produzir quantidades cada vez maiores de mercadorias 
levou os ingleses a desenvolver os processos de produo. Muitos 
comerciantes comearam a organizar grandes oficinas, as chamadas 
manufaturas, que reuniam numerosos trabalhadores. Embora eles 
continuassem utilizando suas prprias ferramentas manuais, cada um se 
especializava numa tarefa. Assim, aumentava a velocidade da produo e a 
quantidade de mercadorias produzidas.
  Mas o principal avano se deu na Segunda metade do sculo XVIII, quando 
se desenvolveram a importantes inventos de mquinas, culminando com a 
utilizao do vapor para mover os mecanismos.
  Os donos das manufaturas comearam a introduzir essas mquinas nas suas 
oficinas, o que resultou num extraordinrio aumento da produo, 
principalmente de tecidos de algodo. Com a substituio de ferramentas 
manuais por mquinas, as manufaturas se transformaram em fbricas.
  Figura 1  A instalao de fbricas alterou a paisagem, criando grandes 
concentraes de populao, acinzentando o ar com a fumaa das chamins. 
Acima, indstrias metalrgicas em Creusot, em fins do sculo XIX.

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  Com a Revoluo Industrial surgiu uma nova classe social, a dos 
trabalhadores fabris, ou operrios. Eles viviam numa situao de extrema 
explorao e misria, pois, embora fossem livres, no tinham nenhuma 
garantia de direitos. Estavam inteiramente submetidos  vontade dos 
proprietrios das fbricas. Figura 2  Na indstria txtil inglesa empregava-se 
principalmente o trabalho de mulheres e crianas, que recebiam salrios 
inferiores aos dos homens.
  A Revoluo Industrial fez da Inglaterra a principal fornecedora de produtos 
industrializados a todo o mundo. Embora a Revoluo Industrial tenha se 
estendido, no sculo XIX, a outros pases da Europa, a Inglaterra conservou 
sua posio de liderana at meados do nosso sculo.

  A Amrica dos ingleses
  O enriquecimento da Inglaterra tambm se deve  posio que aquele pas 
conquistou no comrcio colonial.
  As colnias inglesas na Amrica do Norte comearam a ser criadas no incio 
do sculo XVII, quase cem anos depois das colnias portuguesas e 
espanholas.
  O atraso da Inglaterra na conquista de reas coloniais  explicado pelo fato 
de que, no sculo XVI, esse pas ainda no tinha condies para manter um 
imprio colonial: faltava-lhe uma marinha poderosa e bem armada e tambm 
uma monarquia forte para dirigir os empreendimentos martimos.
  Por isso naquele sculo, a ao dos ingleses nos mares se limitou quase 
exclusivamente  pirataria.
  A prpria Coroa inglesa se associava aos piratas, que atacavam os navios 
espanhis para apoderar-se dos preciosos carregamentos de ouro e prata 
procedentes da Amrica. Figura 3  A rainha Elizabeth I, que governou a 
Inglaterra no sculo XVI, associou-se ao famoso pirata Francis Drake. Juntos 
compartilhavam o saque obtido nos ataques aos navios espanhis. O quadro 
reproduz a visita da rainha ao navio do pirata.
  No entanto, j no final do sculo XVI, a monarquia inglesa se empenhou em 
fortalecer sua marinha. E, em 1587, a rainha da Inglaterra, Elizabeth I, tomou 
as primeiras medidas para que seu pas formasse um imprio colonial, 
enviando uma expedio s terras americanas.
  Cerca de vinte anos depois, a primeira leva de colonos ingleses desembarcou 
na Amrica, fundando uma colnia chamada Virgnia. 

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  Nos anos seguintes, outros grupos de colonos se estabeleceram em vrios 
pontos do litoral da Amrica do Norte, onde se fundaram treze colnias 
inglesas. Figura 4 : Mapa : Colnias Inglesas na Amrica  Pea explicaes 
ao seu professor.
  Apenas nas colnias inglesas do Sul, que se dedicaram ao cultivo de fumo e 
depois de algodo, se estabeleceu uma colonizao baseada em grandes 
latifndios, trabalhados por escravos africanos. Somente essas colnias eram 
controladas pela Inglaterra, devido ao alto valor comercial de seus produtos.
  Figura 5  Nas colnias do Sul formaram-se grandes fazendas de algodo, 
trabalhadas por escravos negros. O algodo continua ainda hoje sendo um 
importante produto agrcola dos Estados Unidos. (Fazenda em Luisiana)
  J as colnias inglesas do Centro, e principalmente as do Norte, 
desenvolveram caractersticas muito diferentes.
  Nas colnias do Norte se estabeleceram pequenas propriedades familiares. 
Seus habitantes no vinham para a Amrica com o objetivo de fazer fortuna. 
Eram quase todos perseguidos por causa de suas idias polticas ou religiosas. 
A Amrica tornava-se para eles um lugar onde podiam recomear a vida, a 
salvo das perseguies.
  Como eles no produziam nenhuma mercadoria de interesse para o comrcio 
ingls, tinha certa liberdade e at o direito de fazer suas prprias leis.
  Mas, no final do sculo XVIII, a Inglaterra passou a necessitar de mais 
recursos financeiros para enfrentar as guerras contra outros pases da Europa.
Por isso tentou estabelecer um controle mais rigoroso sobre as colnias e 
passou a cobrar novos impostos sobre as mercadorias que elas importavam. 
Isso provocou uma profunda insatisfao dos colonos.

  Novas idias
  Nessa poca surgiam e ganhavam grande fora idias novas sobre a liberdade 
e os direitos humanos. O conjunto dessas idias ficou conhecido como 
Iluminismo. Os pensadores iluministas combatiam o absolutismo dos reis e o 
grande poder da Igrja Catlica. E defendiam, alm da liberdade, a igualdade e 
o direito dos povos de tomar as decises sobre seus prprios destinos, sem Ter 
que submeter aos caprichos dos soberanos.
  Os primeiros pensadores iluministas eram franceses, mas suas idias tiveram 
grande influncia nos outros pases da Europa e tambm nas colnias da 
Amrica.

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  O primeiro pas livre da Amrica
  Quando a Inglaterra resolveu aumentar seu controle sobre as colnias 
americanas, ali j circulavam as idias iluministas. E elas se tornaram uma 
importante arma dos colonos na propaganda revolucionria contra sua 
metrpole.
  Aps oito anos de guerra contra a Inglaterra, os colonos venceram e assim, 
em 1776, surgiu o primeiro pas livre do continente americano: os Estados 
Unidos da Amrica do Norte. O exemplo se espalhou apor todas as colnias, 
fazendo brotar nelas o desejo da independncia. Figura 6  Os norte-
americanos comemoraram a independncia erguendo mastros, em vrios 
pontos do pas, que chamavam de rvores da liberdade.
  A Declarao de Independncia, de 1776, foi profundamente influenciada 
pelas idias iluministas.(Veja documento no final do captulo).

  Frana, 1789: abaixo a tirania
  Essas idias tambm contriburam decisivamente para a luta contra os 
monarcas absolutistas na Europa, que se desencadeou com a Revoluo 
Francesa, em 1789.
  Naquele ano, j havia um grande descontentamento de vrias camadas da 
populao da Frana com a tirania do rei Lus XVI: eram os burgueses, 
artesos, operrios e camponeses que sustentavam com altos impostos o luxo 
da monarquia e da corte.
  Contudo, havia tambm aqueles que se beneficiavam com a situao: a alta 
nobreza e alto clero, isto , os que ocupavam importantes posies na corte 
real, na administrao do reino ou na Igreja Catlica da Frana. Estes no 
pagavam impostos e recebiam muitos outros privilgios concedidos pelo rei. 
Os nobres proprietrios, por sua vez, dominavam as terras mais frteis e 
exploravam o trabalho dos camponeses, entre os quais ainda havia um milho 
de servos, que viviam como na poca feudal (veja pg. 37).
  Num grande e prolongado movimento revolucionrio, os burgueses, apoiados 
pelas outras camadas populares da sociedade francesa, conseguiram dominar o 
governo e eliminar os privilgios da nobreza e do alto clero. Figura 7  Uma 
das primeiras aes dos revolucionrios franceses foi a tomada da Bastilha, 
antiga fortaleza que servia de priso aos condenados polticos e simbolizava o 
poder absolutista do rei.

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  Atividades
  Atividade I  Ficha de leitura
  Faa a ficha de leitura do captulo 19, baseando-se no roteiro a seguir:
  1. A luta da burguesia inglesa contra o absolutismo no sculo XVII. 
(Consulte tambm a introduo da unidade VIII, p. 121.)
  2. Relao entre o crescimento da populao das cidades europias e colnias 
e as transformaes nos mtodos de produo de mercadorias.
  3. As diferenas entre a produo artesanal, manufatureira e fabril.
  4. A situao dos operrios fabris nos primeiros tempos da industrializao.
  5. Diferenas entre as colnias inglesas da Amrica localizadas no Sul e as 
localizadas no Norte.
  6. Motivo de descontentamento dos colonos americanos.
  7. As idias iluministas : o que combatiam e o que defendiam.
  8. Relao entre as idias iluministas e a Revoluo de Independncia das 
colnias inglesas da Amrica.
  9. Conseqncias da Revoluo Francesa para o rei, a nobreza e a burguesia 
daquele pas.

  Atividade II  Estudo de outras fontes

  Documento
  Trechos da Declarao de Independncia dos Estados Unidos da Amrica, 
redigida por Thomas Jefferson.
  Consideramos[...] que todos os homens foram criados iguais, foram dotados 
pelo criador de certos direitos inalienveis, que, entre estes, esto a vida, a 
liberdade e busca da felicidade: [...] que sempre que qualquer forma de 
governo se torne destrutiva de tais fins, cabe ao povo o direito de alter-la ou 
aboli-la e instituir novo governo, baseando-se em tais princpios e 
organizando-lhe os poderes pela forma que lhe parea mais conveniente para 
realizar-lhe a segurana e a felicidade.
  (Jefferson, Thomas. Escritos polticos. So Paulo: Ibrasa, 1964, p. 4.)

  1. quais so os direitos fundamentais do homem, segundo a Declarao de 
Independncia dos Estados Unidos?
  2. Como um povo deve agir para com um governo que no respeita esses 
direitos?

  Sugesto de atividade complementar

  Atividade III  Em grupos
  Essa atividade tem por objetivo auxiliar a compreenso do captulo seguinte.
  Discutir as situaes e responder s perguntas que se seguem:
  1. No comrcio entre pases, o que voc acha que vale mais: produtos 
agrcolas ou produtos industrializados? Por qu ?
  2. Entre vinhos e tecidos, qual desses dois produtos voc acha que vale 
mais ? Por qu ?
  3. O que aconteceria a um pas se ele comprasse produtos no exterior mais 
valiosos do que os que tem para vender?
  4. Num determinado pas comea a se desenvolver a indstria de automveis. 
Cada automvel custa para o comprador uma quantia equivalente a 8 mil 
dlares. Os compradores tambm podem encontrar  venda automveis 
importados, mas eles custam 12 mil dlares. Esse preo alto se explica porque 
 cobrada uma alta taxa alfandegria. Pergunta: Qual dos dois tipos de carros a 
maioria das pessoas preferiria?
  5. Em certo momento, o governo daquele pas, resolve facilitar a importao 
de automveis, cobrando uma taxa menor. O carro importado passa a ser 
vendido por 6 mil dlares. Pergunta: Nessa situao, qual dos dois tipos de 
carros a maioria das pessoas preferir comprar? O que poderia acontecer, 
ento, com as fbricas de automveis do pas?

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  Captulo 20
  Todos os povos tm direito  liberdade
  Recordando
  Desde a Segunda metade do sculo XVII, a Coroa portuguesa apertou o 
cerco contra sua colnia, aumentando o rigor da fiscalizao e impondo o 
monoplio comercial, na tentativa de compensar a crise que o reino 
enfrentava.

  Apesar da grande quantidade de riquezas que chegavam a Portugal 
procedentes de seus territrios ultramarinos, o pequeno reino foi, aos poucos, 
se tornando cada vez mais dependente da Inglaterra.
  Um fato que marcou profundamente essa dependncia foi um tratado firmado 
entre Portugal e Inglaterra em 1703, (Tratado de Methuen). Nele se 
estabelecia o seguinte: daquela data em diante Portugal abriria seus portos 
para a entrada de tecidos ingleses, sem o pagamento de nenhuma taxa, 
enquanto a Inglaterra daria preferncia aos vinhos portugueses, que pagariam 
uma taxa menor do que os franceses.
  Para Portugal, as conseqncias desse tratado foram muito desfavorveis, 
pois as poucas manufaturas de tecidos que existiam no reino no conseguiram 
agentar a concorrncia dos tecidos ingleses. Como estes no pagavam 
impostos alfandegrios, podiam ser vendidos a preos mais baixos do que os 
panos portugueses. Diante disso, grande parte das manufaturas de Portugal 
tiveram que fechar suas portas.
  Ao mesmo tempo, Portugal comprava muitos outros produtos ingleses e no 
vendia o suficiente para pagar essas importaes. Ento, grande quantidade de 
ouro tinha que sair do reino, como pagamento das dvidas com a Inglaterra.
E isso s foi possvel porque, desde o final do sculo XVII, Portugal contava 
com o ouro da colnia brasileira. Figura 1  No sculo XVIII, a Inglaterra j 
era a mais poderosa potncia comercial e martima da Europa. Na figura, o 
porto ingls de Bristol, onde se concentrava grande parte do comrcio 
colonial, como o trfico de escravos negros. (Pea para o seu professor 
descrever.)

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At mais ou menos 1760, a produo de ouro de Minas Gerais aumentou 
aceleradamente. Mas, a partir dessa poca, as jazidas comearam a se esgotar 
e a produo decaiu ano a ano. Figura 2  Pea explicaes sobre o quadro 
estatstico.
   claro que os impostos, que correspondiam a um quinto de todo o ouro 
extrado, tambm diminuram, reduzindo os rendimentos da metrpole. Em 
conseqncia, a fiscalizao sobre os colonos se tornou ainda mais rigorosa. 
As autoridades portuguesas no acreditavam que a minerao estivesse 
entrando em decadncia e atribuam a queda de impostos a um aumento do 
contrabando.

  O Marqus de Pombal tenta salvar o reino
  Em 1750 o rei D. Jos I, de Portugal, escolheu como ministro um homem 
originrio da pequena nobreza, chamado Sebastio Jos de Carvalho e Melo, 
mais conhecido pelo ttulo de Marqus de Pombal.
  O controle sobre o ouro do Brasil foi uma das principais formas que Pombal 
adotou para tentar solucionar os problemas de Portugal.
  O marqus de Pombal se tornou muito poderoso no reino, e uma de suas 
mais importantes aes foi contra os jesutas. O poderio da ordem religiosa, 
tanto em Portugal quanto na Amrica, levou o ministro a expulsar os jesutas, 
no s do reino mas tambm da colnia, em 1759, confiscando todos os bens 
da ordem. No Brasil, as aldeias jesuticas passaram a ser dirigidas por um 
diretor nomeado pelas autoridades da colnia.
  Pombal acabou perdendo sua posio de poder e prestgio depois da morte de 
D. Jos I, em 1777, quando subiu ao trono D. Maria I. Ele se retirou para um 
pequeno povoado do interior de Portugal, que recebeu seu nome (Pombal), e 
morreu em 1782.
  Uma de suas medidas visava garantir a quantidade de ouro paga como 
imposto. Para isso foi estabelecido, em 1762, que esse imposto no poderia ser 
inferior a 100 arrobas por ano.
  Naquele mesmo ano, foi realizada a primeira derrama, isto , a cobrana 
forada, feita pelos soldados portugueses, que iam de casa em casa 
apreendendo os objetos de ouro para completar as 100 arrobas do imposto 
devido. Em 1768 houve a Segunda derrama.
  Mas, como a produo de ouro decaa ano a ano, a colnia ficava devendo 
quantidades cada vez maiores de impostos atrasados.
  Outra medida de Pombal se relacionava com o contrabando de ouro,. 
Investigando como ele era feito, as autoridades portuguesas concluram que os 
ourives eram os principais responsveis, pois confeccionavam objetos (jias e 
imagens religiosas) com ouro que no passava pelas casas de fundio.
  Para impedir esse tipo de contrabando, um decreto real de 1766 mandou 
fechar as oficinas de ourivesaria e proibiu o trabalho dos ourives que no 
tivessem licena do governo. Alm disso, foram proibidas as importaes de 
qualquer ferramenta usada no trabalho de ourivesaria.

  Idias revolucionrias fervilham na colnia
  Diante das demonstraes de fora e das medidas repressivas aos colonos, a 
populao das minas se tornou cada vez mais revoltada.
  Nessas condies, as idias revolucionrias vindas da Amrica do Norte e da 
Frana eram bem recebidas entre os colonos. A Coroa tentava impedir, por 
todos os meios, que essas idias chegassem aqui. Para isso, proibia a entrada 
de livros considerados perigosos e tambm no permitia o funcionamento de 
tipografias na colnia.
  Mas muitos filhos das ricas famlias de mineradores iam estudar nas 
universidades europias. L participavam dos intensos debates da poca, em 
que se confrontavam os iluministas e os defensores do absolutismo. De volta  
colnia, os jovens divulgavam as idias que adquiriam na Europa e que 
correspondiam exatamente aos interesses de liberdade dos colonos.

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  Alm disso, a independncia das colnias inglesas da Amrica do Norte 
tornou-se um exemplo que poderia ser seguido.

  Comea a conspirao
  Em 1788, a rainha D. Maria I, de Portugal, decidiu realizar mais uma 
derrama na colnia, repetindo o que havia sendo feito em 1762 e 1768. Desde 
ento, a produo de ouro era cada vez menor e as dvidas da colnia 
cresceram rapidamente, atingindo cerca de 382 arrobas. A dvida era maior 
que a produo total de ouro num ano.
  Naquela data, a rainha enviou um novo governador para Minas Gerais, que 
vinha com ordens de realizar a cobrana, em data no anunciada.
  A deciso da Coroa causou mais revolta entre os colonos, sobretudo em Vila 
Rica, a maior e mais importante cidade colonial na poca.
  Figura 3  Vila Rica 9atual Ouro Preto) conservou suas caractersticas 
coloniais e em 1933 foi tombada pelo Patrimnio Histrico, tornando-se uma 
cidade monumento.
  Em Vila Rica, teve incio uma conspirao contra o domnio portugus. O 
grupo de conspiradores era formado por pessoas das camadas altas e mdias 
da sociedade mineradora:  mineradores, intelectuais, padres, militares, 
comerciantes.
  O que sabemos sobre os conspiradores de Vila Rica  o que est registrado 
no processo de julgamento (autos da davassa), ou seja, consiste no que as 
autoridades portuguesas conseguiram descobrir. Assim, conhecemos o nome 
dos conspiradores: o padre Jos da Silva de Oliveira Rolim, o alferes Joaquim 
Jos da Silva Xavier (o Tiradentes), o padre Carlos Correia de Toledo, Incio 
Jos de Alvarenga Peixoto (poeta e minerador), Jos lvares Maciel Filho 
(filho do capito-mor de Vila Rica), Lus Vieira da Silva, cnego de Mariana, 
e os poetas Toms Antnio Gonzaga e Cludio Manoel da Costa. 
Participavam ainda do movimento o comerciante Domingos de Abreu Vieira, 
Joaquim Slvrio dos Reis e Joo Rodrigues de Macedo.
  Pea para o seu professor descrever: Casa de Cludio Manoel da Costa, em 
Ouro Preto (antiga Vila Rica), onde se fizeram reunies de conspiradores.
  Logo comearam a circular na vila uns folhetos criticando o governador de 
Minas, Visconde  de Barbacena.

  O que pretendiam os conspiradores?
  Todos os conspiradores concordavam em algumas questes: queriam a 
eliminao do monoplio comercial portugus, que impedia os colonos de 
comerciar com outros pases do mundo; o desenvolvimento das manufaturas; e 
o incentivo da produo agrcola.
  Mas sobre outros pontos havia discordncias: discutiram se o novo pas teria 
escravos ou no, e no conseguiram chegar a um acordo, pois entre os 
conspiradores havia proprietrios de escravos. Tambm quanto ao tipo de 
governo que se instalaria depois da independncia, havia diferentes opinies: a 
maioria, influenciada pela independncia dos Estados Unidos, desejava que 
aqui tambm se instaurasse uma repblica. Outros preferiram a monarquia.
  Pensou-se tambm na bandeira do novo pas: num fundo branco, o desenho 
de um tringulo, traado em vermelho, simbolizando a Santissma Trindade e 
a inscrio, em latim, libertas quae sera tamen (liberdade ainda que tardia).
   O movimento estava marcado para o dia da derrama, ao qual os rebeldes se 
referiam como o dia do batizado.

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  Entre os conspiradores havia um minerador chamado Silvrio do Reis 
(tambm comandante da tropa em So Joo del Rei). Ele devia uma enorme 
quantia  Coroa e, se o movimento fosse vitorioso, ficaria livre da dvida.
  Silvrio dos Reis, no entanto, preferiu um modo menos arriscado de resolver 
seu problema. Como assistira s reunies, conhecia todos os detalhes e 
segredos do movimento. Ento, resolveu revelar o que sabia ao governador 
Barbacena, que recebeu tambm outras denncias sobre a conspirao.
  Diante das informaes obtidas, o governador suspendeu a derrama  ltima 
hora, apanhando os conspiradores de surpresa e iniciando as prises.
  Os prisioneiros de Vila Rica foram transferidos para o Rio de Janeiro, onde 
seria o julgamento. Iniciou-se a devassa, isto , uma investigao rigorosa 
sobre a conspirao. Figura 4  Os conspiradores presos em Vila Rica foram 
transferidos para o Rio de Janeiro, onde seria realizado o julgamento. Jornada 
dos mrtires, quadro do pintor Antonio Parreiras.
  Pouco a pouco, submetidos  tortura, os prisioneiros confessaram. Somente 
um resistiu: o poeta Toms Antnio Gonzaga.
  O poeta Cludio Manoel da Costa foi encontrado morto na priso: pairam 
dvidas sobre se ele cometeu suicdio ou se foi assassinado.
  Joaquim Jos da Silva Xavier, o Tiradentes, depois de trs interrogatrios, 
resolveu confessar, mas inocentou os outros prisioneiros. Assumiu sozinho a 
responsabilidade do movimento e apresentou-se como seu chefe, embora fosse 
apenas um propagandista da conspirao. 
  Nascido em 1746, Joaquim Jos ficou rfo de pai e me quando ainda era 
criana, tendo sido educado por seu padrinho, um cirurgio que arrancava 
dentes. Com ele, o menino aprendeu a profisso que lhe valeu o apelido: 
Tiradentes. Foi membro da Sexta Companhia de Drages da Capitania de 
Minas Gerais, onde ocupou o posto de alferes (que corresponderia atualmente 
a segunda-tenente).

  O julgamento: uma farsa
  Havia 34 acusados no processo, que se concluiu em 1792. Alguns foram 
condenados  forca, outros ao degredo, isto , seriam expulsos do Brasil e 
levados para a frica, de onde no poderiam voltar.
  Mas, na realidade, o julgamento era uma farsa: a rainha D. Maria I, havia 
assinado um documento secreto a,  dois anos antes do julgamento, 
recomendando o perdo queles que apenas haviam participado das reunies 
ou s tivessem conhecido da conspirao. Os mais ativos deveriam ser 
enviados a Angola, Benguela ou Moambique,  na frica. A forca ficaria 
reservada queles que tivessem propagado o movimento, tentando conquistar 
novos adeptos.
  Essas determinaes continuaram secretas durante o julgamento e s foram 
conhecidas depois de dadas as sentenas. Assim, a modificao das penas 
apareceu como perdo da bondosa rainha.
  De acordo com as determinaes de D. Maria I, apenas a um conspirador 
caberia a pena mxima, a morte na forca: Tiradentes, que havia sido o 
propagandista da rebelio. Sua execuo deveria servir de exemplo para que 
nunca mais os colonos tivessem a ousadia de rebelar-se contra a Coroa.
  No momento em que foi anunciado o perdo da rainha, a alegria tomou conta 
dos condenados, que chegaram a dar vivas a D. Maria I.
  Pea para o seu professor descrever: Figura 4  Os conspiradores presos em 
Vila Rica foram transferidos para o Rio de Janeiro, onde seria realizado o 
julgamento. Jornada dos mrtires, quadro do pintor Antonio Parreiras.

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  Por que Tiradentes?
  Desse modo, Tiradentes foi aquele que costumamos chamar de bode 
Espiatrio, ou seja, o que leva a culpa e o castigo pelos outros, para servir de 
exemplo.
  Em parte Tiradentes contribuiu para isso, assumindo sozinho a 
responsabilidade pelo movimento. Mas havia outras razes para que somente 
ele fosse condenado. De todos os conspiradores, era o menos importante, o 
mais pobre, o mais desconhecido. Seu papel no movimento no foi to 
destacado como o de outros, limitando-se quase exclusivamente  propaganda 
contra a Coroa. Sobre Tiradentes pesou tambm a atitude dos companheiros, 
que nada fizeram para inocent-lo ou diminuir-lhe a culpa.

  Diante disso tudo, apenas a sentena contra ele foi mantida: Tiradentes seria 
enforcado, teria a cabea cortada e exibida sobre uma estaca no centro de Vila 
Rica; seu corpo seria esquartejado e as partes exibidas nos lugares da capitania 
que mais freqentava; sua casa, em Vila Rica, seria destruda e o solo salgado.
  Na manh de 21 de abril de 1792, Tiradentes foi conduzido  forca.(Figura 
5.) 
Execuo de Tiradentes, quadro de Guignard.
  Na poca, os conspiradores foram considerados inconfidentes, isto , infiis  
Coroa. Da o nome de Inconfidncia Mineira, dado ao movimento. Hoje ele  
chamado tambm de Conjurao Mineira (conjurao significa 
conspirao).

  A Rebelio dos Alfaiates
  Alm da Conjurao de Minas Gerais, surgiram outros movimentos contra a 
Coroa, na Bahia e no Rio de Janeiro. I da Bahia se destaca por Ter sido o 
nico que teve uma grande participao das camadas populares (artesos, 
escravos e libertos, pretos e mulatos).
  Como em Minas, as idias iluministas incendiavam a imaginao dos 
baianos, inspirando-lhes o desejo de lutar e de libertar-se do domnio 
portugus.
  Os objetivos dos rebeldes baianos, no entanto, no se limitavam a conseguir 
a independncia. Pretendiam fazer grandes transformaes na vida da 
capitania: formao de um governo republicano, abertura dos portos aos 
navios de todos os pases, abolio da escravido.
  No dia 12 de agosto de 1798, os revolucionrios pregaram nas paredes das 
igrejas e em outros locais da cidade de um manifesto onde expunham suas 
intenes. (Figura 6.) Igreja da praa da Piedade, na Bahia (sculo XIX). 
Gravura de Charles Ribeyrilles.
 

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  A conjurao baiana tambm ficou conhecida pelo nome de Rebelio dos 
Alfaiates, porque, alm de haver vrios alfaiates entre os rebeldes, um dos 
lderes era um escravo alfaiate.
  Naquele ano, a conspirao era o assunto mais importante do povo do 
Salvador. Em toda a parte, nas ruas, nos sales, nos quartis, faziam-se 
reunies e planos para a revoluo.
  Mas, como aconteceu com a Conjurao Mineira, as autoridades tambm 
receberam vrias denncias e a notcia chegou ao Rio de Janeiro. A represso 
estava preparada e j eram conhecidos os nomes de alguns rebeldes.
  As prises se sucederam rapidamente: onze escravos, cinco alfaiates, seis 
soldados, dois tenentes, um sargento, um carpinteiro, dois ourives, um 
bordador, um pedreiro, um cirurgio, um comerciante e um professor.
  Entre os escravos, havia cinco alfaiates, um sapateiro, um carpinteiro e um 
barbeiro. Os outros cinco eram escravos de aluguel (ou de ganho).
  Na hora das condenaes, a penalidade mxima ficou para os conspiradores 
de origem mais humilde: quatro deles foram enforcados e esquartejados no dia 
8 de novembro de 1799. Outros rus foram condenados  priso ou ao degredo 
para a frica.

  Atividades
  Atividade I  Ficha de leitura
  Faa a ficha de leitura do captulo 20, baseando-se no roteiro a seguir:
  1. A dependncia de Portugal em relao  Inglaterra.
  2. Declnio da produo do ouro no Brasil.
  3. Medidas tomadas pelo Marqus de Pombal para impedir a reduo dos 
rendimentos da Coroa.
  4. Relao entre os jovens que iam estudar na Europa e a circulao das 
idias revolucionrias na colnia.
  5. Acontecimento que provocou o desencadeamento da conspirao em 
Minas Gerais.
  6. As denncias e a priso dos conspiradores.
  7. A farsa do julgamento dos conspiradores.
  8. Razes que explicam a condenao  morte somente de Tiradentes.
  9. Comparao entre a Conjurao Mineira e a Rebelio dos Alfaiates 
(semelhanas e diferenas), nos seguintes aspectos:
  a) posio social dos conspiradores;
  b. objetivos da conspirao;
  c. condenaes.

  Atividade II  Estudo de outras fontes
  Documento
  Autos da devassa de Minas Gerais:
  Vicente Vieira da Mota (...) jurou sobre os Santos Evangelhos, em que ps 
sua mo direita dizer a verdade.
  Disse que sabe por ser pblico em toda esta Vila Rica, que o Alferes Joaquim 
Jos da Silva, por alcunha  o Tiradentes  andava falando pelas tabernas, 
quartis, por onde se achava, que estas Minas Gerais podiam vir a ser uma 
repblica. Em certa ocasio, indo Tiradentes  sua casa conversou longamente 
sobre a beleza, formosura e riqueza deste pas de Minas Gerais, asseverando 
que era o melhor do mundo porque tinha em si ouro e diamantes, 
acrescentando que bem podia ser uma repblica livre e florescente. A 
testemunha lhe respondeu: - Pois qu? Assim como sucedeu com a Amrica 
Inglesa? Tiradentes retrucou  Justamente. E ainda melhor, pelas maiores 
comodidades que tem. A testemunha ento disse: - Ora, no seja doido! Isto 
 loucura. Voc anda fazendo alguma que lhe h de ainda disparar em 
algumas dores de cabea.(...)
  (Apud Coletnea de documentos histricos para o primeiro grau  Quinta a 
oitava sries, p. 33.)

  1. Que crime o relato da testemunha indica Ter sido praticado por 
Tiradentes?
  2. Como no relato aparece a influncia da Independncia dos Estados Unidos 
e das idias republicanas?
  3. De que modo a testemunha procura demonstrar que no compartilhava as 
idias dos conspiradores?

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  Captulo 21
  O Brasil vira reino
  Recordando:
  As idias revolucionrias surgidas na Europa no sculo XVIII tambm se 
difundiram pela Amrica, que naquela poca era inteiramente formada por 
colnias de pases europeus. Depois da Independncia dos Estados Unidos, o 
desejo de liberdade se intensificou ainda mais. No Brasil, ele se manifestou na 
Conjurao Mineira e na Rebelio dos Alfaiates.
  O fracasso dessas conspiraes no impediu que a idia de liberdade se 
fortalecesse cada vez mais. No entanto, foram acontecimentos ocorridos na 
Europa que acabaram contribuindo para a independncia do Brasil.

  Frana e Inglaterra: grandes rivais
  Como vimos, na Revoluo de 1789, a burguesia francesa conquistou o 
poder. Mas nos outros pases europeus, vizinhos da Frana, os reis absolutistas 
temiam as idias revolucionrias que se difundiam por toda a parte. Por isso, 
travaram guerras contra o governo francs, com o objetivo de fazer tudo voltar 
ao que era antes.
  Assim, a burguesia francesa se sentia constantemente ameaada pelos pases 
vizinhos, inimigos da revoluo. Para garantir o poder que haviam 
conquistado, os burgueses precisavam de um governante forte, que 
representasse bem seus interesses.
  Esse papel foi desempenhado por um jovem militar, Napoleo Bonaparte, 
que acabou se tornando imperador da Frana em 1804.
  Um dos objetivos de Napoleo era fazer a Frana a maior potncia da 
Europa. Mas, para isso, ele teria que se confrontar com a Inglaterrra, o mais 
rico e poderoso pas europeu naquela poca.
  Visando enfraquecer a economia inglesa, Napoleo armou um plano: ele 
sabia que os ingleses precisavam vender suas mercadorias. Assim, sups que 
derrotaria o pas rival, se conseguisse dominar os outros pases da Europa, 
para obrig-los a cortar o comrcio com a Inglaterra. Comandando seus 
exrcitos, Napoleo conquistou vrios pases e deps seus soberanos, 
colocando outros reis nos tronos. E imps o chamado Bloqueio Continental, 
isto , o isolamento entre o continente europeu e a Inglaterra, que  uma ilha.

  Portugal ameaado
  Entre os pases que Napoleo, queria dominar estava Portugal. Por isso, em 
1807, pesava sobre esse reino uma ameaa: ou o governo portugus 
concordava em romper o comrcio com a Inglaterra, como exigia Napoleo, 
ou os exrcitos franceses invadiram o pas.
  A rainha de Portugal, D. Maria I, enlouquecera, e seu filho, D. Joo, tornara-
se o regente do trono. Diante da ameaa francesa, D. Joo ficou numa situao 
complicada. No podia aceitar as imposies de Napoleo, porque Portugal 
era antigo aliado da Inglaterra. Por outro lado, se no atendesse s exigncias 
do imperador francs, teria que enfrentar seus exrcitos.

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  Pea explicaes ao professor.
  Figura 1.Domnios Coloniais no Final do Sculo XVIII. 
  Figura 2.Bloqueio Continental

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  Cedendo s presses da Inglaterra, D. Joo reunio sua numerosa corte de 
nobres e fugiu para o Brasil.
  Enquanto os soldados de Napoleo se aproximavam de Lisboa, a corte partia 
para a colnia, navegando sob a proteo de embarcaes inglesas.(Figura 4)

  O Rio de Janeiro em alvoroo
  No dia 22 de janeiro de 1808, os navios que transportavam a famlia real e a 
corte portuguesa chegaram ao Brasil, aportando inicialmente em Salvador e 
dirigindo-se depois para o Rio de Janeiro, que era a capital da colnia.
  Mas a vinda de aproximadamente 15 mil pessoas criava srios problemas 
para a cidade: como arrumar casas para tanta gente? Apesar das obras feitas s 
pressas, muitos moradores foram simplesmente despejados de suas casas, 
requisitadas para acomodar os fidalgos do reino.
  A presena da famlia real no Brasil trouxe grandes mudanas para a colnia 
e principalmente para a cidade do Rio de Janeiro. O regente criou a Impresso 
Rgia, isto , tipografia onde se imprimiram os primeiros jornais oficiais do 
Brasil, a Real Fbrica de Plvora, o Banco do Brasil, duas escolas de 
medicina(no Rio e em Salvador) e a Academia Real Militar. Foram 
inaugurados um teatro, uma academia de belas-artes, o Jardim Botnico e uma 
biblioteca pblica, onde se guardaram os 14 mil livros trazidos do reino em  
1808.

  O Brasil aberto ao mundo
  O primeiro ato de D. Joo, ainda em Salvador, foi a assinatura de um decreto, 
em 28 de janeiro de 1808, que abriu os portos brasileiros s naes amigas, 
permitindo, portanto, que navios de outros pases aportassem no Brasil. At 
ento, como j vimos, os comerciantes portugueses tinham o monoplio do 
comrcio com a colnia.
  A partir daquela data, centenas de embarcaes estrangeiras comearam a 
chegar, abarrotadas de mercadorias antes desconhecidas da populao da  
colnia. Na volta levavam os pores cheios de produtos brasileiros: algodo, 
milho, arroz, acar, tabaco, couro, madeiras, etc.
  Alm disso, numerosos comerciantes estrangeiros (ingleses, franceses e de 
outras nacionalidades) instalaram-se nas cidades da colnia, abrindo lojas, 
oficinas e escritrios.
  Quem mais se beneficiou com a abertura dos portos foram os comerciantes 
ingleses, sobretudo depois de 1810. Naquele ano D. Joo firmou com a 
Inglaterra dois tratados, que concediam vantagens especiais aos ingleses: o 
Tratado de Aliana e Amizade; e o Tratado de Comrcio e Navegao. As 
mercadorias inglesas, ao entrarem no Brasil, deveriam pagar uma taxa de 
apenas 15 por cento enquanto as de outros pases pagavam 24 por cento.
Os prprios comerciantes portugueses pagavam  16 por cento.
  Para o Brasil, esse tratado foi desastroso. Embora D. Joo tivesse suspendido 
a antiga proibio de instalar manufaturas, no havia estmulo para o 
desenvolvimento de indstrias, pois as mercadorias inglesas eram vendidas 
por preos muito baixos.

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  O Brasil vira reino
  Embora o exrcito de Napoleo tenha sido derrotado em 1811, D. Joo no 
voltou para Portugal, que passou a ser governado por um comandante ingls 
at 1820.
  A permanncia de D. Joo no Brasil era fundamental para que a Coroa 
pudesse controlar de perto a nica fonte de recursos que ainda no tinha: os 
impostos aqui arrecadados. Se o regente fosse embora, Portugal corria o risco 
de perder definitivamente a colnia, o que aceleraria ainda mais sua runa, 
iniciada tanto tempo antes.
  E, j que o governo portugus pretendia ficar definitivamente no Brasil, a 
condio de colnia deveria ser alterada, para facilitar as relaes 
diplomticas com os demais pases. Assim, num decreto de 1815, D. Joo 
ordenava:
  Primeiro Que (...) o Estado do Brasil seja elevado  dignidade, 
preeminncia e denominao de Reino do Brasil.
  Segundo  Que os (...) reinos de Portugal, Algarves e Brasil formem dora em 
diante um s e nico reino debaixo do ttulo de Reino Unido de Portugal, e do 
Brasil, e Algarves.
  Desde essa data, as capitanias passaram a chamar-se provncias. O Brasil 
deixava de ser colnia e unia-se ao reino de Portugal. Mas no ficava 
independente.

  A Revoluo de 1817 em Pernambuco
  Apesar das mudanas trazidas com a vinda da famlia real para o Brasil, 
muitos brasileiros ainda desejavam romper definitivamente com a situao 
colonial.
  Para Pernambuco, por exemplo, a presena da monarquia no Brasil no 
trouxera nenhum benefcio. Os proprietrios de terras do Nordeste estavam 
enfrentando srias dificuldades: no incio do sculo XIX as principais lavouras 
da regio (acar e algodo) estavam com seus preos de exportao muito 
reduzidos.
  Por outro lado, apesar da maior liberdade de comrcio com os outros pases, 
os comerciantes portugueses do Recife, apelidados de marinheiros,
Continuavam como intermedirios no comrcio de importao e exportao. 
Eles rebaixavam os preos de mercadorias brasileiras que se destinavam ao 
exterior, revendendo-as depois com grande lucro, e vendiam as mercadorias 
estrangeiras por preos altssimos. (Figura 5.)
  Pea explicaes ao seu professor sobre: Vista da Alfndega de Recife, no 
sculo XIX. Ali aportavam navios de vrias partes do mundo, trazendo 
mercadorias estrangeiras e levando os produtos do Brasil, principalmente 
acar e algodo.
  Essa situao aguava uma antiga rivalidade entre brasileiros (proprietrios 
de terras) e portugueses(comerciantes), manifestada j em outras ocasies, 
como na Guerra dos Mascates.(Veja p. 108)
  Alm disso, os proprietrios de terras, j de longa data, estavam sempre 
devendo dinheiro aos comerciantes e vivendo sob constante ameaa de perder 
suas propriedades.

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  Para agravar ainda mais a situao, uma seca intensa atingiu o Nordeste, 
prejudicando a lavoura algodoeira e a produo de gneros alimentcios, o que 
provocou seu encarecimento.
  E, como se no bastasse tudo isso, com a mudana da corte portuguesa para o 
Brasil, novos impostos foram criados, com o objetivo de cobrir as despesas da 
famlia real, sustentar o luxo da corte, manter o exrcito, garantir o pagamento 
de numerosos funcionrios e promover obras na cidade do Rio de Janeiro.
  Para se Ter uma idia desse aumento de impostos, basta dizer que em 1820 a 
Coroa arrecadava cinco vezes mais impostos do que em 1808.

  Viva a ptria! Mata marinheiro!
  Nessas condies, o descontentamento dos proprietrios de Pernambuco 
acabou se transformando numa revoluo contra a Coroa.
  As idias iluministas e o exemplo de independncia dos Estados Unidos mais 
uma vez inspiram o movimento contra o domnio portugus e a tentativa de 
criar no Brasil uma repblica semelhante  norte-americana.
  Em 1817, comeou a conspirao, da qual participaram senhores de engenho, 
padres, comerciantes brasileiros, militares e advogados. As camadas populares 
(artesos, funcionrios pblicos, empregados no comrcio, biscateiros) 
tambm aderiram ao movimento: eram os mais prejudicados pelo aumento dos 
preos de gneros. Mas a direo ficou nas mos dos grandes proprietrios.
  O governador de Pernambuco sabia o que estava ocorrendo, porque recebia 
constantes denncias. Ento, para liquidar a rebelio, mandou prender alguns 
de seus lderes.
  Mas as prises, em vez de acabarem com o movimento, tiveram um efeito 
contrrio: a revolta explodiu. Os soldados nos quartis apoiaram a rebelio e o 
governador teve que entregar o governo aos revolucionrios.

  O Brasil que os revolucionrios queriam
  A revoluo parecia vitoriosa. Instalou-se um governo provisrio em 
Pernambuco, do qual participavam um senhor de engenho, um comerciante, 
um militar e um padre . Deveria ser implantada a repblica, e seriam 
garantidas as liberdades de opinio, de imprensa e de religio.  Alm disso, se 
realizariam eleies e se elaboraria uma Constituio.
  Apesar dessas idias avanadas, os revolucionrios no pensavam em abolir 
a escravido imediatamente. Queriam um pas livre de Portugal, mas no 
desejavam perder seus escravos.
  O governo revolucionrio de Pernambuco enviou representantes s outras 
capitanias do Nordeste e ao exterior, com a finalidade de conseguir apoio para 
o movimento. (Figura 6)
  O Campo das Princesas do Recife. Ao fundo se v o antigo palcio do 
governo, ocupado pelos rebeldes de 1817 por cerca de dois meses (de 6 de 
maro a 19 de maio).

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  Atividades
  Atividade I  Ficha de leitura
  Faa a ficha de leitura do captulo 21, baseando-se no roteiro a seguir:
  1. Os interesses da burguesia francesa, aps a Revoluo de 1789 e subida de 
Napoleo ao poder.
  2.Relao entre o projeto de Napoleo de transformar a Frana em maior 
potncia europia e o Bloqueio Continental  Inglaterra.
  3. A situao de Portugal diante das ameaas de Napoleo. Soluo adotada.
  4. Significado do decreto de abertura dos portos assinado por D. Joo VI ao 
chegar ao Brasil.
  5. Tratados de 1810 com a Inglaterra:
  a) o que determinavam;
  b) a quem favoreciam;
  c) a quem prejudicavam.
  6. Razes que levaram D. Joo a permanecer no Brasil, apesar da derrota de 
Napoleo.
  7. Problemas de Pernambuco no incio do sculo XIX.
  8. Camadas sociais que participaram da Revoluo de 1817 em Pernambuco.
  9. A vitria inicial e o desfecho do movimento rebelde.

  Atividade II  Estudo de outras fontes
  Texto complementar
  A partir de 1808 De tudo trouxeram os ingleses desde as primeiras viagens: 
fazendas de algodo, l e seda; peas de vesturio, alimentos, artigos de 
armarinhos, mveis, vidros, cristais, louas, porcelanas, panelas de ferro, 
cutelaria, quinquilharia, carruagens, etc.
  (...) A Inglaterra dominava no comrcio exterior brasileiro e comerciantes 
ingleses passaram a dominar no comrcio interno. Sobrepujaram os 
portugueses nesse comrcio, o que provocou grande animosidade dos 
comerciantes lusos contra eles (...)
  (Holanda, Srgio Buarque de. (Coord.) Histria geral da civilizao 
brasileira. Vol. II  O Brasil monrquico. Rio de Janeiro - So Paulo: Difel, 
1976, p. 76 e 92.

  1. O que explica a presena no Brasil de uma grande quantidade de 
mercadorias inglesas, depois de 1808? 
  2. Por que os comerciantes portugueses ficaram descontentes com a presena 
dos ingleses no comrcio brasileiro?

  Sugesto de atividade complementar
  Atividade III  Em grupos
  Esta atividade tem como objetivo preparar o estudo do prximo captulo.
  1. O que significava para os comerciantes portugueses o decreto de abertura 
dos portos (1808)? E os tratados de 1810, firmados com a Inglaterra? Eles 
perdiam ou ganhavam com essas medidas? Por qu?
  2. E o reino de Portugal? Perdia ou ganhava com as referidas medidas? Por 
qu?
  3. O que  uma Constituio?
  4. Nas monarquias absolutistas no havia Constituio. Seria fcil ou difcil 
que os soberanos absolutistas aceitassem uma Constituio. Seria fcil ou 
difcil que os soberanos absolutistas aceitassem uma Constituio em seus 
reinos? Por qu?

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  Captulo 22
  Ou ficar a ptria livre...
  Recordando
  Quando a famlia real portuguesa embarcou com sua numerosa corte para o 
Brasil, Portugal estava ameaado pelos soldados de Napoleo, que j 
marchavam em direo a Lisboa.
  A famlia real, fugiu, mas o povo portugus teve que lutar contra os exrcitos 
de Napoleo, o que foi feito com o auxlio de tropas britnicas, comandadas 
por um general ingls. Somente em 1811 os franceses foram definitivamente 
derrotados. Portugal ficou, at 1820, sob a tutela da Inglaterra.
  Apesar da vitria, a invaso napolenica significou, alm da perda de vidas, 
a destruio dos campos de cultivo e, conseqentemente, falta de alimentos 
para a populao.

  Portugal sob o comando da Inglaterra
  Tudo isso apenas agravava os problemas que j vinham de muito tempo. 
Desde o sculo XVII, os monarcas portugueses firmavam acordados e tratados 
com a Inglaterra, na tentativa de obter ajuda financeira. Com isso, o reino se 
enterrava cada vez mais.
  Depois da vinda da famlia real para ao Brasil, o reino ficou numa situao 
ainda mais difcil. A abertura dos portos brasileiros s naes amigas (1808) e 
a concesso de taxas mais baixas para as mercadorias ingleses (1810) foram 
medidas que arruinaram o comrcio portugus.
  Depois da vinda da famlia real para o Brasil, o reino ficou numa situao 
ainda mais difcil. A abertura dos portos brasileiros s naes amigas (1808) e 
a concesso de taxas mais baixas para as mercadorias inglesas (1810) foram 
medidas que arruinaram o comrcio portugus.

  Uma revoluo em Portugal
  O descontentamento dos portugueses acabou explodindo numa rebelio, em 
1820, na cidade do Porto. As tropas portuguesas, com o apoio da populao, 
conseguiram livrar-se do governante ingls e formaram um governo 
revolucionrio.
  Seu principal objetivo era elaborar uma Constituio para Portugal. O rei D. 
Joo, que estava no Brasil, deveria assin-la a comprometer-se a respeit-la. 
Para escrever a Constituio foram convocadas as cortes, isto , a 
assemblia dos representantes das vrias camadas da populao do reino. J 
no era o rei que estava no governo e sim as cortes. 
  O movimento, conhecido como Revoluo Constitucionalista do Porto, 
tambm afetava o Brasil, que, como vimos, fazia parte, desde 1815, do Reino 
Unido(Brasil, Portugal e Algarves).
  Em vrias provncias do Brasil, os governos locais, fiis a D. Joo, foram 
substitudos por juntas constitucionais, diretamente subordinadas s cortes. 
Alm disso, as provncias elegeram representantes brasileiros para participar 
dos trabalhos das cortes em Lisboa.
  Os portugueses, por sua vez, exigiram que D. Joo voltasse a Portugal e que 
a sede do reino se transferisse novamente para l. O rei adiou quanto pde 
esse retorno, mas afinal partiu (26 de abril de 1821), acompanhado de 3 mil 
pessoas  os servidores da famlia real e os funcionrios dos altos cargos 
pblicos. Levou tambm em sua bagagem uma vultosa quantia de dinheiro, 
retirada do Banco do Brasil.

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  Pea para o seu professor descrever.
  Figura 1  Cena de uma sesso das cortes de Lisboa, reconstituda pelo pintor 
Oscar Pereira da Silva.
  Mas deixou seu filho, D. Pedro, como regente. A ele D. Joo aconselhou, 
antes de partir, que, caso o Brasil tivesse que se separar de Portugal, ele, 
Pedro, ficasse com a coroa, em vez de a deixar cair nas mos de alguns 
desses aventureiros.

  A desiluso nas cortes de Lisboa
  Os deputados brasileiros nas cortes de Lisboa procuraram garantir a j 
adquirida liberdade de comrcio nos portos do Brasil e uma situao de 
igualdade diante de Portugal. Mas eles no conseguiram aprovar suas 
propostas, porque estavam em minoria: eram 50 contra 130 portugueses.
  Os deputados portugueses, por sua vez, tinham objetivos bem diferentes. 
Desejavam que o Brasil retornasse  situao de simples colnia e que 
Portugal voltasse a Ter o monoplio do comrcio com o Brasil.
  Para evitar qualquer rebelio no Brasil, as cortes enviaram reforos militares 
para o Rio de janeiro, Pernambuco e Bahia.

  Um Brasil independente. Mas para quem?
  Aos brasileiros restava tentar livrar-se de vez do domnio de Portugal. A 
maioria das outras colnias americanas (da Espanha e da Inglaterra) tinham 
travado uma prolongada luta contra suas metrpoles e se tornado pases 
independentes. Em todos eles organizaram-se governos republicanos.
  Aqui no Brasil tambm havia aqueles que desejavam uma repblica, onde as 
provncias tivessem grande autonomia, isto , independncia para tomar 
decises. Essas pessoas eram conhecidas como liberais radicais e pertenciam, 
em geral, s camadas das classes mdias das cidades: funcionrios, mdicos, 
advogados, jornalistas, padres, professores.
  As idias revolucionrias da Frana do sculo XVIII deram origem ao 
liberalismo. Os liberais lutavam principalmente pela participao dos cidados 
nas decises polticas e por isso se opunham ao absolutismo. Defendiam a 
existncia de uma Constituio, que controlasse o poder dos governantes e 
estabelecesse as regras para a participao dos cidados nas decises do 
governo.
  Havia ainda os grandes proprietrios de terras e ricos comerciantes 
brasileiros, principalmente de Minas, Rio de Janeiro, So Paulo e 
Pernambuco, que tambm queriam um Brasil independente, mas governado 
por um monarca. Seu maior temor era de que houvesse uma guerra pela 
independncia, com a participao das camadas populares e de escravos. Se 
isso ocorresse, eles temiam perder seus privilgios, principalmente se 
houvesse a abolio da escravido.

  O prncipe: um aliado
Enquanto isso, as cortes de Lisboa tentavam, por todos os meios, fazer o 
Brasil voltar  situao de colnia. Assim, em decretos de primeiro e de 
dezoito de outubro de 1821, as cortes determinaram que D. Pedro voltasse a 
Portugal, para assumir sua condio de herdeiro do trono portugus.
  Para o Brasil, o retorno do  prncipe significaria voltar irremediavelmente  
antiga condio de colnia. Para evitar que isso ocorresse, os brasileiros 
optaram por aliar-se ao prncipe regente para que ele fizesse a independncia, 
sem nenhum risco para sua situao privilegiada.

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  Alguns deles atuavam nas lojas manicas, que tiveram bastante influncia 
na luta pela independncia do Brasil.
  As associaes manicas tm origem muito antiga, na poca medieval. Mas 
foi na Inglaterra, no incio do sculo XVIII, que os pedreiros profissionais se 
associaram num clube, a Grande Loja de Londres.
  Da Inglaterra, a maonaria se difundiu para outros pases europeus e tambm 
chegou  Amrica.
  No Brasil, fundaram-se as primeiras lojas manicas no incio do sculo XIX 
e sua maior influncia se deu Nordeste.
  Entre os membros da maonaria encontravam-se figuras de grande destaque, 
como Jos Bonifcio de Andrada e Silva e o prprio prncipe D. Pedro.
  A entrada na organizao, s permitida aos homens, ainda hoje se faz em 
meio a cerimnias e rituais secretos.

  Ento, eu fico
  Entre essas pessoas estava Jos Bonifcio de Andrada e Silva, que pertencia 
a uma abastada famlia de comerciantes de So Paulo. Foi ele quem escreveu 
ao prncipe, como representante dos paulistas, recomendando-lhe que no 
voltasse a Portugal.
  Para impressionar masi D. Pedro e convenc-lo a ficar, preparou-se um 
manifesto, com milhares de assinaturas, que lhe foi entregue no dia 9 de 
janeiro de 1822.
  Diante da presso dos brasileiros, o prncipe decidiu ficar no Brasil, 
desconsiderando as ordens do governo de Lisboa. Em seguida, escolheu Jos 
Bonifcio para ser seu ministro.

  Enfim, a separao
  Na prtica, o Brasil j estava independente, tinha seu prprio governo, no 
obedecia mais s ordens das cortes de Lisboa.
  No entanto, para se impor como governante do Brasil, D. Pedro precisava do 
apoio de todas as provncias.
  Para isso, realizou-se uma viagem a So Paulo, onde foi muito bem recebido, 
com festas, fogos de artifcio e missas. Em seguida, foi at Santos. Quando 
retornava da longa viagem (que s podia ser feita, na poca, a cavalo ou no 
lombo de mula), encontrou, nas proximidades do riacho do Ipiranga, 
mensageiros que vinham do Rio de Janeiro.  Eles traziam documentos e cartas 
enviadas por Jos Bonifcio e pela princesa D. Leopoldina (esposa de D. 
Pedro).
  As cartas contavam que novas ordens tinham chegado de Lisboa, rebaixando 
a autoridade do prncipe a mero representante das cortes portuguesas no 
Brasil. Tambm alertavam D. Pedro de que as tropas estavam se preparando 
para impor, pela violncia, a vontade do governo de Lisboa.
  Figura 2: Quadro mostrando a princesa D. Leopoldina, reunida com o 
Conselho do Estado, no dia 2 de setembro de 1822, diante dos documentos 
chegados de Portugal. Em p,  direita, Jos Bonifcio de Andrada e Silva. 
leo de Georgina de Albuquerque.

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  D. Pedro enfurecido, tomou a deciso to esperada por aqueles que 
desejavam uma independncia sem revoluo. Ele declarou:  tempo: 
independncia ou morte! Estamos separados de Portugal. Era o dia 7 de 
setembro de 1822. (Figura 3).
  Aps a proclamao, D. Pedro comps a msica do Hino da Independncia, 
com letra de Evaristo da Veiga. A cena foi reconstituda neste leo de Augusto 
Bracet.

  As reaes dos portugueses
  A notcia da independncia foi chegando s varias provncias, mas nem 
sempre era bem recebida. Em algumas delas existiam as juntas 
constitucionais, compostas de portugueses (veja p. 139), que permaneceram 
fiis ao governo de Portugal. Contavam com as tropas portuguesas e podiam 
resistir  independncia, enfrentando o exrcito brasileiro.
  As tropas fiis a D. Pedro, por sua vez, tinham um pequeno contingente de 
soldados mal preparados. Por isso, D. Pedro precisou contratar soldados 
mercenrios e comandantes estrangeiros, principalmente ingleses. Mas a 
participao da populao nas guerras pela independncia travadas nas 
provncias da Bahia, do Cear, Piau e Par, tambm foi decisiva para a vitria 
de D. Pedro.
  A independncia do Brasil s foi reconhecida posteriormente: em 1824, 
pelos Estados Unidos; em 1825, por Portugal, mediante uma indenizao de 2 
milhes de libras esterlinas; e, em 1826, pela Frana e pela Inglaterra.
  O apoio da Inglaterra a D. Pedro I ligava-se ao interesse em manter a 
liberdade de comrcio obtido desde 1808, quando da vinda da famlia real 
para o Brasil, e garantir as taxas preferenciais de importao, que vigoravam 
deste o Tratado de Comrcio de 1810. (Veja p. 135).

  Atividade I  Ficha de leitura
 Faa a ficha de leitura do captulo 22, baseando-se no roteiro a seguir:
  1. Situao econmica e poltica de Portugal aps a vida da famlia real para 
o Brasil.
  2. Objetivos das cortes de Lisboa, em relao ao Portugal e ao Brasil.
  3. Divergncias entre deputados brasileiros e portugueses nas cortes de 
Lisboa.
  4. As diferentes opinies de grupos polticos brasileiros em relao  
independncia.
  5. Razo do interesse dos proprietrios de terras em aliar-se ao prncipe 
regente para fazer a independncia.
  6. Acontecimentos que provocaram o rompimento definitivo dos laos 
coloniais entre o Brasil e Portugal.
  7. Razes de resistncia  independncia em algumas provncias do Brasil.
  8. Interesse da Inglaterra na independncia do Brasil.

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  Atividade II  Estudo de outras fontes
  Texto complementar
  ZA opinio pblica do Rio de Janeiro passou a ser, principalmente no 
segundo semestre de 1821, constantemente assediada, no s pelos novos, 
como pelos panfletos que comeavam a ser publicados: chegavam a ser 
afixados nos muros e distribudos nas ruas documentos que condenavam as 
corte e pediam a permanncia de D. Pedro no Brasil. (...)
  Embora o povo no tivesse participado das articulaes que levaram ao 7 de 
setembro, os acontecimentos de 1821-1822 contaram com sua participao 
intensa, no Rio e em algumas Capitais. Na imensa maior parte do Brasil, 
essencialmente rural, tais acontecimentos evidentemente passaram 
despercebidos, a no ser por alguns membros da elite agrria. Porm, no Rio, 
Salvador e Recife, as camadas humildes foram bastante atingidas pelo clima 
agitado, exceo feita aos escravos, para quem pouco importava a 
nacionalidade das chibatas e grilhes. Se o povo no participou foi por Ter 
sido conscientemente alijado do processo pelos grupos dominantes que o 
temiam; o que no impediu de ficar a par dos fatos, tomar posio diante deles 
e apresentar reinvidicaes.(...)
  (Mendes Junior, Antonio; Roncari, Luiz e Maranho, Ricardo. Brasil 
Histria  Texto e Consulta, v. 2. So Paulo: Brasiliense, 1977. P. 151.)

  1. De que forma a populao do Rio de Janeiro tomava conhecimento dos 
fatos ligados ao movimento da independncia?
  2. Por que esse movimento no apresentava interesse para os escravos?
  3. O que impediu que a populao mais pobre tivesse uma participao 
importante no processo de independncia?

  Encerramento da Unidade

  Atividade I  Em grupos
  1. Discutir os objetivos apresentados no incio da unidade, sob o ttulo: O 
que  importante aprender. Redigir um pequeno texto sobre cada um dos 
temas.
  Atividade II  Em grupos
  Esta atividade tem como objetivo fazer uma sntese da Histria do Brasil 
Colonial.
  1. Como viviam os habitantes do Brasil na poca em que os europeus 
chegaram?
  2. Qual foi o primeiro produto do territrio brasileiro explorado pelos 
portugueses?
  3. Por que o cultivo da cana e a produo de acar foram as atividades 
escolhidas pelos portugueses para iniciar a colonizao do Brasil?
  4. O que aconteceu com os indgenas em decorrncia da ocupao do 
territrio brasileiro pelos portugueses?
  5. Em que capitanias da colnia mais se desenvolveu a atividade aucareira?
  6. Como os portugueses conseguiram trabalhadores para desenvolver as 
plantaes e a produo de acar?
  7. Que pases europeus representaram ameaa para o domnio portugus no 
Brasil? Justificar.
  8. Qual a atividade que favoreceu o povoamento do interior nordestino? E do 
Sul?
  9. Qual a atividade que favoreceu a ocupao da Amaznia?
  10. Qual a atividade que favoreceu a ocupao da regio de Minas Gerais, 
Gois e Mato Grosso?
  11.Por que a partir da segunda  metade do sculo XVII Portugal modificou as 
regras do comrcio com o Brasil? ?Como ficou nessa poca a relao entre a 
colnia e a metrpole?
  12. Quais foram as reaes (e onde ocorreram) dos colonos contra essas 
medidas impostas pela Coroa?
  13. Qual o primeiro pas em que ocorreu a transformao nos mtodos de 
produo de mercadorias conhecida como Revoluo Industrial? Em que 
sculo?
  14. Quais foram os movimentos que tiveram por objetivo libertar o Brasil do 
domnio portugus? Que idias influenciaram esses movimentos?
  15. Qual foi o significado da vinda da famlia real para a situao colonial do 
Brasil?
  16. O que explica que o Brasil independente tenha se tornado uma 
monarquia, ao contrrio de todos os outros pases da Amrica, onde se 
organizaram governos republicanos?

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